Durante a subida e descida de uma aeronave, ocorrem variações de pressão que se repercutem sobre as cavidades do ouvido médio e seios perinasais.

Nos ouvidos, existe um pequeno canal, que designamos por trompa de Eustáquio, que faz a ligação do nariz ao ouvido médio, cuja principal função é a de proteger esta cavidade dos diferenciais de pressão que possam estabelecer-se quando mudamos de altitude.

A razão do aparecimento das dores de ouvido durante os voos, e sobretudo na aterragem, está relacionada com uma disfunção da trompa de Eustáquio e, portanto, com a dificuldade na compensação do diferencial de pressão que se estabelece durante a descida (aterragem), levando ao barotrauma do ouvido médio, que se traduz por dor, ensurdecimento e, por vezes, rutura da membrana timpânica.

A maioria das situações que levam a esta disfunção estão relacionadas com patologia nasal e é por isso que aconselho a consultar um otorrinolaringologista para estudo do seu nariz e seios perinasais. Existem, no entanto, alguns conselhos devem ser seguidos, como sejam a utilização de descongestionantes nasais, em gotas ou comprimidos, pouco tempo antes de entrar a bordo.

Pode também recorrer à realização de manobras para a abertura forçada da trompa durante a aterragem. Entre elas,
inclui-se a manobra de Valsalva, que se consegue com o aumento da pressão orofaríngea, por encerramento da boca e nariz, forçando a expiração.

O bocejo, a mastigação depastilhas elásticas e a deglutição continuada são outra das soluções a que pode recorrer. Evite também tapar os ouvidos seja com o que for, pois existe sempre a possibilidade da ocorrência de uma complicação otológica.

Texto: Artur Vasques de Carvalho (otorrinolaringologista no British Hospital Lisbon XX)