Os sintomas do Síndrome de Asperger são difíceis de ser detetados pelos pais

Muitos pais, ainda antes do período de gestação, começam a idealizar o desenvolvimento dos seus filhos, quer sejam determinadas características, físicas ou de personalidade, ou ao nível cognitivos, que lhes permitam na fase adulta destacarem-se ao nível profissional ou pessoal.

Quando isso não se verifica, ou pior ainda, quando o desenvolvimento de um dos seus filhos é inferior ao padrão normal, é como perder um filho e ter de se adaptar a uma nova realidade, situação que geralmente é difícil de aceitar.

É uma tarefa desafiante, mas os pais têm de saber lidar com essa adversidade. Têm que ser capazes de ajudar o seu filho, proporcionando-lhe ferramentas adequadas que o ajudem a ultrapassar as suas dificuldades, quer no presente, quer no futuro, enquanto adulto.

No caso do Síndrome de Asperger, a identificação da doença é subtil e como tal nem sempre é fácil aos pais aperceberem-se que algo de anormal se passa com o seu filho. É um tipo de doença que se encontra atualmente classificada pela Associação Americana de Psiquiatria (no DSM-5) como uma Perturbação do Espetro do Autismo. Como tal, é uma perturbação do desenvolvimento que se manifesta através do comprometimento no desenvolvimento da criança em três grandes domínios: nível social (interação social), comportamental e comunicacional. Esta perturbação tem um início precoce na infância, mas geralmente apenas é identificada mais tarde, quando as exigências sociais pressionam os limites das suas capacidades de interação.

Normalmente este comprometimento no desenvolvimento da criança não é percebido pelos pais, ou não é entendido como sendo algo de anormal, pelo que eles tentam explicar certas características e modos de atuar do seu filho, em muitos casos, atribuindo a si mesmos essa responsabilidade. É um período em que predomina a incompreensão, sentimentos de insucesso parental, culpa e frustração. Muitas vezes, esta situação, leva a que se considerem maus pais, por não conseguirem compreender ou ajudar o seu filho, de modo que ele ultrapasse as dificuldades com que se depara diariamente.

É fundamental a ajuda de técnicos especializados: pedopsiquiatras e psicólogos

Muitas vezes, os primeiros sinais são notados quando os pais detetam dificuldades ao nível do relacionamento com os outros. Antes disso, apenas eram considerados como tímidos, reservados e com algumas brincadeiras peculiares, mas sem que existissem sinais evidentes da doença.

Aqui o diagnóstico torna-se como que um ponto de viragem, gerando sentimentos ambivalentes. Por um lado, invocam-se sentimentos de angústia e tristeza, ao encarar-se a diferença e limitações do filho, abraçando as suas reais capacidades. Mas, surgem igualmente nesta fase, em sentido contrário, um reforço da autoestima e autoaceitação, sobretudo em relação ao desempenho enquanto pais, pois percebem que as dificuldades não se devem ao seu desempenho, e mais importante, têm que redobrar as suas energias na ajuda ao seu filho.

Também é nesta fase que os pais encaram o recurso a ajuda especializada como algo fundamental, nomeadamente aos pedopsiquiatras e psicólogos, de modo que possam apoiar no desenvolvimento do filho com Síndrome de Asperger, assim, ganhando também toda a família qualidade de vida.

Qual a prevalência da perturbação Síndrome de Asperger?

De acordo com a Federação Portuguesa de Autismo, e apesar de pouco se saber quanto às possíveis causas do aparecimento do Síndrome de Asperger, atualmente sabemos que parece afetar mais os rapazes do que as raparigas, sendo a proporção de 4/5 para 1. Igualmente, sabe-se que a incidência tem vindo a aumentar nos últimos anos, mas continua-se a desconhecer as possíveis causas.

Balancear as diferenças

Para muitos pais nesta situação, educar um filho é um processo de resiliência e equilíbrio entre a aceitação das limitações do seu filho e a aprendizagem de estratégias que permitam ultrapassar essas mesmas limitações. No início, esse equilíbrio dificilmente é alcançado, uma vez que têm outras funções e papéis dentro da própria família, sobretudo quando têm outros filhos, não podendo, por isso, dedicarem-se apenas a um elemento da família.

Por isso, é necessário que os pais recorram a algum tipo de ajuda externa, para que alcancem uma gestão familiar mais equilibrada, de modo a proporcionarem autonomia e qualidade de vida a todos os elementos do agregado familiar, em particular ao filho com Síndrome de Asperger. Porque importa salientar que, com o devido acompanhamento e apoio familiar, esta criança, poderá ter um percurso académico perfeitamente normal e ser até um adulto de sucesso.

Como ajudar a criança com Síndrome de Asperger?

De modo a proporcionar o melhor ambiente de desenvolvimento possível à criança com Síndrome de Asperger, há que ter em conta que, embora cada caso seja um caso, o essencial é que se observe e respeite os ritmos individuais de aprendizagem da criança, estimulando quer a sua interação social positiva com outras crianças, quer como com a sua própria família.

Como já referido, é fundamental recorrer à ajuda especializada, em particular pedopsiquiatras e psicólogos, os quais poderão ajudar e apoiar, não só a criança com Síndrome de Asperger, de modo que possa tornar-se num adulto com uma vida normal, mas também podem apoiar a família, ganhando com isso, todos, mais qualidade de vida.

Margarida Rogeiro / Psicóloga e Psicoterapeuta

© PsicoAjuda – Psicoterapia certa para si, Leiria

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