Um casal de psicólogos criou o clube do otimismo e acaba de escrever Viver em Tempos de Mudança.

Maria do Carmo, de 48 anos, e Manuel Oliveira, de 49, casados há 25 anos, são ambos psicólogos, fundadores do Clube do Optimismo e também responsáveis pela direção pedagógica no colégio Sá de Miranda, no centro de Lisboa. Há dez anos interessaram-se pela psicologia positiva e criaram um projeto de intervenção que envolvia toda a comunidade educativa e os resultados foram de tal maneira positivos que decidiram criar o clube do otimismo para dar resposta às várias solicitações. Agora acabam de apresentar em Lisboa o livro Viver em Tempos de Mudança, onde ensinam a lidar com a incerteza, a ansiedade e a insegurança, porque, segundo os autores, é possível ser feliz na adversidade.

O objetivo do clube do otimismo é trabalhar o bem-estar das pessoas?
Exatamente. Tendo por base os pressupostos da psicologia positiva começamos a trabalhar o bem-estar geral, ou seja, levamos as pessoas, como se diz na psicologia positiva, a florescer.

E como é que isso se consegue?
O primeiro passo é lembrar as competências que todos temos e que por vezes estão um pouco “adormecidas”.

O clube nasceu há quanto tempo?
Há seis anos. Começámos por ter sessões de coaching individuais que tinham por objetivo o desenvolvimento de competências e a valorização pessoal, paralelamente dinamizávamos formações ao nível do desenvolvimento pessoal, mas sempre com uma base científica e formações para empresas.

(E isso é especificamente o quê?) O que trabalham nas vossas formações?
A autoestima e a autoconfiança, motivação, resiliência, objetivos de vida, relacionamento interpessoal, e, para empresas, motivação de equipas, otimismo, comunicação positiva, resiliência e liderança positiva. Para além disso, temos projetos de intervenção para a população mais jovem.

A partir de que idade?
Desde o jardim-de-infância, ao primeiro ciclo e também para o segundo ciclo e secundário.

É verdade que a crise está a aumentar o número de tendências suicidas entre os jovens?
Na faixa entre os 18 e os 23 anos encontramos jovens muito desmotivados e muito apáticos que não sabem o que querem da vida. Estão tão revoltados que alguns pensam mesmo em suicídio.

Perderam a esperança?
A muitos a vida sorriu, os pais deram-lhes tudo mas, quando a vida muda não estão preparados para lidar com a frustração. Ao serem confrontados com as adversidades, ficam deprimidos. No fundo, não querem sofrer...

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Também é possível tratar estes jovens com a psicologia positiva?
Sem dúvida. Estes casos melhoram com um choque positivo. Depois confrontamo-los com emoções positivas e com as mais negativas e aí eles “acordam”. E aprendem a enfrentar os medos.

Quem tem mais medo, os rapazes ou as raparigas?
São medos diferentes, embora nós tenhamos mais casos de rapazes. As raparigas falam mais umas com as outras enquanto os rapazes se isolam mais.

Viver em Tempo de Mudança surge na sequência deste trabalho?
A Esfera dos Livros viu um artigo nosso e desafiou-nos a escrever este livro. Curiosamente veio ao encontro da nossa vontade já que, há muito tempo, pensávamos fazê-lo.

A estrutura do livro também está relacionada com a vossa experiência?
De facto, todas as pessoas que frequentaram as nossas formações disseram-nos que estas tinham sido muito importantes, e algumas delas fizeram verdadeiras revoluções nas suas vidas, pelo que o conteúdo do livro se baseia nas nossas formações e na nossa experiência enquanto coaches.

O livro tem como base os pressupostos da psicologia positiva?
E também os resultados das investigações das neurociências. No livro são apresentadas estratégias para desenvolver a felicidade, é muito importante que as pessoas aprendam a viver com a adversidade e com os vários tipos de medo, e que se sintam bem apesar das dificuldades que possam estar a viver. O livro indica estratégias que contribuirão para ultrapassar as dificuldades e ser bem-sucedido.

Também tem testemunhos de pessoas...
Algumas delas são figuras públicas, nomeadamente Carlos Avilez, Tó Romano ou Tiago Monteiro que vão dando testemunhos que se enquadram no tema que estamos a falar. Por exemplo, na resiliência, definição dos nossos objetivos ou gestão dos pensamentos.

De qualquer forma, não há uma receita para a felicidade...
Ela está dentro de nós. No entanto, as investigações foram procurar junto de pessoas que se consideram felizes quais são os determinantes da felicidade e apuraram o que havia em comum entre estas pessoas.

O que há em comum entre as pessoas felizes?
Todas elas referem a ligação com amigos e família, não viver isolado, assim como a gestão dos pensamentos, isto é, serem mais otimistas e terem confiança na construção do futuro.

Ter projetos de vida é igualmente importante?
É importantíssimo. Assim como a solidariedade. É muito importante sentir que contribuímos para a felicidade das outras pessoas. Os vários estudos também mostraram a importância da gratidão. Quando nós nos sentimos gratos com o que temos, mesmo que seja pouco, faz subir o tom emocional de uma forma muito positiva. É importante focarmo-nos no que temos em vez de sofrermos com o que não temos.

Conheceu o seu marido na faculdade de psicologia?
Ainda nos conhecemos antes da faculdade. Casámo-nos quase há 25 anos e temos dois filhos, um com 20 que também está em psicologia, e um com sete. Apaixonámo-nos pela psicologia e ainda mais pela psicologia positiva.

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São cobaias das vossas teorias?
Claro que sim, aplicamos também a nós. A família beneficia deste trabalho. O mais velho é incrível, manda-nos mensagens super positivas e energéticas e já organizou um workshop para os colegas subordinado ao tema ‘Ser Feliz na Adolescência’. 

Quais são os seus conselhos para enfrentar os momentos difíceis que estamos a viver?
Um dos aspetos passa por dar um novo significado aos problemas com que nos deparamos. Só o facto de mudar a palavra, de problema para desafio, já nos faz ter uma atitude completamente diferente. Por vezes poderemos ter imensos problemas para resolver ao mesmo tempo, nesse caso o melhor é compartimentar os problemas, dedicar-se a resolver apenas um de cada vez, não pensar em todos ao mesmo tempo.

Senão a pessoa sente-se impotente…
E perde a energia para os resolver. Também é muito importante o discurso. Não só o discurso externo mas também o discurso interno, ou seja, o que dizemos a nós próprios. Devemos ter um discurso mais positivo e mais esperançado.

Há alguma receita para a crise?
Não devemos escudar-nos na crise para não estabelecer os nossos objetivos. Devemos imaginar-nos tendo já superado as dificuldades e as estratégias que usámos para nos motivar. É fundamental que continuemos a cuidar do nosso bem-estar, que procuremos conviver, divertir-nos, fazer atividades que nos dêem prazer e há imensas coisas que podemos fazer a custo zero.

Tem algum conselho especial para dar?
Se estiver muito preocupada com o seu futuro pense o que poderá fazer para evitar que o pior venha a acontecer, entre em acção já, mantenha a confiança e seja persistente, pois se mantiver o esforço e a confiança é possível alcançar os resultados pretendidos e ser feliz. Nós, semanalmente, enviamos emails com estratégias que ajudarão a viver estes momentos de incerteza com mais confiança e sentir-se mais feliz, basta enviar-nos um email a solicitá-los para info@clubedooptimismo.pt

Para saber mais informações sobre o Clube do Otimismo, consulte:
www.clubedooptimismo

Texto: Palmira Correia

 

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