Localizada em pleno centro do país, a escassos quilómetros de Coimbra, Condeixa-a-Nova é uma vila com encantos que não se esgotam no seu pitoresco centro histórico, onde não faltam palácios, palacetes e casas apalaçadas. Em 1502, quando o rei D. Manuel I ia a caminho de Santiago de Compostela, em Espanha, encantou-se com o local. Pouco depois, mandou construir a igreja matriz e, em 1514, concedeu um foral à localidade, que a partir daí se começou a desenvolver de uma forma mais estruturada.

Chegou a ser o sítio com mais casas nobres de todo o país. De lá para cá, muita coisa mudou. Nos últimos séculos, a proximidade da eterna cidade dos estudantes relegou Condeixa-a-Nova, antiga terra de tradições enraizadas e de povos destemidos, para um plano secundário no contexto sócio-económico da região. Mas a vila, rodeada por vales, veredas, montados, searas e serras, tem vindo a reinventar-se, apostando numa promoção turística que valoriza o melhor do passado sem nunca tirar os olhos do futuro.

Mas o que há para ver e para fazer em Condeixa-a-Nova e arredores? Sugerimos um roteiro de dois dias, repleto de dicas e sugestões para um fim de semana relaxante que pode ser verdadeiramente surpreendente. Veja a galeria de imagens do que oferece este destino turístico.

Ficou tentado? Então o melhor é fazer já uma reserva na Pousada de Condeixa Coimbra. Com 43 quartos com varanda, um vasto jardim arborizado, piscina exterior com bar de apoio e parque infantil, é o poiso certo para uma visita que é uma autêntica viagem ao passado.

A decoração neo-renascentista que veio de um palacete da capital

Condeixa-a-Nova fica a 139 quilómetros do Porto e a 187 quilómetros de Lisboa. Mais para o fim da tarde de sexta-feira, faça-se ao caminho, organizando as coisas para chegar à Pousada de Condeixa Coimbra, uma das unidades hoteleiras franchisadas que integram a rede das Pousadas de Portugal, a tempo do jantar. Depois de se instalar, desça ao restaurante e delicie-se com uma gastronomia típica portuguesa com uns laivos de modernidade.

Para entrada, sugerimos uma vieira na concha com camarão ou um aveludado de castanhas com azeite de avelãs, seguido de um polvo assado em alecrim com risotto de salsa, de uma tibornada de bacalhau com batatinhas assadas, de uma perna de pato braseada com arroz selvagem e redução de vinho do Porto ou de um bife Wellington.

Também tem à disposição um menu vegetariano e um menu infantil. Para sobremesa, pudim à abade de Priscos, toucinho do céu ou ainda uma tábua de queijos, que além dos de Azeitão, da Serra e da Ilha, também traz um do Rabaçal, fabricado a poucos quilómetros dali por um dos únicos três únicos produtores da região certificados.

Antes de ir para a cama, aproveite para descobrir tranquilamente a pousada, o antigo Paço dos Almadas, condes de Avranches, que durante séculos recebeu personalidades da mais distinta nobreza europeia. Incendiado em 1811, aquando das invasões francesas napoleónicas, o edifício permaneceu em ruínas até meados do século XIX, quando a família Quaresma Lopes adquire a propriedade.

A atual construção, que revisita um estilo pombalino clássico e que incorpora elementos de decoração neo-renascentistas provenientes de um palacete lisboeta, o Palácio Sotto Mayor, localizado em plena Avenida Fontes Pereira de Melo, data de 1993.

Veja na página seguinte: O itinerário dos palácios que o vai ajudar a (re)descobrir Condeixa-a-Nova

O itinerário dos palácios que o vai ajudar a (re)descobrir Condeixa-a-Nova

No dia seguinte, depois de tomar o pequeno-almoço, é altura de partir à descoberta de Condeixa-a-Nova. Faça-se ao caminho, seguindo aquele que é apelidado de itinerário dos palácios. Saindo do Palácio dos Almadas, dirija-se para o centro da vila, passando pelo Palácio Lemos/Sotto Mayor, pelo Palácio dos Sás, pelo Palácio dos Figueiredos, pelo Palácio do Conde de Podentes, terminando na Quinta de São Tomé.

Pelo meio, não deixe de ver algumas das principais atrações turísticas do centro histórico da vila, como é o caso da igreja matriz e da Praça da República, da Galeria Manuel Filipe, do Largo Artur Barreto e da Casa Museu Fernando Namora, onde os pais do famoso escritor viveram e onde tiveram uma loja. Além de quadros pintados pelo autor de livros como «O trigo e o joio» e «As frias madrugadas», pode visitar o escritório e a biblioteca e ver objetos pessoais e algumas relíquias como a última máquina de escrever que usou e a última pintura que iniciou e já não conseguiu terminar.

À tarde, depois de almoçar na pousada ou num dos restaurantes da cidade, desloque-se até ao complexo do Museu Monográfico de Conimbriga, paredes-meias com Condeixa-a-Velha, onde ainda existem vestígios visíveis da muralha que abrigou um florescente povoado romano.

Habitado entre o século IX da era que antecedeu a cristã e o século VIII da época atual, este espaço museológico ainda abriga restos do que foi um anfiteatro romano, residências aristocráticas, termas, ínsulas, painéis de mosaicos e túmulos. Leve moedas para ver o jorrar dos repuxos do jardim da Casa dos Repuxos, uma das mais bem preservadas.

As atrações turísticas que se escondem por entre montes e vales

Depois de um dia de muitas visitas, se o (bom) tempo estiver de feição, não vá jantar sem dar umas braçadas na piscina da Pousada Condeixa Coimbra. Para variar e descobrir uma gastronomia regional fortemente marcada pela vertente serrana, o restaurante O Regional do Cabrito, em pleno centro histórico da vila, é o local a procurar. A especialidade é o cabrito à Condeixa, assado no forno e servido com batatas assadas e grelos cozidos.

Se não for apreciador desta carne, pode sempre optar por um bacalhau à casa, um salmão grelhado, um bife com molho de pimenta ou um prato de carne de porco à alentejana. No dia seguinte, as terras de Sicó esperam por si. O melhor é recorrer a uma das visitas organizadas da empresa de animação turística Rotas de Sicó. A primeira paragem é o Castellum de Alcabideque, com a sua torre de captação de água, de onde parte o aqueduto de 3,6 quilómetros que abastecia a antiga povoação romana.

Depois, por entre vales profundos e elevadas colinas de oliveiras e videiras, o percurso conduz à Fonte Coberta, ponto de passagem dos peregrinos do Caminho de Santiago, aldeia onde o marechal Junot Massena aquartelou em 1811, localizada depois da ponte filipina que o rei Filipe III mandou edificar em 1636.

O segredo mais bem guardado dos arredores de Condeixa-a-Nova, onde existe uma variedade pequena de orquídeas que não cresce em mais lado nenhum, é no entanto uma zona onde existem umas cavidades escadas naturalmente nas rochas, as Buracas do Camilo.

Resultantes de uma depressão típica das zonas de calcário em forma circular, estes maciços calcários peculiares que deram nome ao Vale das Buracas podem ser visitados a pé, mas também se prestam a atividades de escalada, de montanhismo, de orientação e de rappel, muito procuradas pelos visitantes mais aventureiros.

Veja na página seguinte: O (novo) museu interativo que promete dar um novo impulso ao turismo local

O (novo) museu interativo que promete dar um novo impulso ao turismo local

Para descobrir as belezas naturais dos arredores de Condeixa-a-Nova, pode optar por um circuito de meio dia ou por um programa que lhe ocupe praticamente o dia inteiro. Se optar pela primeira hipótese, aproveite o resto do fim de semana para deambular pela vila. Não se vá embora sem se deliciar com uma escarpiada, um bolo feito à base de massa de pão, azeite, canela e açúcar amarelo.

Desde 2007 que a autarquia local tem vindo a promover este doce típico da vila, absolutamente imperdível mas ainda praticamente desconhecido fora de portas, como imagem de marca do concelho. Apesar de atualmente ofuscado por Coimbra, localizada a apenas 10,9 quilómetros em linha reta, o município recusa-se a baixar os braços, esforçando-se por atrair visitantes e turistas à localidade, o que a partir do primeiro semestre de 2016 passará a ser mais fácil com a abertura do Museu Po.Ro.S.

Procurando mostrar o melhor do Portugal romano em terras de Sicó, este espaço museológico moderno e futurista promete dar uma nova vida à Quinta de São Tomé. Depois de um período de ruínas que se estendeu por mais de quatro anos, a casa apalaçada renasce com um museu, um auditório com 74 lugares, uma cafetaria e um espaço para empresas criativas da região. Apostando numa componente multimédia e interativa muito forte, o novo museu ocupa uma área total de 1.200 metros quadrados.

Metade desses serão ocupados por espaços de exposição, num investimento de 2,5 milhões de euros. Entre as (muitas) atrações o destaque vai para um vaso neolítico com 8.000 anos, a sala imersiva onde é projetado o filme que conta a chegada dos romanos à Península Ibérica, a tartaruga militar usada nas batalhas, os hologramas e as vitrines interativas. Mais um motivo de interesse a incluir no seu roteiro na sua próxima visita a Condeixa-a-Nova.

Texto: Luis Batista Gonçalves

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