Nuno Matos Cabral terminou em Março de 2010 um Master em Design de Interiores, no Politécnico de Milão. Profissionalmente, conta com mais de 10 anos de experiência na concretização de projetos de decoração e design de interiores, em Lisboa e Milão. Em Milão, participou num projeto, em colaboração com o estúdio italiano DeepDesign, criando os interiores para uma exposição na Trienalle – Museu do Design.  Em Lisboa, realizou o projeto de interiores para o Cinema São Jorge, no âmbito da Festa do Cinema Francês, em Outubro de 2011 e colaborou em 2012 no Grupo Missão da APPACDM, na celebração dos 50 anos da instituição.

Em 2012, para além dos seus trabalhos como designer, foi Diretor Executivo da semana do design de Lisboa, Lisboa Urban Design - LUD. Em Outubro, estive presente na Casa Ideal, com o projeco Natureza Urbana e realizou uma conferência na LXD intitulada, "Por uma MÃO diferente". Em 2013 surgiu um novo desafio, desmistificar todas as regras sobre decoração e dar ideias para transformar as nossas casas, tudo isto através do blogue, Primeira Casa da Rua. É presença assídua em diversos programas de televisão, jornais e revistas com dicas de decoração sempre com o lema "Nada se desperdiça, tudo se transforma!"

Nuno, fala-nos dos seu avós paternos e maternos.

Nuno Matos Cabral: Todos os avós eram naturais de Setúbal e viviam em Setúbal. Quanto à profissão, quando nasci já nenhum deles trabalhava, não tenho qualquer memória relativamente ao tema, no entanto penso que a maioria tinha ligações com actividades piscatórias.

Que importância tiverem ou ainda têm os teus avós na sua vida?

Nuno Matos Cabral: Os avós são sempre importantes na vida de qualquer um de nós, mais que não seja, pela experiência e vivências que têm e que de alguma forma nos transmitem.  No entanto, tive uma ligação maior com a avó da parte da mãe, avó Sara. Visto, que o meu avô Manuel faleceu quando eu tinha 4 anos, portanto a avó estava muito presente e foi importante, sem qualquer dúvida, na pessoa que sou hoje. Era uma pessoa muito recta, respeitadora do próximo, mas também sabia ser afectuosa quando era necessário. Tínhamos uma cumplicidade muito forte. A avó Sara foi sempre importante no decurso de toda a minha vida. Portanto tenho inúmeras lembranças desde sempre.

Que características sentes ter herdado dos seus avós?

Nuno Matos Cabral:  Acho que o ter uma personalidade forte, ser objetivo nas minhas análises, o ser pragmático herdei da avó Sara, mas também do avô Francisco, pai do pai. São características que normalmente as outras pessoas nomeadamente os pais atribuem à avó Sara e ao avô Francisco.

Quais as memórias mais antigas que tens com os seus avós?

Nuno Matos Cabral:  As memórias mais antigas são muito práticas, mas também educacionais. Lembro-me de estar sentado à mesa a almoçar ou  a jantar e tentarem corrigir a forma como me sentava ou como agarrava nos talheres ou para mastigar de boca fechada, sei que não são memórias muito romanceadas, mas efetivamente são as memórias que me saltam à primeira vista.

Os teus avós ajudaram te a ser o que és hoje?

Nuno Matos Cabral:  Definitivamente. Em especial, a perceber os meus defeitos e qualidades e a perceber que temos que nos respeitar a nós próprios, em primeiro lugar, para que depois os outros nos respeitem.

Fala-nos da tua infância. Onde vivias? Que sonhos tinhas?

Nuno Matos Cabral:  A minha infância foi passada em Setúbal, foi uma infância tranquila e feliz com dois pais e uma irmã que me amavam e amam muito, e que aproveito também para dizer que os amo muito. Acho que desde sempre o sonho era dar asas à imaginação, preciso disso quase de como respirar, serve como catarse para tirar tristezas ou stress latente, não sabia muito bem como, mas criar tinha que fazer parte da minha história de vida.

Quando decidiste seguir o curso de advocacia? Era uma carreira com a qual sonhavas?

Nuno Matos Cabral:  Sou um curioso por natureza, por isso achei que era um curso que me ia dar uma bagagem intelectual bastante extensa, o que não foi de todo descurado, adorei o curso. Podia ter ingressado logo num curso com uma base mais criativa mas na altura pareceu-me ser a oportunidade mais acertada. Foi uma experiência da qual não me arrependo e que também me enriqueceu bastante como ser humano.

Fala-nos da transformação do advogado em decorador.

Nuno Matos Cabral: Voltamos aos sonhos da infância, a criatividade estava definitivamente latente na minha personalidade e contra isso não havia nada a fazer. Trabalhei na área do direito durante um ano, entretanto surgiu a oportunidade de começar a gerir obras de interiores de alguns apartamentos adquiridos por familiares em Lisboa, e aí, nem sequer pestanejei agarrei a oportunidade. Já na minha infância ou até mais na adolescência adorava imaginar como transformar a casa de amigos dos pais ou até mesmo dos meus próprios amigos. Por isso o bichinho da decoração já lá estava. Depois, claro que a formação foi o passo seguinte, um curso de curta duração na ESAD, um workshop com o Bruno Viterbo (filho da decoradora Graça Viterbo) e o Master que fiz em Milão, em Design de Interiores, deram-me a bagagem que precisava para evoluir.

O que aprendeste com os teus avós, influenciou-te de algum modo nessa mudança?

Nuno Matos Cabral:  Precisamente, tiveram uma grande influência nessa minha mudança, por aquilo que já referi. Nós temos que ser nós próprios e esse principio de vida que me transmitiram foi o motor de arranque desta minha mudança, posso dizer que foi muito importante.

Nos teus trabalhos apresentas sempre imensas ideias relacionadas com o passado, mas que depois de reaproveitadas fazem todo o sentido serem usadas hoje em dia. Esse revisitar do passado tem de alguma forma influencia dos teus avós?

Nuno Matos Cabral:  Completamente, a decoração de casa dos meus avós também, de alguma forma, acabou por me influenciar na minha abordagem relativamente aos meus projetos e consequentemente na Primeira Casa da Rua. Adoro trazer para o presente coisas do passado, dá-me um especial gozo fazê-lo.

Os teus avós sentem orgulho no sucesso em que te tornaste?

Nuno Matos Cabral:   Infelizmente acompanharam só o inicio, mas tenho a certeza  que tiveram orgulho no caminho que comecei a construir, quem não gosta de ver os que mais amam terem sucesso? Como acredito, que neste momento estão noutro sítio e que me continuam a acompanhar, tenho a certeza que estão satisfeitos com o meu percurso.

Quais têm sido os teus maiores desafios profissionais?

Nuno Matos Cabral:  Acho que todos os dias são um desafio, todos os dias procuramos ser melhores que no dia anterior. Os maiores desafios que já tive, foi o início da minha carreira, a experiência profissional que tive ao colaborar na criação dos interiores de uma exposição na Triennale di Milano ou Museu do Design, a criação do blogue onde todos os dias comunico para centenas de pessoas, o que me deixa com uma responsabilidade acrescida e agora a minha experiência em televisão que tem sido um desafio muito enriquecedor, que estou a adorar, visto que comunicar também é umas das coisas que mais gosto de fazer.

Onde encontras inspiração para os teus trabalhos?

Nuno Matos Cabral:  Não há uma regra depende da situação. Por vezes, simplesmente andar na rua e encontrar  algum detalhe nos edifícios ou nas pessoas que me chama a atenção é o bastante para ser o mote para um novo projeto. Viajar e conhecer novas culturas, com abordagens diferentes também é uma das formas que alimenta o meu lado criativo. Às vezes até mesmo a dormir, acordo com uma ideia que tenho que passar logo para o Moleskine. (risos)

O que distingue o teu trabalho?

Nuno Matos Cabral:  O meu trabalho neste momento distingue-se pela utilização de materiais inesperados em objetos inesperados. Criar um sentimento de espanto nas pessoas como por exemplo a árvore de natal que criei para a revista Activa. Onde os materiais utilizados foram pregos, bolas de esferovite e correntes, aparentemente, parecem materiais pesados e que não têm nada a ver, mas o resultado final foi conseguido, criei um efeito surpresa nas pessoas. Isso deixa-me muito orgulhoso e com o sentimento de desafio superado.

Que projetos gostarias de vir a fazer?

Nuno Matos Cabral:  Ainda há muita coisa para fazer, como diz o antigo provérbio, parar é morrer, por isso, há sempre coisas novas que quero fazer. Alguns desses projectos já estão em andamento, mas ainda não posso falar sobre eles, no entanto, posso adiantar-vos que vou concretizar alguns dos meus sonhos. E já sabem, para saberem mais novidades basta estarem atentos à Primeira Casa da Rua.

Que sonhos gostarias de realizar? Qual o teu "projeto de vida"?

Nuno Matos Cabral:   Acho que tenho inúmeros sonhos, mas o maior sonho, se não, o mais importante, que também é o meu projeto de vida, é ser feliz!

Tens um blogue de sucesso "A Primeira Casa de Rua", foi um sonho tornado realidade? Para quem não conhece o blogue, fala-nos um pouco dele.

Nuno Matos Cabral:  Sim, sem sombra de dúvida o Primeira Casa da Rua foi um sonho tornado realidade, antes de pensar no blogue que começou a ser "cozinhado" em 2012 pensei num livro, o importante para mim era poder partilhar com o maior número de pessoas aquilo que tenho aprendido ao longo dos anos, para que todos pudéssemos ter uma casa onde nos sentíssemos confortáveis, afinal de contas, a nossa casa é um dos locais mais importantes para todos nós.  Depois de falar com alguns amigos percebi que a era digital estava para ficar e era a forma mais rápida de comunicar. Assim surgiu em Fevereiro de 2013 o www.primeiracasadarua.com.

O Primeira Casa da Rua é um blogue que procura utilizar a reciclagem, reutilização e recuperação na decoração das nossas casas, aliando os três "erres", procuramos dar ideias para que os leitores possam fazer com as suas próprias mãos, ideias simples, rápidas e fáceis de executar. Mas para além disso, também pretendo desmistificar algumas regras de decoração, como por exemplo a distância que deve estar um candeeiro da mesa da sala de jantar ou como colocar vários quadros na mesma parede. É um blogue para quem quer mudar alguma coisa lá em casa, para quem é fã de decoração ou design e para os curiosos, em suma é um blogue para todos!

Os Retratos Contados apresentam-se como um projeto único e diferenciador, uma vez que nos focamos numa área diferente do habitual.O nosso objetivo principal, é o de falar das ligações entre avós e netos. A importância dos papel dos avós na vida dos netos e vice versa.  O que achas deste projeto?

Nuno Matos Cabral: Acho de extrema importância. Nos países asiáticos o respeito com que se tratam as pessoas com mais idade é um exemplo a seguir por todos, mais que não seja pela experiência e vivência de cada umas dessas pessoas. Todos nós temos sempre a aprender com os mais velhos. Devemos retribuir o amor e carinho que os nosso avós nos dão incondicionalmente, tal como os pais, por isso mesmo acho que é um projecto que pode sensibilizar os seus seguidores para a importância do respeito e amor que devemos ter para com as pessoas de mais idade. Por isso mesmo, parabéns!

Através da nossa página queremos ainda falar de envelhecimento ativo, do abandono dos idosos, dar a conhecer actividades para serem feitas pelos mais velhos, ou para os mais netos fazerem com os netos ... Quando olhas para o nosso país, como vês a população mais velha?

Nuno Matos Cabral: Sou uma pessoa por natureza muito positiva, por isso procuro sempre ver o lado bom das situações, no entanto, neste caso o presente não é animador pelas mais variadas razões, porque há netos que não querem saber dos avós ou porque as distâncias ou a emigração leva os mais novos a abandonarem o país e a deixarem os mesmos para trás. Acredito que o futuro vai ser mais risonho e acredito que os Retratos Contados vão contribuir para que a situação se altere e que estejamos mais atentos às pessoas com mais idade.

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