Se tem meia hora livre e não tem medo de seringas, é a candidata ideal para experimentar os efeitos de um clássico em matéria de materiais de preenchimento facial, o colagénio!

Há uns anos, pressupôs uma revolução que tornou possível minimizar as rugas de expressão ou exibir lábios carnudos com umas pequenas picadas e sem necessidade de recorrer ao bisturi.

Hoje em dia, as injecções de colagénio transformaram-se quase num tratamento convencional que, apesar do boom do Botox e de outras técnicas vanguardistas, continua a ter um público fiel que recorre a elas sempre que sente a necessidade de se ver com melhor cara.

A sua inocuidade, temporalidade e facilidade de aplicação fizeram com que muitas pessoas o considerassem uma opção mais próxima da maquilhagem do que das intervenções de estética.

Por que perdemos colagénio?

«O colagénio é uma proteína existente em todos os seres multicelulares, sobretudo animais, embora apresente diferenças estruturais entre espécies. Está distribuído em determinados tecidos como a pele, os tendões, o cabelo e os pêlos, a cartilagem e até as unhas.

Em função da sua localização, apresenta algumas variações moleculares, sendo conhecidos cerca de 16 tipos de colagénio no organismo humano», explica Francisco Carvalho Domingues, mestre em Medicina Estética e director clínico do Instituto Ibérico de Medicina Estética, na Covilhã e noutras cidades no centro do País.

No processo natural de envelhecimento, a quantidade de colagénio diminui gradualmente, dando lugar às rugas e linhas de expressão. «A sua produção vai tornando-se mais lenta ao longo da vida, após os 20 anos, pois é a partir desta idade que se atinge o pico máximo do anabolismo (crescimento) a nível biológico e bioquímico na maior parte das nossas células», refere Carvalho Domingues.

O especialista aponta ainda alguns factores exógenos que contribuem para a diminuição de colagénio nesses tecidos, nomeadamente hábitos tabágicos, alimentação deficiente e desequilibrada em proteínas essenciais, radiação UV (sol e solários), exposição a climas mais agrestes, etc. As injecções desta substância são um tratamento eficaz para repor o colagénio orgânico perdido
e para dar firmeza à pele.

Qual a sua origem

Até há pouco tempo, os implantes de colagénio mais utilizados eram de origem bovina.
«Há alguns anos, o aparecimento da BSE e o concomitante risco de transmissão ao Homem, aumentou a pressão sobre a produção de colagénio de origem bovina, que viu o seu uso reduzir-se por todo o mundo», esclarece o médico.

«Surgiu, então, a produção de colagénio de origem suína e, mais recentemente, de origem humana, que tem permitido reduzir os receios inicialmente desencadeados pelo colagénio bovino», explica ainda.


Veja na página seguinte: As reacções do corpo ao colagénio

As reacções

As primeiras aplicações de colagénio requeriam a realização prévia de um teste de sensibilidade para evitar possíveis reacções alérgicas.

Actualmente, este teste já não é necessário porque o colagénio utilizado deriva do tecido suíno, semelhante e compatível com o tecido humano. No entanto, o médico deve fazer um questionário completo ao paciente para descartar alguma doença relacionada com colagénio ou verificar se já teve alguma intolerância a esta substância no passado.


Dói ou não?

É
normal sentir-se um ligeiro incómodo durante a injecção, dependendo do limite de dor de cada um. Algumas pessoas precisam de recorrer a um anestésico local. «O implante na região peri-bucal (para aumento do volume dos lábios, por exemplo), poderá justificar um anestesia de bloqueio nervoso, tal como a anestesia dentária», acrescenta Francisco Carvalho Domingues.
Em qualquer caso, depois da sua aplicação pode fazer-se uma vida completamente normal.

Em que zonas funciona bem

O colagénio tem apresentado bons resultados na correcção de pequenas rugas e rídulas e nas cicatrizes produzidas pela acne, quando são muito profundas.
Também tem sido muito usado para dar espessura aos lábios muito finos, já que permite aumentar o volume de forma controlada.

Apesar do colagénio ser um produto de preenchimento utilizado para as rugas, também existem produtos no mercado (à base de colagénio) que servem para hidratar a pele.

Quem (não) pode usar

A aplicação médico-estética de colagénio está indicada para pequenas rugas e rídulas, manifestações iniciais ou moderadas de flacidez facial, correcção de algumas cicatrizes, aumento do volume dos lábios, ou integrada na correcção de uma pele desidratada, já que o colagénio, sendo uma proteína fibrosa, tem a capacidade de aumentar a concentração de água na pele.

Não se aplica em grávidas, pessoas alérgicas a estas substâncias, pacientes com doenças auto-imunes, portadores de doenças do colagénio como a artrite reumatóide, a artrite reumatóide juvenil, a esclerodermia, a dermatomiosite, o lúpus eritematoso e os portadores de asma ou outras doenças alérgicas importantes.

Prós e contras

Um dos prós é que permite ir medindo o muito (ou o pouco) que se quer em cada sessão, uma qualidade especialmente favorável em zonas como os lábios, nas quais um excesso de volume pode não ir ao encontro do resultado desejado.

O contra é que, ao fim de três a seis meses, o colagénio é reabsorvido pelo organismo, pelo que os seus efeitos desaparecem. E está apenas reservado ao rosto. Aplica-se na cara, pescoço e decote. Para o resto do corpo seriam precisas quantidades tão grandes que o tratamento ficava demasiado caro.

A sua duração limitada também condiciona a sua utilização. A sua aplicação demora apenas entre 10 a 30 minutos. Os resultados são imediatos e os seus efeitos mantêm-se cerca de seis meses, dependendo, entre outros factores, da concentração de colagénio que o produto tem. A idade, a qualidade da pele e o estilo de vida também podem influenciar a duração.

Texto: Madalena Alçada Baptista

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