É um dos mais importantes arquitetos e designers da atualidade e passa grande parte do seu tempo a viajar pelo mundo. Vive em Cascais há quase uma década mas, apesar da paixão pelo país e pelos portugueses e das muitas abordagens que lhe fazem, não tem tido grande interesse em trabalhar no país. "Temos [recebido] muitas propostas mas não lhe temos dado seguimento por várias razões", assumiu Philippe Starck em entrevista.

"Em primeiro lugar, porque não estou cá para comer o pão aos meus amigos. A segunda é que vivo com uma felicidade e com uma elegância com as pessoas com as quais lido que não estou para [as] misturar com negócios. Não tenho vontade de reduzir esta amizade magnífica a um nível de produção", afirmou à revista Lisboète Magazine. "Só temos um projeto em Portugal, de design industrial, mas ainda não posso falar dele", avisa.

Philippe Starck faz confissão surpreendente. "Os portugueses são como uma doença"
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Fã da Ericeira, de Peniche e do Alentejo, Philippe Starck virou-se, nos últimos tempos, para Grândola, no Alentejo, onde está a construir uma quinta e onde também pretende criar uma horta biológica.

"O que me agrada lá é que ainda nada foi profanado. Existem os campos, os rios, os camponeses, uma rua central com três cafés, uma mercearia, um posto dos correios e mais nada. Adoro estar num meio onde a proporção do humano é suficientemente fraca para não ter ainda interferido com a natureza", elogia o arquiteto e designer parisiense.

"Sempre que estou em Grândola, exploro as dunas e ando de bicicleta por entre os arrozais", confidencia o francês, atualmente com 70 anos. "Conheço cada pedra e cada raiz da montanha de Grândola. Posso poder dizer que descobri [ali] o paraíso", desabafa Philippe Starck. "Foi por isso que decidi adquirir lá terras para construir uma quinta onde vamos produzir azeite e vinho e uma enorme horta biológica", revela.

"Uma espécie de quinta-modelo biológica que estamos a construir com o espírito do Alentejo", informa o designer, que enaltece a mão de obra nacional. "Cometi um erro por culpa minha. Vim para este país sem falar a língua e aconselharam-me um arquiteto francês, que foi do piorio. Além de não ter talento, era incompetente e inconsequente, para não dizer pior", critica o autor dos trabalhos que pode ver de seguida.

A má experiência obrigou-o a descobrir o trabalho dos portugueses. "Fui arruinado por um francês, não deixa de ter piada", ironiza Philippe Starck. "A obra já ia com três anos de atraso e, depois, tivemos de mandar tudo abaixo. Desde essa altura, que mando fazer tudo pelos [empreiteiros] portugueses, com quem me entendo muito bem. Aconteceu o mesmo com a casa da Malveira da Serra, onde também estou a construir", diz.

Trabalhador incansável, passa a vida a viajar. "Eu dou, em média, uma volta ao mundo por semana", desabafa o arquiteto gaulês, um homem que não gosta de esperar. "Recentemente, pedi ao meu serviço de arquivo para me enviar um projeto que necessitava com alguma urgência. Quando mo enviaram, uma semana depois, era demasiado tarde porque eu já o tinha redesenhado no entretanto", conta ainda Philippe Starck.

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