Quem já ouviu falar de visagismo acha que é uma técnica que ajuda a escolher o que melhor combina com o formato do rosto e a cor da pele, mas isso é apenas um dos seus aspetos menores, algo que qualquer profissional com bom sentido estético consegue fazer. O visagismo é assim a arte de descobrir o que a pessoa deseja expressar e de transformar essa intenção numa imagem harmoniosa. É a personalização da imagem pessoal.

O método baseia-se na associação de diversos aspetos de várias disciplinas: artes visuais, psicologia, neurobiologia, antropologia e sociologia. Os princípios da estética – harmonia, proporção e equilíbrio visual – são baseados nos fundamentos da linguagem visual. O domínio dessa linguagem é essencial no uso da cor, na criação de volume (luz e sombra) e de planos (perspetiva).

Os formatos do rosto e das feições, assim como as linhas que compõem as suas diversas partes, são todos símbolos arquetípicos, com significados definidos, que provocam instantaneamente reações físicas e emocionais, antes que se possa pensar racionalmente.

Por isso a imagem afeta o estado emocional e psicológico, o comportamento, a autoestima e o sentido de identidade. Também é sabido que o emocional é somatizado através do físico, um aspeto muito importante a ser considerado por profissionais da estética por exemplo.

Seria estranho se o que o rosto expressa não tivesse relação com o temperamento da pessoa. Mas não se deve confundir isso com a leitura da personalidade. O rosto revela como uma pessoa é na sua essência: extrovertida, ou introvertida, forte, ou suave, dinâmica, ou ponderada, por exemplo, mas não como está a usar essas características. Permite, porém, identificar se há conflitos entre o que a imagem, o rosto e o comportamento expressam.

A leitura do cliente

Depois de algum treino, essa leitura é feita em poucos minutos. Um visagista experiente faz essa leitura em menos de um minuto. Assim, quando a consultoria começa, ao perguntar o que seu cliente deseja expressar pela sua imagem, já sabe qual é o seu temperamento e o que a imagem expressa. Estas informações são fornecidas ao cliente.

O visagista explica que o formato do rosto revela o temperamento dominante, mas que as cinco áreas do rosto revelam a complexidade do temperamento.

Testa
Está relacionada com o intelecto.
Olhos e sobrancelhas
Formam a região da emoção.
Nariz
Indica como é o ritmo de vida e de ação.

Boca
Mostra como a pessoa se comunica.

Queixo
Revela como lida com a vontade.

Tudo isto ajuda a pessoa a refletir sobre quem é, as suas qualidades e as suas fraquezas, o que deseja realçar e valorizar e o que quer diminuir. Visagismo é a arte de descobrir o que a pessoa deseja expressar e de transformar essa intenção numa imagem harmoniosa. É a personalização da imagem pessoal.

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Sinergia de profissionais

Quando as intenções da pessoa estão definidas, o profissional sabe o que indicar em termos de soluções de imagem e é neste momento que entram as considerações estéticas, mas tudo em função das necessidades de expressão.

O profissional observa todos os aspetos da imagem: o cabelo, a maquilhagem, o design das sobrancelhas, a pele, os dentes, o vestuário e os acessórios. Pode sugerir procedimentos, mesmo que não sejam da sua área de atuação, e indicar outros profissionais, porque a imagem como um todo estabelece o sentido de identidade, embora o rosto seja responsável por 70%, sendo, por isso, considerado a sede da identidade.

Imagem afeta comportamento

O visagismo é importante para o trabalho da esteticista por vários motivos. Enriquece a anamnese (questionário inicial), à qual adicionará a avaliação do temperamento e a análise de todos os aspetos da imagem. Isto ajuda a identificar o que está realmente a incomodar o cliente.

Frequentemente, uma pessoa aponta algo que a desagrada, mas não tem consciência que outros aspetos da sua imagem estão a provocar sensações piores. Por exemplo, muitas mulheres acham que o cabelo comprido, por ter uma expressão juvenil, rejuvenesce.

Quando percebem que continuam envelhecidas pensam que deve ser por causa das rugas, procurando uma esteticista. No entanto, não sabem que o cabelo comprido envelhece a mulher a partir de certa idade. Isto deve-se aos princípios da proporção áurea, ou “regra dos terços”. Todos os elementos do cabelo que estão no terço superior da cabeça, acima do lóbulo da orelha, têm uma ação visual para cima. O que está abaixo do lóbulo tem ação visual para baixo. Por isso, os cortes curtos são leves e expressam dinamismo e energia, aspetos ligados à juventude.

Os cortes médios, até a altura dos ombros, são neutros, nem leves, nem pesados. Cabelos compridos são pesados e passam uma sensação de imobilidade e de falta de energia. Além disso, a ação visual para baixo faz com que as feições, em especial os olhos, pareçam caídos e, quanto maior a idade da pessoa, maior é esse efeito.

Nenhum procedimento estético, ou cirurgia, vai alterar o aspeto envelhecido da pessoa, enquanto o corte não for alterado. A cor do cabelo também pode ser inadequada e evidenciar rugas e manchas de pele, ou deixar uma sensação de palidez. Dentes desgastados e amarelados também envelhecem.

O visagista percebe como a imagem está a afetar o comportamento do seu cliente, principalmente na sua postura e na sua expressão facial, e se isso pode prejudicar o seu trabalho. O visagista explica que o formato do rosto revela o temperamento dominante, mas que as cinco áreas do rosto revelam a complexidade do temperamento

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Torne-se um consultor de beleza

Antes de aplicar qualquer procedimento saberá como as mudanças propostas afetarão o seu cliente, emocional e psicologicamente, e também o seu sentido de identidade. Por exemplo, por saber que aumentar os lábios sexualiza a mulher, pode avaliar até que ponto isso é desejável ou não, de acordo com a sua idade e as suas atividades.

O visagismo amplia e aprofunda o trabalho dos profissionais do setor da estética. Faz com que esse trabalho seja mais consciente e que todos os procedimentos estéticos sejam personalizados, baseados em conhecimento. Não dependerá da sua intuição, nem seguirá padrões ou tendências.

Por atuar numa área de beleza aliada à saúde, tem proximidade com o cabeleireiro, o maquilhador e o odontologista, podendo transformar-se num consultor de beleza, abrangendo todas essas áreas. Terá conhecimento para avaliar o que a imagem expressa e o que poderá ser feito para a melhorar, respeitando o temperamento, o estilo de vida e as preferências dos seus clientes. É integrar identidade, estilo e beleza numa imagem personalizada.

A realidade portuguesa

O visagismo em Portugal é ensinado nos cursos profissionais da área da estética e em cursos modulares ligados à maquilhagem, entre outros. Segundo Alexandra Martinho, formadora no IE FP, “o visagismo é exatamente o estudo pormenorizado, a análise, o diagnóstico e o respetivo plano de trabalho da esteticista em técnicas faciais. Ou seja, existem unidades nos cursos de esteticista/cosmetologista que englobam esta prática de forma global e específica. Há cerca de 14 anos atrás a denominação do curso era exatamente a de “esteticista/visagista”.

Neste momento existem apenas duas categorias desta área, onde o visagismo é explorado: esteticista/ cosmetologista e massagista de estética”. “Não existe nenhuma unidade isolada desta técnica. Existem sim as chamadas unidades modulares, mas, com denominação de “técnicas faciais”, “diagnóstico do tipo e estado de pele.”, “cuidados faciais específicos”, “maquilhagem”. O termo visagismo nos curso profissionais deixou de ser usado”, explica a formadora.

Texto: Philip Hallawell, visagista
Edição: Stela Martins
Agradecimentos: Alexandra Martinho, esteticista e formadora
Fotografia: Scwarzkopf 

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