A história pode ser contada de duas formas, mas o final é o mesmo: você vai-se embora da empresa onde trabalha. Seja porque arranjou um novo emprego, seja porque a despediram.

No momento em que ouve a notícia ou que a dá, cá dentro tudo muda. Se fomos nós que tomámos a decisão, começamos a projectar o futuro,
não resistimos em imaginar-nos com novas rotinas, com um novo ordenado, em
pensar como o cargo que nos espera será uma experiência ainda mais positiva.

Se somos despedidas, a preocupação ou a motivação invade-nos para encontrar um novo emprego. Simplesmente, a nossa cabeça começa a desligar. Torna-se pois tarefa difícil conciliar o presente com o futuro. Mas há que saber fazê-lo. Por isso, pedimos a Yves Turquin, director geral da Transitar - Lee Hecht Harrison Global Partner (empresa especializada em áreas como gestão de carreiras), pistas para que saia do seu emprego pela porta principal. Siga-as.

Qual a forma mais elegante, digamos assim, e eficaz de alguém apresentar a demissão?

Depende sempre do motivo. Mas no caso de se tratar de uma proposta de trabalho aceite numa outra organização, a forma mais elegante implica comunicar logo que possível com o responsável, para que não seja apanhado de surpresa e tenha tempo para realizar a passagem de pastas. A abordagem tem que ser factual, objectiva, evocando um novo projecto que decidiu abraçar.

Que conselhos pode dar a alguém que foi despedido, mas que não contava com o facto ou o considera injusto?

Deve tentar gerir as emoções e manter uma atitude racional. Pedir ajuda a alguém com experiência e a quem já aconteceu o mesmo e que soube gerir bem a situação. Falar com pessoas amigas que demonstraram resiliência em casos de mudança imprevista e que souberam dar a volta a esta mudança. Assumir que o despedimento faz parte da vida normal nas empresas. Perceber que há vida para além do despedimento, ou seja, perceber as suas próprias emoções a quente e saber lidar com elas.

Quais são geralmente os grandes erros que as pessoas cometem quando são despedidas?

Falar mal do último empregador, reagir com orgulho ferido e transmitir mensagens negativas deles próprios ao tentarem vingar-se do ex-empregador, dizendo mal dele . No desempenho das tarefas, o erro é não assumir o seu posto de trabalho com rigor e empenhamento até à última hora, chegando fora de horas ao emprego e demonstrando fraca produtividade. Isso deixará uma imagem negativa que pode, no futuro e noutro contexto, ter um reflexo negativo.

E que erros se cometem quando são elas a despedir-se?

Abandonar o trabalho antes do fim, gabarem-se de ter um futuro bastante melhor sem saber ou não se despedir dos colegas, fechando inutilmente assim uma rede de contactos que pode ser valiosa no futuro.

Veja na página seguinte: A melhor forma de gerir os últimos dias de trabalho

Qual a melhor forma de gerir os últimos dias de trabalho?

Transmitir serenidade e auto-controle aos colegas, dedicando-se às tarefas habituais com o empenhamento normal.

Deve fazer a passagem de pastas com tranquilidade, transparência e normalidade, não escondendo o sucedido aos
colegas envolvidos e manter a calma como se tratasse de um dia normal. Desvincular-se, quer por iniciativa própria quer por iniciativa do empregador, faz parte da vida normal duma organização e deve ser encarado com frieza e serenidade.

Se pensa despedir-se...

  • Avalie a longo prazo a evolução da sua carreira.
  • Pese os prós e os contras não financeiros antes de tomar a decisão, mantendo-se objectiva.
  • Prepare a reunião de demissão com factos, argumentos racionais e não emocionais. Não deverá dar razão dúbias (o ambiente de trabalho, problemas relacionais, sentimento de não ser reconhecido). Nunca faça ataques pessoais.

Se foi despedida....

  • Anuncie o sucecido à família e amigos logo que possível.
  • Peça apoio a um colega ou amigo de confiança.
  • Pergunte ao futuro ex-empregador o que ele pode fazer para facilitar a sua transição de carreira.
  • Não coloque toda a responsabilidade do sucedido no empregador. Evite sentir-se perseguida ou querer vingar-se e transmitir este ressentimento.

Texto: Nazaré Tocha com Yves Turquin (director-geral da Transitar - Lee Hecht Harrison Global Partner)

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