Histórias como a de Mozart, por exemplo, que aos 3 anos já tocava piano e aos 5 já compunha, podem levar a que muitas pessoas o vejam de forma diferente e que considerem que o talento nasce e permanece no indivíduo. Na verdade, até se pode nascer com uma habilidade, mas para que esta venha a ser algo que realmente se destaque, dependerá da sua correta administração por parte da família ou do meio que circunda a criança.

O que a maioria das pessoas não saberá, porém, é que o pai de Mozart era um músico e professor bem-sucedido e foi através dele, dos seus ensinamentos e da dedicação que Wolfgang Amadeus Mozart se tornou num dos mais brilhantes e extraordinários compositores da história da música clássica.

Costuma-se dizer que o sucesso não é mérito da inteligência, mas do esforço. Crianças que são elogiadas pelo seu talento natural, podem desenvolver uma falsa ideia de que o esforço para aprender algo é menos importante do que a sua suposta inteligência. Mozart tinha ambas.  A verdade é que para conseguir desenvolver o seu incrível talento, Mozart teve à sua disposição um conjunto de condições que, sem dúvida, foram essenciais para evoluir e chegar ao patamar onde chegou: o início precoce; o ensino especializado; a prática diária e reiterada; os objetivos bem delineados. A inteligência do compositor, por si só, não seria suficiente. Sozinho, apenas com a sua notável inteligência, dificilmente seria capaz de potenciar a sua genialidade para a música.

Ou seja, as sementes do talento são plantadas muito cedo e em casa. Pais e educadores têm, portanto, um papel decisivo. Quanto maior for a dedicação e o afeto prestados à criança, maior facilidade ela terá em descobrir e desenvolver os seus talentos naturais. O processo é longo e exige foco e paciência. Quanto mais cedo esses talentos forem identificados, mais facilidade a criança terá em desenvolvê-los.

Mas todos nós temos as nossas fragilidades. É natural, e diríamos mesmo, saudável que assim seja. Por exemplo, deverá uma criança estar obrigada a alcançar nota máxima a matemática e também a línguas? Não. E isso não deve ser encarado como um problema, ou uma limitação que desvaloriza a criança perante os seus pares. Não ser bom em tudo, não significa que a criança tenha menos potencial do que qualquer outra criança da mesma idade. Significa apenas que ela apresenta capacidades diferentes em áreas distintas. Respeite isso e nunca procure transformar uma fraqueza num talento.

Muitos pais incentivam e até fazem alguma pressão para que os filhos gostem das mesmas coisas que eles. É importante que respeite as diferenças que sempre existem - cada pessoa é um ser individual, com gostos e vontades próprias, as quais devem ser compreendidas, estimuladas e não criticadas. Por exemplo, se a criança for sociável, então estimule a prática de atividades de grupo. Se, porventura, a criança é mais introspectiva e foge habitualmente a dizer como foi o seu dia na escola, sugira uma brincadeira em que ela se possa expressar. Um teatro pode eventualmente ser uma boa ideia.

Experimente as seguintes dicas para desenvolver as habilidades da criança:

1- desafie a criança a libertar a sua imaginação - se, por exemplo, a criança tem talento para desenhar, tenha à sua disposição um papel e alguns lápis de cor ou outros materiais. Deixe-a desenvolver o seu potencial criativo;

2- oriente a criança a envolver-se em atividades relacionadas com o seu talento - por exemplo, se a criança tiver aptidão para jogar futebol, pode levá-la ao estádio para ver o jogo da equipa da sua preferência;

3- ajude a promover a sua autoestima - muitas vezes, a falta de confiança é o único obstáculo para potencializar o talento da criança, por isso transmita-lhe confiança e não deixe de reconhecer e felicitar o esforço desenvolvido para alcançar determinado objetivo;

4- evite fazer comparações - todas as crianças têm o seu ritmo próprio de aprendizagem e quando esse ritmo é inferior ao de outra pessoa não a critique. Se o fizer estará, em grande medida, a desmotivá-la para a aprendizagem;

5- tenha paciência - contribuir para o desenvolvimento do talento da criança não costuma ser uma tarefa fácil. É um processo de longo prazo que dependerá do ritmo e capacidade de assimilação de cada pessoa e, naturalmente, do grau de dedicação dos pais e educadores;

6- desfrute do gosto e do sentimento de sucesso que a criança revela em determinado talento - permita que o êxito da criança seja vivido de forma leve e agradável, evitando fazer disso algo que passa a ser um foco pesado e que, em vez de lhe trazer prazer, passe a ser alvo de expectativas pouco razoáveis e de uma elevada pressão.

Artigo publicado por SEI – Centro de Desenvolvimento e Aprendizagem.

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