A origem do seu nome remonta ao grego e tem por base as palavras xero (seco) e phyto (planta). As plantas xerófitas são plantas que vivem em regiões áridas e semiáridas, onde a disponibilidade de água é limitada uma parte do ano ou até mesmo o ano todo. Possuem estruturas vegetais capazes de armazenar água por longos períodos de tempo e têm estruturas que lhes permitem reduzir significativamente a evapotranspiração.

Estas plantas, com uma resistência superior à da maioria das variedades botânicas, estão geneticamente preparadas para armazenarem o máximo possível de água e para perderem o mínimo de líquido que as alimenta. Fazem-no através de picos ou espinhos, de raízes, de caules ou de folhas que engordam para armazenar água. Terem poucas folhas e/ou folhas pequenas cerosas também lhes permite perder pouca água.

As que possuem raízes longas podem, assim, ir buscar água longe. Para se desenvolverem em boas condições, necessitam de substratos pouco fertilizados, muito bem drenados e muitas horas de sol direto por dia. São muitas as plantas xerófitas. A lista inclui catos, suculentas, algumas gramíneas e também plantas mediterrânicas. Para plantar no seu jardim, varanda ou terraço, estas são as que Teresa Chambel recomenda.

1. Sedum

A Sedum sp. é uma das escolhas da arquiteta paisagista, blogger de jardinagem e diretora da revista Jardins. Este é um género de plantas suculentas originário da Europa que é muito utilizado em vasos, floreiras, canteiros, cestos suspensos e jardins rochosos. "É também das plantas favoritas para utilizar em coberturas verdes, pela resistência, grau de cobertura do solo e facilidade de manutenção", sublinha mesmo Teresa Chambel.

Introduza plantas xerófitas no seu jardim. 7 variedades botânicas que Teresa Chambel recomenda

São muitas as variedades de sedum, com formas das folhas, cores e texturas distintas. "Resultam muito bem combinadas entre si, pois criam tapetes muito coloridos e originais", refere. Precisam de muitas horas de sol direto por dia e preferem substratos ou solos bem drenados e ricos em matéria orgânica. Necessitam de uma rega semanal nos períodos de maior calor e devem ser fertilizados mensalmente na primavera e no verão.

2. Aloe vera

Há muitos tipos de aloé. Um dos mais conhecidos é o aloe vera, cultivado pelas suas propriedades medicinais. "É hidratante, cicatrizante e anti-inflamatório", sublinha Teresa Chambel. A parte utilizada é a seiva do interior das folhas que é um excelente calmante de queimaduras solares e outras. É uma planta que, normalmente, não passa dos 50 centímetros de altura e pode ter flores amarelas, cor de laranja ou encarnadas.

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As folhas são compridas e têm as bordaduras com dentes espinhosos. Preferem solos bem drenados, pobres em matéria orgânica e com um pH neutro ou ligeiramente básico. Não toleram um pH ácido. Precisam de, pelo menos, quatro a cinco horas de sol direto por dia. Devem ser regados apenas em condições de seca extrema e fertilizados na primavera e no verão com fertilizante adequado. Os aloés nunca devem ser podados.

3. Medronheiro

O seu nome latino é Arbutus unedo. A palavra unedo significa "comer um só". "Quando muito maduros, os frutos do medronheiro têm uma elevada concentração de álcool, o que pode causar alguma sensação de embriaguez se se comerem muitos frutos", adverte Teresa Chambel, arquiteta paisagista. O medronheiro é usado na alimentação, para fins medicinais e para a confeção da famosa aguardente de medronho.

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"Pode ser considerado um arbusto grande ou uma pequena árvore", refere ainda a autora de livros de jardinagem como "Um jardim para cuidar" e "Um jardim dentro de casa", publicados pela editora A Esfera dos Livros. O medronheiro tem, habitualmente, um período de floração muito longo, que se pode prolongar do outono à primavera seguinte, frutifica no outono e muitas vezes tem flores e frutos ao mesmo tempo.

4. Agave

As agaves são plantas suculentas originárias do México. "Há uma grande variedade de espécies de agaves, que podem ser usadas com sucesso para fins ornamentais", esclarece Teresa Chambel. São plantas com grande valor comercial, pois produzem o mezcal, a tequila, o açúcar de agave e o sisal, entre outros produtos. São conhecidas vulgarmente por piteiras. Consoante a variedade, podem atingir até dois metros de altura.

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Algumas das mais comercializadas em Portugal são a Agave attenuata e a Agave angustifólia. "Precisam de muitas horas de sol direto por dia ao longo de todo o ano mas adaptam-se a qualquer tipo de solo e de disponibilidade de água. Não são exigentes em substrato, apenas que seja bem drenado e pobre em matéria orgânica. É uma planta que só vai florir uma vez na vida e a seguir morre", refere ainda a diretora da revista Jardins.

"No entanto, não vai desaparecer, pois, entretanto, já se desenvolveram novos rebentos da planta mãe", acrescenta ainda a blogger de jardinagem. As agaves devem ser regadas apenas em condições de seca extrema e fertilizadas na primavera e no verão com fertilizante adequado a catos e suculentas, à venda em hortos e em centros de jardinagem. À semelhança de outras plantas xerófitas, não devem ser podados.

5. Chorina

Vulgarmente conhecidas em Portugal como chorinas, os Lampranthus são plantas suculentas rasteiras, de folhas carnudas que exigem muito poucos cuidados de manutenção. São originárias da África do Sul e destacam-se pela sua floração espetacular na primavera e no verão. O seu nome, Lampranthus, tem origem nas palavras gregas lampros (brilhante) e anthros (flor), em alusão às suas flores vistosas.

Muito atrativas para as abelhas e para outros insetos polinizadores, são uma das suas imagens de marca. Existem flores de muitas cores. Além das cor de rosa e das cor de laranja, podem ser admiradas em amarelo, encarnado e branco. "Algumas delas, nomeadamente as lilás, estão em flor quase todo o ano", refere Teresa Chambel. São muito utilizadas para bordaduras, jardins rochosos, floreiras de janela e cestos suspensos.

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As chorinas precisam de muitas horas de sol direto por dia ao longo de todo o ano. "Adaptam-se a qualquer tipo de solo e de disponibilidade de água e são resistentes ao vento e ao ar do mar. Não são exigentes em substrato que pode ser arenoso ou pedregoso, apenas necessitam que seja bem drenado e pobre em matéria orgânica", acrescenta a arquiteta paisagista e blogger formada pelo Instituto Português de Agronomia.

Devem ser regadas apenas em condições de seca extrema e fertilizadas na primavera e no verão com fertilizante adequado a catos e suculentas. Podem ser ligeiramente podadas a seguir à floração. São muito resistentes a pragas e doenças e têm a particularidade de as flores fecharem ao final do dia e abrirem de manhã, estando no auge da floração ao meio-dia. Em algumas zonas, chamam-lhes meio-dia por isso mesmo.

6. Linho-da-nova-zelândia

Também conhecidas como fórmio, as Phormium tenax são plantas muito resistentes, com rizomas bem desenvolvidos e folhagem ornamental. Consoante a variedade, podem atingir até três metros de altura. "Há variedades com folhagem de cores e formas muito diferentes, com vários tons de verde, amarelo, cor de laranja e roxo, por exemplo", descreve Teresa Chambel. As inflorescências surgem normalmente na primavera e são encarnadas.

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"Na Nova Zelândia, as fibras extraídas das folhas desta planta são utilizadas para fazer cestos e outras peças de artesanato", refere ainda a especialista. O linho-da-nova-zelândia necessita de muitas horas de sol mas algumas variedades conseguem viver em zonas de meia-sombra. Preferem solos férteis, bem drenados e enriquecidos com matéria orgânica e necessitam de regas regulares e de fertilização na primavera e verão.

7. Giesta-das-vassouras

As giestas são conhecidas em algumas regiões do país como maias devido ao mês de maio, pois é nesse mês que entram em floração. "Existem muitas espécies de giestas, sendo a Cytisus scoparius, uma das mais vulgares e das mais resistentes e fáceis de cultivar", destaca Teresa Chambel. Este é um arbusto mediterrânico de folha caduca, com ramos flexíveis, "muito resistente ao calor e à secura", sublinha ainda a blogger.

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"É muito pouco exigente em substratos e solos. Precisa apenas que sejam pobres e pedregosos", acrescenta ainda a especialista. Em inglês, esta giesta é conhecida como portuguese broom, uma referência à sua origem e à sua utilização tradicional como matéria-prima para fabricar vassouras. Normalmente, está em floração entre abril e junho, exibindo flores amarelas exuberantes. Atinge, em média, entre um a três metros de altura.

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