A infância, a família e o trabalho foram os temas de destaque da entrevista de Ruben Rua ao programa ‘Conta-me’, da TVI. O apresentador esteve à conversa com a colega Maria Cerqueira Gomes, tendo recordado o início do seu problema de gaguez, que começou aos 12 anos.

Uma condição que “associa” ao momento em que mudou de escola e teve de se adaptar à nova realidade. “Até pode não estar relacionado, mas foi nessa fase que comecei”, recordou.

“Lembro-me que existiam momentos que eram difíceis. Ler em voz alta ainda hoje nem sempre é muito fácil”, confessou, explicando que hoje em dia tem “técnicas” e “outra capacidade” que lhe permite ter um “discurso mais fluído”.

“Mas às vezes era quase frustrante pensares que tens um discurso na cabeça e ser quase como o raciocínio ser mais rápido do que a oralidade. As palavras estavam todas na minha cabeça mas não saíam no tempo certo”, disse.

O período em que trabalhou como modelo foi também tema de conversa, com Ruben Rua a afirmar que “foi dos melhores” momentos da sua vida e que “a moda mudou-o e acrescentou-o”.

Uma profissão que “surgiu de forma inesperada”, mas que nunca o levou a “ganhar muito dinheiro”, apenas "o suficiente que lhe permitiu viver durante aquele tempo”.

E será o apresentador uma pessoa gastadora? “Não, e naquele tempo menos ainda. Se naquela altura ganhas mil, se calhar gastas 400 ou 600, se hoje ganhas mais também podes ir mais longe. Não acho que seja uma pessoa gastadora. Também não sou agarrado ao dinheiro. Sou vaidoso, gosto de gastar dinheiro comigo, mas para os meus e para as pessoas que gosto, e se percebo que às vezes elas podem não chegar lá, aí é para mim e toda a gente, e 'bora. O dinheiro vai e vem, nunca foi uma preocupação na minha vida e nenhuma obsessão. Tenho a certeza que quero mais, tenho essa ambição, mas também sei o que é ter menos e a minha felicidade nunca dependeu disso”, destacou.

Maria Cerqueira Gomes questionou ainda o colega e amigo sobre o “lado negro” do mundo da moda, sobretudo as drogas que muitas vezes são associadas a esta profissão.

“Nunca [foi aliciado com isso]. Acho que tenho moral para falar sobre este tema porque trabalhei em todos os sítios do mundo, fiz os melhores desfiles do mundo, fotografei para as melhores marcas e revistas do mundo… O que sinto é, há muita droga na moda, mas não é só na moda. Na televisão também há e em outros campos profissionais. Acho que é uma coisa que é transversal”, realçou.

“A primeira vez que vi alguém cheirar cocaína na minha vida foi na faculdade, não foi na moda. Aqui no Porto. Ela existe na moda, sim, mas acho que é possível teres uma carreira profissional bonita, bem conseguida sem teres que estar associado a isso ou até teres que fazer isso com os teus colegas e amigos para chegares a determinado sítio. Na minha experiência nunca o senti, nem nunca o fiz”, frisou.

No entanto, diz, já foi assediado. “O que possa ter existido nunca foi algo onde me sentisse desconfortável, sempre foi uma coisa muito natural. E depois cabe-te a ti também saberes gerir. Sempre me senti respeitado. Se perdi trabalhos não sei, acredito que possam existir coisas na minha vida onde, se calhar, por ter dito não, não cheguei mais longe, mas isso é uma não questão para mim”, acrescentou.

“Enquanto achar que estamos a trabalhar e que é tudo profissional, conta com a minha entrega total. No momento em que achar que já estamos a entrar num campo que não é profissional, e que da outra parte está a existir um abuso, que se estão a aproveitar de mim, ou do meu corpo, da minha imagem ou da minha inocência, então nesse momento paramos e eu vou à minha vida”, continuou.

Atualmente a trabalhar na televisão como apresentador, Ruben Rua tem recebido vários comentários menos bons, mas, garante, “não deixa que o julgamento dos outros mude aquilo que acha que é o rumo da sua felicidade”.

“A televisão foi algo que nunca tinha imaginado e que me apareceu do nada”, recordou, referindo que com as experiências que lhe foram dadas, percebeu que é algo prazeroso e que até pode, se calhar, "fazer bem”.

“Sempre sabendo que nada é definitivo, posso entrar e posso sair, não tenho que ficar em nada nenhum. Nada é definitivo. Olho para os meus 34 anos e as coisas já mudaram tanto. Estou aberto a essa mudança. Hoje a minha realidade é esta, hoje a minha realidade é esta, as regras do jogo sabemos quais são, como em tudo e em qualquer profissão obviamente que há um lado bom e um menos bom. Se calhar essa exposição que tantas coisas boas nos dá, tantas coisa leva e tantas coisas às vezes não nos permite fazer e isso faz parte”, realçou ainda.

Em conversa com Maria Cerqueira Gomes, Ruben Rua confessou também que teve apoio psicológico na altura em que mudou de escola e quando apareceu a gaguez. Hoje está a pensar procurar novamente ajuda de um profissional. “Sinto essa necessidade, acho que nesta fase da minha vida faz sentido ter alguém, meditar também. Vou procurar alguém, ou até mais do que uma pessoa, que me possa ajudar a encontrar respostas e que me possa equilibrar, do que apenas eu numa luta interna que todos nós temos”, partilhou.

Sobre os comentários “duros” que tem recebido, destacou: “Já foram muito duros, depois houve uma fase em que ficaram um bocadinho menos agressivos, acho que voltaram a ficar duros novamente, e isso faz parte. Sabemos quais são as condições. Ter uma vida pública exige isso, ter uma profissão como a que temos pressupõe isso, nós precisamos das audiências, que o público goste de nós e que goste de nos ver, naturalmente. Estamos sob esse escrutínio público em que as pessoas dizem gosto ou não gosto. Agora, o que sinto é que é uma crítica que não é honesta, que é enraizada, parcial, em que as motivações que estão atrás dela não são apenas o meu trabalho enquanto apresentador”.

Ruben Rua acredita que tais comentários “têm a ver com guerras que existem”, especialmente por causa do regresso de Cristina Ferreira à TVI.

“Acabo por ser um alvo fácil porque estou muito associado a ela para o bem e para o mal”, disse, frisando a amizade que tem com a atual diretora de entretenimento e ficção da TVI, relação que se manteve quando esta se mudou para a SIC.

“E continuamos a ser muito amigos, na TVI, sendo minha diretora ou não, é alguém que serei para sempre grato, leal e alguém de quem gosto muito e publicamente direi sempre isto”, afirmou.

Rubem Rua, diz, é um “homem livre e solteiro”. “Até hoje arrisco dizer que nunca tratei nenhuma mulher mal, ninguém que tenha tido uma relação comigo possa dizer que a traí ou que a enganei. Sempre fui uma pessoa sincera. Agora, a partir do momento em que sou uma pessoa solteira, que vive em liberdade, estou com quem quero estar e da forma que quero estar”, disse durante a entrevista.

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