Sempre que nasce um bebé procuram um pediatra de referência, que possa dar tranquilidade e acompanhar todo o desenvolvimento do bebé. No entanto, é raro que os pais procurem um Psicólogo que os possa acompanhar nessa jornada, deixando assim uma parte muito importante do desenvolvimento das crianças sem um apoio estruturado e robusto.

Um Psicólogo é, em primeiro lugar, alguém capaz de ajudar toda uma família a pensar e a encontrar as estratégias mais adequadas para promover o desenvolvimento individual,  emocional e social saudável. Por isso, é essencial, que passemos a olhar para um Psicólogo como uma ferramenta que nos permite orientar e regular o desenvolvimento das crianças e o bem-estar da família, e não apenas como uma ferramenta à qual recorremos em situações limite e de rotura emocional da criança ou dos pais.

Não obstante, um Psicólogo é, na maioria das vezes, procurado nessas situações de rotura que levam uma família, por vezes, ao limite e ao sentimento de perda de controlo.  Aí o papel de um Psicólogo ganha uma dimensão transformadora numa família, deixa de ser apenas um papel orientador e promotor de comportamentos saudáveis e passa a ser também um papel terapêutico e reparador. Obrigando a uma avaliação global da forma como a família interage, como se coloca em relação com uma criança e quais as circunstâncias que estão a levar ao desgaste familiar e ao sintoma que, com frequência, se reflete numa criança, seja na forma de medo, de comportamentos desadequados de agitação, entre outros.

E, é quando um Psicólogo começa a exercer a sua função terapêutica, seja junto dos pais, seja junto da criança, que começa a tornar-se transformador de uma família. As transformações começam devagar, mas à semelhança de um conjunto de peças de dominó que vão caindo umas sobre as outras, vão contaminado todos os elementos da família e gerando cada vez mais bem-estar e saúde mental.

É também preciso termos consciência que as transformações começam de dentro para fora, ou seja, primeiro é preciso que uma família se coloque em posição de olhar para dentro, de reconsiderar, para depois, se tornar cada vez mais capaz de olhar para fora.

Outra questão muito importante é que, não é estranho que quando um Psicólogo começa a exercer o seu papel terapêutico junto de uma família, num primeiro momento, possam sentir que tudo parece estar mais desarrumado, porque essa é essência da transformação, primeiro é preciso colocar cá para fora e colocar as feridas a nu, para que depois, de forma clara se comecem a unir os pontos e a organizar tudo aquilo que até aqui estava encoberto e escondido.

Assim, de passo em passo, um Psicólogo, assume um papel transformador numa família, isto é, ao mesmo tempo que cria um espaço de ‘discórdia’, e abre caminho para que se coloque cá para fora tudo aquilo que nos condiciona, estabelece uma ligação que facilita a cicatrizarão das feridas, a tomada de consciência e acima de tudo, facilita uma certa compreensão que permite quer à família quer à criança encontrarem um lugar de encontro consigo e com tudo aquilo que, de alguma a forma, os mágoa e, a partir daí, dar um significado, crescer e transformar-se.

Na sequência de tudo isto, é urgente que à semelhança do que acontece com os pediatras, os psicólogos passem a ser aliados dos pais com vista a crianças e famílias cada vez mais organizadas e estáveis emocionalmente.

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