A pandemia está a redefinir o comportamento humano, o que se reflete também nas escolhas alimentares dos consumidores. Produtos focados no bem-estar, coadjuvantes do alívio do stresse, alternativas alimentares mais saudáveis e uma preocupação acrescida na segurança alimentar, estão entre os desafios discutidos no webinar “Trends 2021”, promovido a 11 de fevereiro pela PortugalFoods, associação cluster do agroalimentar nacional.

No encontro online, sustentado num estudo apresentado pela consultora Mintel empresa sediada em Londres, especializada em pesquisas de mercado, sobressaem três vetores - bem-estar, valor e identidade - que definirão as tendências alimentares este 2021. “A Covid-19, pelo profundo impacto que tem na sociedade, acelerou exponencialmente as tendências de inovação que se previam para a próxima década”, lemos na nota de imprensa que apresenta o estudo.

Bem-estar/alimentar a Mente

“No futuro, os consumidores irão procurar mais produtos e serviços que ofereçam benefícios concretos para os seus níveis de saúde e bem-estar mental”, salienta a PortugalFoods.

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Desta forma, novas receitas vão expandir as atividades de alívio do stresse, como produtos criados para valorizar as atividades de lazer e de descompressão, como ver televisão ou meditar. “Elementos sensoriais como perfumes e ingredientes funcionais serão utilizados para adicionar experiências reais a eventos virtuais – como snacks energéticos para consumir durante um videojogo ou bebidas perfumadas para bebericar enquanto se acompanha um tutorial de meditação”.

Ainda de acordo com a mesma fonte, “já a preocupação com saúde mental acelerará produtos alimentares conscientes e intuitivos. Assim, mais marcas vão posicionar-se neste campo, ajudando os consumidores a fazerem escolhas, sublinhando, por exemplo, a densidade nutritiva dos seus produtos (alimentos com um rácio muito elevado de nutrientes benéficos, em comparação com as calorias)”.

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créditos: Dose Juice/Unsplash

Valor/Qualidade redefinida

O segundo vetor das tendências identificadas pela PortugalFoods, centra-se no Valor/Qualidade redefinida dos produtos alimentares.

Neste âmbito, “motivados pelo ´choque pandémico`, os consumidores estão a procurar um regresso ao essencial, focando-se na redução do consumo e em encontrarem mais valor acrescentado nas suas compras. Poupança de tempo, segurança alimentar e conveniência nos produtos alimentares e na restauração serão cruciais”, salienta a associação que reúne 1500 entidades ligadas ao setor agroalimentar.

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A Covid-19 expôs a necessidade de, enquanto sociedade, nos apoiarmos uns aos outros. “As marcas e os retalhistas têm, agora, a oportunidade de lançarem produtos com preços alinhados com declarações éticas e ambientais. Uma das prioridades será criar produtos nutritivos e saudáveis com preços acessíveis. Esta tendência também permitirá às empresas aumentarem moderadamente os preços se explicarem como tal subida está relacionada com a oferta de qualidade, segurança e responsabilidade corporativa”.

A pandemia traz novos requisitos em termos de higiene e segurança, especialmente no que diz respeito ao retalho e à restauração. “Os consumidores vão exigir inovações ‘sem toque’, incluindo carrinhos de compra inteligentes ou embalagens que limitem o contacto direto com as mãos durante o momento de consumo.

Identidade/Unidos pela comida

Reconhecida a importância das relações sociais, os consumidores tenderão a organizar-se em comunidades (tanto digitais como físicas) para socialização. “O setor agroalimentar e a restauração podem tirar vantagem do facto de serem percecionados como indústrias que constroem laços e promovem entidades comuns, baseadas em sabores e gastronomia. Assim, as marcas vão ativamente construir redes online de consumidores e organizar encontros presenciais (à medida que as restrições forem sendo levantadas) – e que não tenham apenas como fim a degustação, mas possam inclusivamente promover causas”.

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créditos: NordWood Themes/Unsplash

Os consumidores vão querer criar relações autênticas com outras pessoas que partilham os mesmos valores e gostos – como já acontece em áreas como o desporto, vestuário e eventos culturais. “Seguindo o exemplo, o setor alimentar pode promover espaços virtuais que, além de plataformas de ecommerce, apresentem fãs de marcas uns aos outros”, salienta a PortugalFoods.

Finalmente, o comércio online interativo é uma ferramenta para a união das pessoas. “Nesse sentido, as marcas agroalimentares podem adotar modelos de social ecommerce, nos quais a experiência de compra online é partilhada com outros compradores e amigos. Este modelo online pode ser expandido para eventos presenciais, para os quais grupos de fãs selecionados são convidados a receberem edições limitadas de compras feitas online ou a experimentarem menus em momentos de confraternização (segura)”.

A apresentação deste estudo decorreu no âmbito do projeto PortugalFoods_Qualifica que tem por objetivo o reforço da competitividade empresarial do setor e o incremento do índice tecnológico.

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