Nascida na Jamaica em 1948, ainda que se recuse a assumi-lo, Grace Jones fez sucesso como manequim, cantora, compositora e atriz nas décadas de 1970 e 1980, desafiando todas as convenções dessa época. O seu estilo andrógeno seduziu estilistas como Yves Saint Laurent, Kenzo e Azzedine Alaïa, fotógrafos como Jean-Paul Goude, Helmut Newton e Hans Feurer e diretores de revistas como a Elle, a Vogue e até a Playboy.

Musa de Andy Warhol, o artista plástico americano que impulsionou o movimento pop art, conheceu-o na famosa discoteca Studio 54, em Nova Iorque, nos EUA, para onde se mudou com os pais quando tinha 13 anos. Foi educada por um pai religioso, que se tentou suicidar num ato de desespero e que viveu uma "experiência espiritual", como a descreveria. Uma revelação divina que o levaria a tornar-se ministro pentecostal.

O hipocondríaco excêntrico que impulsionou o movimento pop art. Se fosse vivo, Andy Warhol faria 90 anos
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Antes de ir ter com os pais aos EUA, Grace Beverly Jones ficou aos cuidados do segundo marido da avó materna, Mas P, como lhe chamava, um homem que detestava e que lhe fazia a vida negra, tal como muitos dos colegas da escola religiosa que frequentava.

Vítima de intimidação, foi absorvendo uma raiva interna que se converteu em rebelião contra os pais anos depois de se mudar para Syracuse, em Nova Iorque. Além de se maquilhar de forma ostensiva, passou a consumir álcool com regularidade e a frequentar discotecas de homossexuais, com um dos irmãos.

Ainda não tinha feito 18 anos quando uma professora, convencida do seu talento, lhe sugeriu que fosse fazer um curso de teatro em Filadélfia. Apaixonou-se pelo ambiente hippie da cidade e decidiu ficar lá a viver. Para se sustentar, trabalhou como go-go dancer em bares e discotecas, onde começou a consumir droga. "O LSD foi uma parte muito grande do meu crescimento emocional", admitiria mais tarde Grace Jones.

Pouco depois de fazer 18 anos, regressa a Nova Iorque, assina um contrato com a agência de modelos Wilhelmina Models e, pouco depois, parte para Paris, em França, onde o seu estilo andrógeno e irreverente faz furor, como pode (re)ver na galeria de imagens que se segue. Na altura, divide um apartamento com a manequim e ex-mulher de Mick Jagger, vocalista dos The Rolling Stones, Jerry Hall e com Jessica Lange, atriz.

Em 1977, prestes a fazer 30 anos, começa a direcionar-se mais para a música ao lançar aquele que viria a ser o seu primeiro disco, "Portfolio". A partir daí, os êxitos sucedem-se e nunca mais abandona a carreira de cantora, ainda que ameace fazê-lo por diversas vezes. Em 2010, grava "Hurricane", o último dos 10 álbuns de originais que editou desde então. O disco que vem promover a Portugal, no próximo dia 12 de julho, em Oeiras.

Grace Jones é uma das artistas que integram o cartaz do festival NOS Alive, que regressa ao Passeio Marítimo de Algés entre os dias 11 e 13 de julho, naquela que será o regressos aos palcos nacionais da diva extravagante e camaleónica que se recusa a divulgar o ano em que nasceu. "Na imprensa e na internet, costumam dar-me mais quatro anos, mas eu não me preocupo. Adoro manter o mistério", justifica a cantora.

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