Chegado janeiro, o município de Montalegre, em Trás-os-Montes, revela um dos seus tesouros mais preciosos. Este 2020 não é exceção e aquele que é chamado localmente o “São João das chouriças”, retorna à terra fria transmontana, em mais uma Feira do Fumeiro de Montalegre. Esta é a 29ª edição de um certame com origens em 1992 e que, anualmente, leva ao Pavilhão Multiusos da capital de concelho, dezenas de produtores e os acepipes que fazem do território um dos mais apetecíveis da mesa nacional.

De 23 a 26 de janeiro, quem se deslocar à Feira, vai encontrar, entre muitos outros fumeiros de labor local, a farinheira de mel, a sangueira, a chouriça, o chouriço de abóbora e salpicão; as carnes de porco fumadas e curadas, da barriga ao pernil, do entrecosto à entremeada.

Nem só de carnes se faz esta mesa e o certame dará mostra das batatas, couves, castanhas, cogumelos, licores, entre muitos outros produtos locais.

A  Feira, "rainha do fumeiro" do Barroso, como também é conhecida, trará um espaço dedicado à mesa, na “Praça dos Petiscos”, com o tradicional cozido de Barroso, o cabrito assado em forno de lenha ou a carne barrosã assada no carvão. Junta-se um espaço de showcooking, com apresentações a cargo de chefes de cozinha, assim como outros protagonistas locais, nomeadamente a Rede de Tabernas do Alto Tâmega.

De quinta a domingo, não faltará um programa recheado com animação musical com diferentes grupos presentes no recinto, com especial atenção a momentos de Funk.

No Planalto de Barroso, onde as bruxas ainda dançam, a terra é fria, a alma é quente
Um Cozido de Barroso no restaurante Casa do Preto, em Pitões das Júnias. créditos: J.M.A.

A propósito do fumeiro local, diz-nos o município de Montalegre tratar-se de “matéria-prima selecionada com um processo lento de maturação, com temperos naturais - sem aditivos - e fazendo a fumagem com lenha dos carvalhos seculares do Barroso; confere aos produtos o cheiro e o paladar que os caracteriza e os torna simplesmente diferentes”.

Sobre a segurança e higiene alimentar dos produtos em mostra e venda, a mesma fonte sublinha que “o sistema de controlo inicia-se no mês de fevereiro do ano anterior à realização da Feira do Fumeiro, com a inscrição dos produtores e do número de animais que pretendem criar para produção de fumeiro. Posteriormente, em visita domiciliária, é confirmado o número de animais que cada produtor detém sendo os animais sinalizados com brincos”.

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“Durante o ano, todos os produtores são visitados, de uma forma aleatória, por uma Comissão, constituída também por produtores, que verifica se a alimentação dos animais obedece a uma alimentação tradicional. Este controlo de qualidade continua na matança com a presença obrigatória do veterinário municipal. Ato contínuo, termina com a entrada dos produtos na Feira do Fumeiro”.

Sublinhe-se que a Feira do Fumeiro e Presunto de Barroso é o maior cartaz turístico e cultural do concelho de Montalegre. “Nasceu, timidamente, em 1992. Hoje atrai, num único fim de semana, mais de 50 mil pessoas. O certame é organizado pela Câmara Municipal de Montalegre desde o seu arranque. Desde 2002, a organização é feita em conjunto com a Associação dos Produtores de Fumeiro da Terra Fria Barrosã”, informa a câmara.

Sobre as origens do certame, conta-nos o município que “tradicionalmente, só os ´pobres` vendiam os presuntos e as chouriças produzidas em casa, na maioria das vezes de forma escondida. Os produtores que poderiam dispensar fumeiro para venda sentiam-se envergonhados em fazê-lo publicamente. A partir do terceiro ano alguns produtores começaram a permitir que o seu nome fosse colocado nos rótulos dos produtos. Contudo, a partir do quinto ano de edição alguns produtores mostraram-se disponíveis para estarem presentes na Feira do Fumeiro a fim de eles próprios venderem o seu fumeiro, enquanto, em espaço diferenciado, a Câmara de Montalegre continuava a vender o fumeiro daqueles que continuavam a não querer assumir a venda”.

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