O Enfarte Agudo do Miocárdio (EAM) ou ataque cardíaco ocorre quando uma das artérias do coração fica obstruída, deixando uma parte do músculo cardíaco em sofrimento por falta de oxigénio e nutrientes. Esta obstrução é habitualmente causada pela formação de um coágulo devido à rutura de uma placa de colesterol.

"As artérias coronárias são responsáveis pelo fornecimento de oxigénio ao coração e quando uma destas artérias fica obstruída e impede a passagem do sangue, provoca uma redução de oxigénio no músculo cardíaco, provocando lesão e morte celular de parte deste tecido, desencadeando o enfarte agudo do miocárdio", explica o médico cardiologista Severo Torres.

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O EAM é uma das principais causas de morte em Portugal e o seu prognóstico está diretamente relacionado com o tempo de evolução entre o início dos sintomas e o seu tratamento. "Esta doença cardiovascular é a causa de morte de mais de quatro mil portugueses todos os anos", refere o médico.

O principal sinal de alerta é a dor no meio do peito, que se pode estender para um ou para os dois braços, para as costas, pescoço, maxilar ou estômago, seguindo-se de outros sintomas como fraqueza ou fadiga inexplicáveis, falta de ar, suores, náuseas, vómitos, palidez e desmaio.

"Na presença destes sintomas é importante ligar imediatamente para o número de emergência médica - 112 - e esperar pela ambulância que estará equipada com aparelhos que registam e monitorizam a atividade do coração e permitem diagnosticar o enfarte. A pessoa não deve tentar chegar a um hospital pelos seus próprios meios", salienta o também médico cardiologista João Brum Silveira.

Segundo dados da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, estima-se que mais de dois terços da população portuguesa não conhecem os sintomas do enfarte do miocárdio e que cerca de 50% dos doentes com sintomas recorrem a uma unidade hospitalar sem capacidade para realizar o tratamento, o que conduz a um atraso significativo no início da terapêutica adequada.

O que fazer em caso de suspeita de enfarte?

Perante a suspeita de um EAM, é crucial ligar imediatamente para o número de emergência médica 112, por dois motivos essenciais: rapidez no diagnóstico e transporte em segurança para um hospital com capacidade de tratamento do EAM.

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"A atuação rápida do INEM, com profissionais treinados e equipados para fazer o diagnóstico de EAM em ambiente pré-hospitalar, permite o transporte direto do doente para um hospital com capacidade para realizar angioplastia primária (reabertura da artéria ocluída), o tratamento de eleição do EAM, evitando a admissão em hospitais sem condições para fazer este tratamento e reduzindo drasticamente os tempos de atraso relacionados com o transporte inter-hospitalar", esclarece Sílvia Monteiro é médica cardiologista no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC).

"Por outro lado, o transporte feito pelo INEM é mais seguro, uma vez que os profissionais estão treinados para identificar e tratar de imediato as principais complicações do EAM, nomeadamente a paragem cardiorrespiratória e a insuficiência cardíaca aguda, mais frequentes nas primeiras horas após o início dos sintomas e quase sempre fatais na ausência de um tratamento emergente", sublinha.

Rastreios a partir dos 40 anos

"O rastreio dos fatores de risco cardiovascular na população assintomática deve ser feito nos homens a partir dos 40 anos e nas mulheres a partir dos 50 anos ou após a menopausa. Um jovem sem sintomas, sem fatores de risco (nos quais se incluem os antecedentes familiares), com um exame físico sem alterações e um eletrocardiograma normal terá pouca probabilidade de ter qualquer alteração cardiovascular", adverte Severo Torres.

"Na presença de fatores de risco e de acordo com a avaliação do risco global, serão definidos os necessários exames complementares, que poderão incluir o eletrocardiograma, o ecocardiograma, a prova de esforço, o doppler carotídeo, a tomografia axial computorizada cardíaca, a ressonância magnética nuclear cardíaca e outros mais específicos, decorrentes de eventuais alterações detetadas nestes exames prévios", acrescenta este cardiologista.

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Para prevenir a doença, o especialista aconselha: "fazer cinco refeições por dia, privilegiando o consumo de vegetais, fruta, cereais e peixe, beber um litro e meio de água por dia, fazer exercício, dormir cerca de seis a oito horas por dia e evitar bebidas alcoólicas e alimentos salgados ou ricos em gorduras e açúcares".

Quais os fatores de risco associados a um novo evento cardiovascular?

A probabilidade de recorrência de EAM varia de doente para doente e está associada ao risco de progressão da doença aterosclerótica inerente ao próprio doente, mas depende sobretudo da qualidade do controlo dos fatores de risco cardiovascular presentes e da adesão e persistência terapêutica.

"Felizmente, a recorrência de eventos cardiovasculares não é uma inevitabilidade para todos os doentes pós-EAM, particularmente para aqueles que conseguem adotar um estilo de vida saudável e cumprir rigorosamente a medicação prescrita ao longo do tempo", afirma a cardiologista Sílvia Monteiro.

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