Há uma altura em que as crianças são mais “ariscas”, “teimosas” e choram perante pequenas contrariedades: A famosa fase das birras!

Embora desagradáveis, fazem parte do desenvolvimento da criança, da sua identidade e autonomia. Utilizam-nas para se afirmar, quando não têm ainda desenvolvidas as competências linguísticas e de autocontrolo. Isto não significa que os pais devam ser permissivos com estes comportamentos, mas devem olhá-los como mais uma etapa de crescimento da criança.

 

Naturalmente existem fatores que influenciam a frequência, a intensidade, a duração e continuidade das birras, como as características da criança (temperamento, fase de desenvolvimento), dos pais (personalidade, bem-estar emocional, estilos educativos) e do contexto (relação de casal, stresse familiar, redes de suporte, nível socioeconómico, cultura).

 

Há formas de ultrapassar com maior tranquilidade esta etapa, promovendo na criança uma maior capacidade de autorregulação que no futuro lhe será benéfica.

 

Não acredito em receitas generalistas mas em princípios base:

 

- Quanto melhor conhecer a criança e a sua fase de desenvolvimento, maior é a capacidade para manter a calma, o controlo e antecipar situações difíceis.

 

- As crianças agem em função do retorno que têm. Ao “dar atenção” às birras e corresponder à expectativa da criança, dá-lhes significado e “utilidade”.

 

- Se as crianças fazem birras por “ausência” de competências, deve-se ensiná-las; mostrar como devem fazer, tendo reações diferenciadas perante as suas ações.

 

- Assumir que a “palmada” pode resolver no momento, mas não ensina nem dá alternativa de como fazer numa próxima vez.

 

- Colocar-se no lugar da criança de forma a compreender o porquê dessa reação e a poder agir da forma mais adequada. Quando as birras são de tal forma perturbadoras e os pais sentem que já fizeram tudo para as gerir, pode ser altura de procurar ajuda especializada.

 

Quanto mais fragilizados os pais estiverem, menos eficazes e consistentes vão ser na gestão dos comportamentos da criança, aumentando a tendência para que estas atitudes persistam no tempo e se tornem mais disruptivas e prejudiciais.

 

Mónica Serpa Pimentel Técnica Superior de Educação Especial e Reabilitação

 

monica.pimentel@pin.com.pt

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