É verdade… Por estes dias, e durante praticamente todo o próximo mês, muitas pessoas começam a pensar nos fretes que vão ter de fazer, a que parte da família vão querer agradar, a quantos jantares terão de ir porque é necessário comparecer para ser visto e validado, quantos presentes se sentem obrigados a adquirir para corresponder a expetativas alheias.

O mês de dezembro é por excelência uma época em que as pessoas vibram na frequência errada. Ora vejamos: haverá realmente uma necessidade maior do que a de ter um abrigo que possa transmitir segurança e uma refeição quente e feliz?

Enquanto muitos de nós ganham ataques de ansiedade, de pânico, e mesmo de raiva, outros tantos só desejam ter um momento de reencontro com a generosidade e integridade que a todos deve assistir.

Por esta altura muitos idosos são abandonados nos hospitais, pois são considerados um problema, um empecilho, são um estorvo…Como é que aqueles que nos dão origem passam a ser encarados como um estorvo? Isto dá que pensar, não dá?

Se os 'nossos' são um estorvo, quem somos nós aos olhos dos outros? De que forma iremos ser vistos pelos nossos filhos, um dia? Uma noite….ou um Natal?

Que ingenuidade ou ignorância existe em nós quando achamos que nos vão tratar de forma distinta, se conseguimos ser um exemplo horrível?

Também muitas crianças são privadas de experienciar uma noite feliz. Contudo seria mais simples de ultrapassar esta questão se se optasse por instruir as crianças de que a qualidade da presença é o mais importante, não os presentes que se dão e recebem. O plano material é tão explorado que sobra pouco espaço para validar que apenas o facto de as pessoas estarem vivas e terem a possibilidade de partilhar mais um momento em família, significa algo.

É o consumismo que preenche os vazios, não são os olhares e os abraços nos momentos de amor e silêncio.

Todos sabemos que as questões familiares existem, que as mesmas são desafiantes e nem sempre conseguimos gerir da melhor forma. A verdadeira questão é que na maioria das vezes não se quer viver e ultrapassar essas mesmas questões, optamos por inflamar o ego, reforçar o nosso orgulho não dando o primeiro passo para uma comunicação mais verdadeira e congruente com os nossos sentimentos. A época de Natal é uma época em que se apela ao lado mais solidário, à humanidade que existe em nós. Mas acredito que alguns de vós, que me leem, concordarão que as relações base devem ser em primeira instância as mais privilegiadas, cuidadas, nutridas. Tudo é um reflexo e consequência.

Quão hipócritas somos quando damos a cara e arregaçamos as mangas, para parecer bem, se na nossa casa, se connosco próprios, não somos tolerantes, pacientes e generosos?

Vamos convidar a qualidade da nossa presença para os nossos dias, para as nossas noites, para a Consoada.

Vamos brindar os outros com a nossa humanidade, vamos olhar para dentro, procurar e abraçar o amor no nosso coração.

Deixo algumas sugestões:

  • Escreva numa folha em branco o que é realmente importante para si, considere o momento presente o seu último dia de vida;
  • Escreva uma carta à sua criança interior, viaje até à sua infância e sinta: quando houve brinquedos o que é que não houve que teria sido muito mais importante?;
  • Que exemplo dá aos seus filhos através das ações que pratica junto dos avós/tios dos mesmos?

Antes de reagir compulsivamente ao convite do consumismo, avalie as suas prioridades.

Leia também: Adaptar-se-ia a uma realidade sem possibilidades?


Soraia Sequeira é Life Coach e há três anos iniciou a sua viagem de autoconhecimento, por via da astrologia. Desde então, certificou-se em Coaching, Practitioner de Programação Neurolinguistica (PNL) e em Practitioner Time Line Therapy. Atualmente encontra-se a estudar Psicologia Transpessoal, com Constelações Familiares e Hipnose, e vai iniciar em breve o Master em Programação Neurolinguistica.

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