Cristina Ferreira vai estrear-se na SIC já esta segunda-feira, dia 7 de janeiro. ‘O Programa da Cristina’ é o novo formato da estação de Carnaxide, que está ao comando da nova cara do canal.

Pouco antes de começar o novo desafio profissional, a apresentadora esteve à conversa com Daniel Oliveira, no ‘Alta Definição’, onde começou por falar do grande dia que está à porta. “Sei as expetativas que as pessoas têm, que são muito elevadas, mas também sei aquilo que tenho construído e aquilo que temos para apresentar. Por isso, há alguma serenidade neste momento”, assegurou.

“Preparei-me para tudo isto. Sabia o impacto que teria esta mudança, sabia o que as pessoas iam dizer. Talvez não me tenha preparado paro o turbilhão em que fui envolvida nos últimos meses porque, de facto, muito se falou, de tudo, muitas das coisas não correspondem à realidade e tive que aprender a abstrair-me disso tudo porque o meu foco tinha que ser outro”, explicou, confessando que “doeram algumas coisas, pelo caminho ficaram também algumas pessoas e alguns momentos que vai guardar como aprendizagem”.

“Mas sinto que a partir do momento em que me centrei e me foquei, nada já entrava dentro de mim porque só queria uma coisa: estrear ‘O Programa da Cristina’”, frisou.

Cristina refere que houve muitas pessoas que não perceberam esta mudança, mas a própria sentiu desde o primeiro dia que “queria isto e que fazia sentido”.

Muito se escreveu quando Cristina aceitou o desafio da SIC no verão passado

Durante a conversa com Daniel Oliveira, a apresentadora falou dos que viram a sua escolha como uma “traição”. Algo que “nunca seria”.

“E a traição tem a ver com o facto de eu ter feito um programa ao lado de uma pessoa que se habituaram a ver, ao lado do 'Manel', e que nós crescemos juntos e que nós, de facto, marcamos muito a televisão enquanto dupla. Mas fui sempre avisando que temos 20 anos de diferença, estamos em fases diferentes da nossa vida profissional e os dois sabíamos que isto ia acontecer. Talvez não o imaginássemos assim, talvez o 'Manel' achasse que era ele que saía e eu continuaria ali, mas foi assim que aconteceu e todos nós procuramos o melhor para a nossa vida”, relatou.

Para Cristina, a fórmula certa para lidar com toda a pressão é “a verdade”. “Não vale a pena inventar. Se tu fores tu e se disseres concretamente e de verdade o porquê, as pessoas percebem”, acrescentou, admitindo de seguida que “é muito difícil ser-se a Cristina Ferreira”.

“Não foi muito difícil no início, porque ainda tinha alguma liberdade de ação e de vida para além da televisão. Hoje em dia é [difícil]. Sinto que há implicações, não só na minha vida, mas na vida de todos aqueles que vivem comigo: o meu filho, os meus pais … E pelo facto de hoje em dia eu não poder errar porque as pessoas estão à espera que isso aconteça”, continuou, referindo também que sabe que “há muitos outros que a tomam como um exemplo”.

“Isso acrescenta uma responsabilidade que faz com que tu penses em tudo aquilo que fazes. Hoje em dia se escrever uma linha no meu blogue sei que essa linha vai ser utilizada para fazer uma notícia e que essa notícia não vai nunca corresponder àquilo que quis dizer com aquela frase. É estares-te a balizar constantemente. É sentires-te apenas confiante dentro de casa. Só consigo ser Cristina dentro de casa hoje em dia, e isso é difícil de lidar”, confessou.

Ser mãe longe da fama

Por vezes, Cristina ‘foge’ do olhar do público e viaja para fora de Portugal com o filho, Tiago, para, revela, “poder ser mãe dele só”.

“Ele entrou no 5.º ano, fez a passagem de escola. Calhou nesta fase de mudança e eu tive a possibilidade de o ir levar todos os dias à escola nestes tempos. E no dia que eu o vi entrar sozinho quando tinha 40 miúdos ao portão a gritar por mim e ele sozinho a entrar naquele portão… custou-me. Porque ele não pôde ser um miúdo normal naquele dia”, recordou, assegurando que o pequeno Tiago “habituou-se” a ser filho de uma figura pública e que “lidou muito bem com isso”.

“A fase da adolescência que se aproxima não tarda nada, não sei como é que vai acontecer, mas acho que ele é forte o suficiente para poder ultrapassar isso”, salientou.

A infância de Cristina Ferreira e a relação com os pais

Durante a entrevista, a apresentadora recordou ainda os tempos de criança, lembrando que brincava aos telejornais.

“A minha mãe tinha uma mesa na sala e eu punha uma flor, aquele era o meu estúdio. Ela comprou-me uma câmara e eu fingia que apresentava o telejornal. Estudava em frente ao espelho a fingir que estava a dar notícias”, partilhou.

Natural de Malveira, a figura pública falou ainda dos tempos em que vinha a Lisboa, quando era criança: “Vínhamos em dias muito especiais e escolhíamos a melhor roupa porque vínhamos à cidade. Vínhamos de autocarro, passávamos um dia inteiro, era um dia de festa, e depois voltávamos. Quando voltávamos o meu mundo era aquele e eu não saía dali. Vivo num local onde existem dez casas e essas dez casas são todas da família. Eu cresci aí, em liberdade”.

Foi quando acabou o 9.º ano que decidiu continuar os estudos em Loures, ao contrário dos restantes colegas que foram para Mafra. “Era muito mais perto de Lisboa. Tive teatro na escola, que era uma coisa que não existia na nossa. Aí percebi que tinha feito uma escolha e que tinha passado a serra. Costumo dizer muitas vezes isto porque à frente da casa da minha mãe há uma serra, não há mais nada. E quando a passei, percebi o que estava lá”, lembrou.

Um lugar que se mantém no coração da nova estrela da SIC. “Continuo a preferir aquele lugar e a família sempre. Há alturas em que as pessoas me convidam para um aniversário, uma festa, e eu não deixo de estar com eles. Alguns deles já têm uma idade avançada e eu sinto que os tenho que aproveitar agora, até sempre, enquanto eles estiverem cá. O que eles me dão é muito mais do que qualquer festa. São eles o meu porto seguro, é a minha família que é a minha estrutura. Eles sabem como sou”, frisou, confessando que é uma “Cristina diferente no ar e fora do ar”.

“Sou muito calada na minha vida particular. Sou a que não faz perguntas, a que não dança, a que está sossegada num canto, que não precisa de maquilhagem nem de vestido, nem de saltos altos. Dou por mim a olhar para o espelho e a pensar: eu adoro esta cara lavada mas não posso ir para a rua de cara lavada porque alguém que tem uma imagem minha vai querer tirar uma fotografia. E eu já tenho que ter esses cuidados. Por isso é que eu digo que só me sinto Cristina em casa”, salientou.

Sobre o melhor presente que recebeu na infância, Cristina revela que “esperou toda a vida por uma bicicleta, que nunca chegou”. “Sou do tempo em que só se estreava roupa no Natal e na Páscoa. E em que íamos sempre à feira...”.

São muitos os gestos de carinho que a apresentadora tem dos pais, mas há um que é o maior de todos: “Se caísse, eu tinha o colo”.

Tem uma grande ligação com o pai, que é sempre a primeira pessoa a saber de tudo o que acontece. No entanto, o progenitor não esteve presente em vários momentos marcantes da sua vida como a primeira comunhão, queima das fitas, apresentação do curso de televisão. “O meu pai não foi a nada meu que tivesse impacto e eu só percebi anos mais tarde. Nunca o culpei por isso. Sabia que aquilo era uma coisa que ele não gostava de fazer. Ele só não gostava era de manifestar as emoções à frente dos outros. Ele sabia que estas conquistas da filha lhe iam fazer brilhar os olhos e ele não queria que ninguém visse".

O divórcio, a vida pessoal

Sobre tudo o que foi dito na imprensa, especialmente quando se separou de António Casinhas, com quem tem um filho em comum, o pequeno Tiago, a celebridade confessou que “não se vai perdoar nunca de ter trazido a público pessoas por uma escolha sua”. “Fui eu que escolhi fazer televisão, fui eu que escolhi ter uma vida pública e ter feito com que outras pessoas que estavam ao meu lado passassem a ter esse escrutínio público porque estavam ligados a mim… até hoje não me perdoou. E não tenho culpa nenhuma porque no fundo todos nós fazemos escolhas e aquilo que aconteceu não é culpa minha e a forma como a imprensa lidou com isso, mas há pessoas dessa mesma imprensa que eu nunca vou perdoar. Fizeram-me muito mal a mim e a quem estava comigo”, lembrou.

“Eu nunca mostrei a minha casa, nunca falei, nunca dei uma entrevista em conjunto. Não lhes abri a porta, e eles arrombaram-ma e isso eu não perdoou”, afirmou, confessando que “chorou” muitas vezes com o que via nas revistas cor de rosa, mas a dada altura superou.

Mesmo nos meus piores dias não fiz esforço nenhum para estar em televisão, mas apagava a luz e voltava tudo. Tive muitos dias sentadas num sofá, horas seguidas sem nada, a não pensar em nada até perceber que existia, que tinha que gostar de mim e que só gostando de mim é que podia amar os outros e aproveitar aquilo que a vida tinha para me oferecer. Quando descobri isso, aí ninguém mais me parou. Foi uma aprendizagem de dois, três anos”, contou.

A separação é sempre um processo doloroso e quando isso acontece diante dos olhares atentos do público, tudo se torna mais “difícil”. “É tu queres guardar coisas para ti e elas serem partilhadas aos outros”, explicou, referindo que o mesmo acontece quando uma figura pública tem a oportunidade de refazer a sua vida. “Podes ter um jantar com alguém, uma pessoa que estás a querer conhecer, e que te apanham nas fotografias e no dia a seguir está lá escrito: namorado da Cristina. E depois tu fazes o quê?”, argumentou.

“Talvez seja os períodos mais dramáticos das figuras públicas são estes, de sofrimento que tu tens que partilhar com toda a gente. As pessoas já pararam para pensar que quando se separam não querem que ninguém saiba? E que quando tu és figura pública o país inteiro sabe? Que olham para ti na rua e diz: esta separou-se agora… Tem que haver um certo respeito pela sofrimento dos outros como o respeito que às vezes temos que ter por alguém que tem uma doença. Há os que querem partilhar imediatamente porque se sentem bem com isso, ou há aqueles que não querem partilhar de todo. É mais fácil partilhar a alegria. A alegria deve ser vivida com todos. O sofrimento às vezes é só para nós”, continuou.

Sobre António Casinhas, Cristina salienta que “é das pessoas que mais amo na vida, para sempre". "É pai do meu filho, é família para sempre. E isso ninguém me vai tirar. Não tentem adivinhar. Aquilo que tiver que partilhar vou partilhar na hora certa. Mas como não o fiz antes, não me podem exigir que o faça depois. É meu, só meu, não é público”.

A menina que chegou sem nada e conquistou tudo e todos

Foi em 2002 que ingressou na TVI, onde participou em mais de 30 projetos. Ao fim de mais de uma década, mudou-se para a SIC, a sua nova casa.

No entanto, antes de tudo isto, na adolescência, trabalhou com a tia na feira, ajudou no restaurante da família, vendeu farinhas para o gado, numa loja. Nunca teve que trabalhar enquanto andava na escola, mas sempre tinha tempo livre ajudava os entes queridos. Todas estas experiências encheram-na de sabedoria.

No entanto, ao longo destes anos sentiu o estigma que existe em relação às pessoas que vivem no meio rural. “Ainda hoje, quando tentam colocar num título ‘a saloia’ é para ir buscar esse lado que eles acreditam que seja menos feliz, quando é aquilo que tenho a certeza que me torna melhor. Eu tenho o que pouca gente teve. E tenho um orgulho nestas raízes”, partilhou.

Não é fácil aceitar que uma miúda chegue do nada num meio onde supostamente se vive de amigos, cunhas e oportunidades criadas pelos mais próximos, de repente, eu que vinha de um local que possivelmente ninguém conhecia, chego, imponho-me e consigo crescer. E não tenho problemas em dizer de onde vim… Isso nem sempre é fácil, muito menos quando é uma mulher”, explicou, referindo orgulhosamente: “Há quem consiga chegar lá só com o trabalho”.

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