A colecção Outono/Inverno da Christian Dior, desenhada por John Galliano, foi hoje apresentada pelo director da Maison Christian Dior.

O desfile, montado nos jardins do Museu Rodin, acabou por ficar para segundo plano, já que todas as atenções estavam voltadas para o escândalo Galliano.

"O que aconteceu na última semana foi uma provação terrível e dolorosa para todos nós", disse o director da Maison Christian Dior, Sidney Toledano, ao apresentar a nova colecção.

"Tem sido profundamente sofrido ver o nome Dior associado às declarações infelizes atribuídas ao seu estilista, independentemente do quão brilhante ele seja", acrescentou.

No seu discurso, Toledano - que é judeu - destacou que "a própria amada irmã de Christian Dior foi deportada para Buchenwald", o campo de concentração nazi.

O estilista, de 50 anos, já pediu desculpas pelo seu comportamento, mas negou as acusações e entrou com uma acção contra o casal que o denunciou por difamação.

Já o desfile da marca própria de Galliano, previsto para domingo como parte da Semana de Moda de Paris, foi anulado e será substituído por uma apresentação para compradores e jornalistas, indicou nesta quinta-feira uma fonte do mundo da moda.
Este desfile será realizado num salão íntimo de Paris.

O caso de John Galliano será julgado no segundo semestre do ano. Se for condenado por racismo, o estilista pode ser sentenciado a até seis meses de prisão e a pagar uma multa de 22.500 euros.

O clima do desfile de hoje foi sombrio e tenso. Foram apresentadas 62 criações, um número normal para um desfile do porte da Dior, o que sugere que pouco ou nada foi modificado em função do escândalo.

Recorde-se que Galliano foi preso na quinta-feira da semana passada, num bar de Paris, depois de ser acusado por um casal de fazer "insultos antissemitas" e racistas.

Esta denúncia levou a empresa Christian Dior Couture a anunciar a suspensão do seu director artístico, desde há 15 anos, mas despediu-o logo depois, após a divulgação de um vídeo por um jornal britânico no qual o estilista falava: "Eu amo Hitler".

Entretanto, já surgiram mais vozes críticas. O estilista alemão Karl Lagerfeld rompeu o silêncio, observado no mundo da moda, dizendo-se "furioso" contra o seu colega britânico.

Em entrevista ao jornal americano "Women's wear daily", Lagefeld afirmou "estou furioso, se quiserem saber, furioso por isto ter acontececido".

"A questão, agora, não é nem saber o que ele disse verdadeiramente. A imagem e as palavras correram o mundo, uma imagem horrível da moda que leva a pensar que os estilistas, no conjunto, se parecem com isto", acrescentou Lagerfeld.

No mundo dos negócios, "principalmente com a internet, deve-se ser ainda mais prudente, em particular quando se é uma figura pública. Não se pode ir para a rua em estado de embriaguês, há coisas que não se pode fazer", destacou Karl Lagerfeld, director artístico da casa Chanel.

"Estou furioso também pelo prejuízo causado ao grupo LVMH e a Bernard Arnault", proprietário da Dior, disse.

Vários estilistas, ouvidos pela AFP, preferiram não reagir publicamente à questão. Nos corredores, o belga Dries Van Noten declarou à AFP: "Acho tudo isto muito triste".

SAPO Mulher com AFP

04 de Março de 2011

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