Uma caneca que pode ter várias cores e que personifica a nossa cabeça cheia de pensamentos é a última criação de Maria Imaginário. A estrela principal da exposição «A Mind of its Own», que esteve patente recentemente na Galeria Underdogs 10, em Lisboa, veio substituir o Coraçãozinho de Merda, a personagem anterior. Maria Imaginário voou do coração para a razão, mas sempre com muita emoção.

Até porque, como nos disse, o coração e a razão andam sempre de mãos dadas e as emoções comandam a sua vida. O Jardim da Gulbenkian é o seu ateliê preferido. «É lá que tenho muitas ideias e as passo para o papel», revela. «Levo a toalha de praia, o caderno, um lápis e um livro, e passo horas por lá», confidencia. Talvez, por isso, deseje tanto fazer uma exposição num jardim.

A sua última exposição «A Mind of its Own» é uma continuação do seu trabalho anterior ou uma rutura?

É uma junção das duas coisas. É uma novidade, mas também a continuação do meu trabalho. Decidi deixar de me focar tanto no coração, para me focar na cabeça e na forma como processamos os nossos pensamentos e encaixamos as nossas emoções.

Portanto, as emoções continuam muito presentes...

Sim, essas estão sempre presentes, fazem parte de mim. Talvez porque sou muito sentimental. E o que faz os pensamentos moverem-se na nossa cabeça são os sentimentos.

Portanto, não divide coração e razão?

Não, para mim, está tudo ligado.

E são as emoções a sua única fonte de inspiração?

Não são uma inspiração muito direta. Acabo por trabalhar sobre isso, mas há tantas coisas que me fascinam. Gosto do pormenor das coisas, de flores, de ouvir histórias, de ler, de passear em jardins, ver desenhos animados. E tudo isto estimula a criação…

Começou por trabalhar na rua, hoje, pinta em tela. Qual é a grande diferença entre esses dois mundos?

Na rua, tinha de ser rápida e, por isso, fazer coisas simples, de certa forma um bocado básicas. Quando pinto um quadro, posso demorar uma a três semanas, ou seja, vou mudando, aprimorando as coisas, acrescentado mais detalhes e na rua não tenho espaço para isso. No entanto, tanto num como noutro, quero sempre passar a minha mensagem e fazer algo alegre.

E por que escolheu os doces e os gelados para pintar nos prédios abandonados?

Na altura, tinha muitos amigos graffiters e achava que falavam muitos uns para os outros com as letras e tags, por isso, decidi criar personagens coloridas e alegres e pintá-las nos edifícios abandonados da cidade, que me fazem muita confusão.

Quis dar um toque mais feminino ao graffite?

Acho que sim, isso está sempre intrínseco.

Veja na página seguinte: Como surgiu o nome artístico de Maria Imaginário

Tem saudades de trabalhar na rua?

Não. Acho que foi uma fase. Neste momento, gostava de voltar a trabalhar na rua, mas para fazer instalações públicas.

Voltando ainda mais atrás, por que razão escolheu o nome Maria Imaginário?

Quando era mais novinha, apesar de não ter consciência nenhuma do que iria ser no futuro, decidi arranjar um nome que achava que podia ser diferente e ficasse no ouvido.

E no futuro, o que quer fazer?

Não sei o que vou fazer, mas quero continuar a pintar. Estou a trabalhar nuns projetos novos e vou andar sempre à volta dos sentimentos e da ternura.

E sempre a pintura?

Não necessariamente. Gostava de começar a trabalhar mais, por exemplo, na tridimensionalidade e fazer uma instalação pública.

Em que local gostaria de expor o seu trabalho?

Na rua, mais precisamente num jardim.

5 perguntas rápidas que revelam o lado mais privado de Maria Imaginário:

1. Um pintor? John William Godward

2. Um livro? «Inteligência Emocional» de Daniel Goleman

3. Uma galeria? A Underdogs 10 em Lisboa

4. Um museu? O Museu de Arte Antiga

5. Um local onde goste de ir? O Jardim da [Fundação Calouste]Gulbenkian em Lisboa

Texto: Rita Caetano

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