Por muito bom relacionamento que um casal tenha, existem sempre focos de discordância, nomeadamente no que se refere à educação dos filhos.

Seja porque um dos progenitores é mais liberal, mais autoritário ou até mais forreta do que o outro, a verdade é que há alturas em que é preciso enfrentar o problema e aprender a fazer concessões.

O psicólogo Vítor Rodrigues diz-lhe o que (não) deve fazer para ultrapassar quatro das divergências mais comuns.

Quando o pai diz uma coisa e a mãe diz outra

É importante que os pais estejam de acordo sobre a educa­ção. E, quando tal não acontece, não devem contradizer a ordem dada, nem discuti-la à frente da criança.

O desacor­do deve resolver-se entre adultos que, juntos, tentarão fazer melhor na próxima vez. Isto porque, para além de exigên­cias contraditórias baralharem a criança, o facto de um dos pais «perder ou ser desvalorizado perante o outro, tende a transmitir que esse género (feminino, no caso mais frequen­te) pode e deve ser desvalorizado», adverte o psicólogo.

Quando existem diferenças religiosas

Como o inte­resse da criança é o mais importante, deve-se informá-la sobre as diferentes religiões e deixar que a decisão seja tomada por ela, diz o psicólogo. «Para escolher algo tão importante como a orientação espiritual, é bom esperar até à ado­lescência, ao momento em que tenha meios de fazer as suas próprias avaliações e de se orientar. As aptidões cognitivas mais diferenciadas, bem como os valores e as orientações de vida preci­sam de tempo para amadurecerem».

É preciso abertura de espírito para reconhecer ao outro o direito a ter uma perspetiva religio­sa, a viver da sua maneira a espiritualidade ou até a não ter vivência espiritual.

Quando o marido passa muito pouco tempo em casa

Embora atualmente sejam autónomas a nível profissio­nal, as mulheres continuam a assumir a tarefa de cuidar das crianças, o que implica uma sobrecarga e um acréscimo de stress.

Quando o marido está frequentemente ausente, é natural que se sintam desapoiadas.

Na opinião de Vítor Rodrigues, a excessiva valorização do trabalho «precisa de ser contrabalançada pela educação emocional, a habilida­de de estar junto, de partilhar tarefas e momentos de
inti­midade».

Quando o casal não se entende sobre a gestão do dinheiro

Mais do que um sinal de preocupações econó­micas, a questão do dinheiro esconde outra, vital para a relação a dois, os valores de cada um. Geralmente, as pessoas desentendem-se sobre o uso do dinheiro porque discordam do valor relativo das coisas e do grau de importância dos pró­prios interesses, em  detrimento dos interesses do parceiro.

Para Vítor Rodrigues, a solução passa por «identificar o que é importante para ambos, estabelecendo em que devem investir o dinheiro comum, bem como até que ponto ele existe». No caso das crianças, caberá aos pais avaliar o que é mesmo necessário e o que é supérfluo, procurando alertar os filhos para os exageros da sociedade do consumo em que vivemos hoje.

Texto: Maria Silva com Vítor Rodrigues (psicólogo)

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