Um veterinário e investigador pretende mudar a forma como se vê uma formiga, um louva-a-deus ou um pardal, revelando como estes e outros animais se esmeram na hora de seduzir e como são capazes de morrer para proteger a espécie.

“Quando os macacos se apaixonam” é o nome do livro de George Stilwell que promete ir muito aquém e além dos primatas, revelando “segredos” da vida afetiva dos animais, das pequenas formigas aos gigantes elefantes.

Em entrevista à agência Lusa, George Stilwell disse que a obra é um convite ao humano para olhar de outra forma os animais, nomeadamente a sua complexidade.

Para tal, pormenorizou, o investigador descreveu numa linguagem bem disposta algumas características da vida afetiva dos animais.

“Os grandes criativos nas estratégias de atração são as aves – é a mudança de guarda-roupa, são as exibições divinais de canto, são os deslumbrantes passos de dança, é o voo acrobático, é a construção de apartamentos de luxo, e a proteção da companheira… e mais uma infinidade de truques para conseguir alguns segundos de glória”, escreve o autor.

Sem querer revelar favoritismos, George Stilwell confidenciou à Lusa que, nesta panóplia de animais e suas atitudes, tem alguns heróis.

“Gosto de realçar os mais pequenos, porque o seu comportamento é mais desconhecido”, afirmou, lembrando alguns peixes que “chegam a montar autênticos palácios para atrair a sua fémea”.

“Nem sequer há a parte do namoro e da cópula. A fémea chega, deposita os óvulos e ele fica a proteger as crias”, adiantou.

São pouco mais de 200 páginas com dezenas de discrições e curiosidades: “As abelhas e formigas envolvem-se em batalhas irremediavelmente perdidas quando a comunidade é atacada, não para proteger as aparelhagens Hi-Fi ou o faqueiro de prata, mas só e apenas as minúsculas larvas das quais cuidam e alimentam afincadamente”.

George Stilwell conclui sem hesitar que “o verdadeiro poder está nas mãos, asas, barbatanas ou outros apêndices das fêmeas”.

“São elas que, ao fim do dia, acabam por escolher o macho que mais as atrai e que maiores vantagens irão dar aos seus filhotes”, lê-se na obra.

O veterinário congratula-se com o fato de o homem, que é um animal racional, alargar cada vez mais a sua visão, o que começou a fazer com os primatas.

“Os macacos são sempre os que são mais estudados, mas o que achei mais interessante abordar neste livro é os animais que nós não consideramos e nunca pensamos que têm amizades”, disse.

Para George Stiwell, “as pessoas às vezes não se apercebem das ligações que há entre as espécies, como a formiga, que é um animal que funciona com uma comunidade extremamente apertada e solidária”.

O investigador insiste ainda na comparação da atitude dos humanos – os tais animais racionais – com a atitude de alguns desses animais.

“Temos o homem que oferece um anel à sua noiva, o que também acontece nos animais: a ave rapina passa a presa que acabou de caçar à fémea, ou outras aves que juntam peças coloridas como rochas e flores e colocam-nas para atrair as fémeas”.

O objetivo final é o mesmo para ambas as espécies: “ser interessante”.

  

31 de janeiro de 2012

@Lusa 

 

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