Embora o país não consiga competir com as grandes cidades de moda como são Paris, Milão, Londres e Nova Iorque, existe um talento genuíno que provém da herança artesanal. Atualmente uma nova geração de jovens está a aventurar-se mais pela moda e assim preencher uma lacuna que tanta falta fazia, neste que é um setor que tanto esteve em voga nos anos 1980 e 1990.

A revista norte-americana de entretenimento e moda masculina Esquire publicou um artigo a referir que Portugal será o próximo destino a despoletar para o setor têxtil masculino, referindo que tem todo o potencial para combinar o know-how técnico e as perspetivas. É por isso que a Pitti Uomo escolheu, em janeiro deste ano, Portugal como o seu próximo alvo.

“Muitas dessas empresas têxteis que existem atualmente em Portugal já produziam tecidos ou calçados para outras marcas, há duas ou três gerações”, diz Luís Carvalho, vitrinista responsável pela Guest Nation Portugal da Pitti Uomo.

Essa tendência para uma produção menor e especializada é uma das coisas que faz com que Portugal seja atrativa, não apenas para as grandes marcas que precisam de direcionar a procura para outros países que não sejam aquelas encomendas gigantescas no extremo oriente, mas para os clientes que querem algo diferenciado.

“Portugal tem tradição e habilidades magníficas na manufatura do têxtil”, diz Lapo Cianchi, diretor de comunicações da Pitti Imagine, empresa que gere a Pitti Uomo.

“Também quisemos dar voz [e mãos] à criatividade. Por isso, escolhemos algumas marcas jovens que, na nossa opinião, são capazes de expressar melhor esta nova visão da moda portuguesa. Talvez pudessem ser considerados uma espécie de vanguarda para o florescimento da moda de Portugal”, acrescenta Cianchi

Afinal, porquê Portugal?

O artigo da Esquire explica que os trabalhadores e empresários portugueses fazem roupas, sapatos e acessórios de grande qualidade, sempre o fizeram. Então a pergunta que se impõe é: Porquê agora? A resposta pode estar relacionada com as pressões que existem sobre a produção massificada - por vezes escravizada - da roupa em países como Vietname ou Bangladesh e daí as gigantes da moda comercial serem obrigados a procurarem soluções em países mais desenvolvidos para fugirem às pressões políticas e sociais. No meio destes problemas descobriu-se Portugal, reunindo qualidade a bom preço.

João Xavier é o diretor comercial da Labuta, fábrica de calçado, calças e acessórios com sede em Leiria e não tem “uma explicação especial para esta grande procura”.

"Na verdade, começamos há três, quatro anos, então a exportação não é novidade. Começamos a produzir apenas para nós e não para os outros, mas a moda portuguesa, ao que parece, passou a ser conhecida no mundo”, disse, acrescentando: “Não somos só nós. Há outras pessoas a produzirem coisas boas, com herança e sentimento. Aí é que está o segredo.”

Norte de Portugal na vanguarda

É no concelho de Vila Nova de Famalicão que está a Inovafil, uma empresa de fiação para a composição de tecidos que conta com mais de 100 clientes em todo o mundo e só no ano passado faturou 18 milhões. As maiores marcas desportivas já estão na mira desta empresa

Aqui fala-se de fios, não se produz tecido, apenas matéria prima, isto para não fazer concorrência a um mercado muito competitivo. A empresa abastece-se em todo o mundo, sendo que neste tipo de indústria a matéria mais tradicional é o algodão, mas aqui vai-se mais além. Juntamente com parceiros estratégicos, como a Universidade do Minho e o Citeve - Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal - existe uma vontade de fazer avançar o mercado têxtil.

Muitas das vezes, a funcionalidade, ou grande parte dela, está no fio. Depois, a parte da estrutura - malha ou tecido - complementada com o acabamento, faz a performance desportiva.

Farfetch, de Portugal para o mundo

Fundada por José Neves em 2007 e lançada em 2008, mas agora com sede em Londres, a Farfetch é uma plataforma digital de comércio para a moda de luxo que serve de ponto de contato entre mais de 3.200 marcas e 935.000 utilizadores ativos em 190 países.

Novo Centro de Creative Productions da Farfetch
Inauguração do novo Centro de Creative Productions da Farfetch, Guimarães, 23 de maio de 2018. HUGO DELGADO/LUSA créditos: Lusa

Em setembro de 218, a empresa, com sede fiscal em Londres e principais filiais em Porto, Guimarães, Lisboa, tornou-se na primeira empresa tecnológica portuguesa a ser cotada na Bolsa de Valores de Nova Iorque.

A Farfetch é uma plataforma global no setor da moda de uma indústria que fatura mais de 300 mil milhões de dólares anuais, a indústria de luxo. Desde maio de 2015, a Farfetch conta com mais de 1000 funcionários globalmente.

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