Estamos habituados a ouvir a palavra orçamento relativamente a assuntos muito complexos, como por exemplo o Orçamento de Estado. Mas o que estamos aqui a falar é de um documento muito mais simples, mas igualmente valioso.

Deixamos aqui 6 preciosas regras que ajudarão a tirar o melhor proveito para a gestão das finanças domésticas:

1)     Fazer o Orçamento por escrito

Pode parecer uma regra óbvia, mas sem respeitar esta regra de nada vale dizer que se faz um orçamento familiar. Há alguma tendência a afirmarmos que fazemos um orçamento familiar, mas que este é feito de cabeça. Ora, isso não é um orçamento. Quanto muito será uma tentativa de ter controlo sobre os gastos, mas está muito longe do que estamos aqui a falar. A primeira de todas as regras é que um orçamento faz-se por escrito, sentado à mesa. Seja numa folha de papel ou nalguma ferramenta digital. O importante é que fique registado a nossa realidade financeira.

2)     Começar pelas receitas

Todos os orçamentos têm uma parte referente às receitas e outra referente às despesas. É normal que as despesas sejam a nossa maior preocupação e sufoco. Por isso, temos alguma tendência a começar o orçamento escrevendo as despesas familiares. Contudo, esse é um erro de principiante. O orçamento começa sempre, sempre, sempre pelas receitas. Pois de nada serve termos noção dos gastos se não tivermos bem claro quais são as receitas mensais. Se não fizermos desta forma podemos correr o risco de assumir um determinado nível de despesas que não é suportável face às receitas que temos. É importante referir que as receitas não é apenas o vencimento. Em muitos casos temos de acrescentar receitas como abono, pensão, subsídio, prémios, entre outras possíveis. Por muito pequenos que possam ser estes valores não estamos em época de desprezar qualquer cêntimo que seja.

3)     Valores exatos – o dinheiro não desaparece

Por vezes dizemos expressões como “o dinheiro parece que desapareceu”, “não sei o que aconteceu a meu dinheiro. Sumiu-se!”. Mas isso não é possível! Sabe mesmo onde gastou o seu dinheiro? O dinheiro não tem propriedades mágicas que faça com que ele desapareça. O que pode acontecer (e acontece muitas vezes) é perdermos o rasto ao dinheiro. Mas ele não desapareceu! Nós é que não anotámos todas as entradas e saídas. Quem faz um orçamento familiar sabe responder ao cêntimo quanto gastou, por exemplo, em alimentação no mês passado. Quem não faz um orçamento tem uma noção desse valor, mas não sabe o valor exato. Não é igual dizer que tivemos gastos de 200 euros em alimentação no mês de janeiro ou dizer que tivemos 192,50 euros. Mais € 7,50 ou menos € 7,50 faz diferença em qualquer família.

4)     Atualização diária

Para garantir que os gastos não ficam esquecidos, considere como necessário atualizar diariamente o seu orçamento. No início do mês deve escrever uma previsão de quanto vai gastar em cada rúbrica, mas para garantir que não há desvios do que está previsto tem de ir atualizando diariamente, pois é diariamente que gasta dinheiro.

5)     Espírito crítico sobre nós próprios

Se ao fazer o cálculo “total das receitas - total das despesas” não gostar do valor que encontra não desanime! Acredite que cada mês poderá ambicionar estar numa situação melhor face ao mês anterior. Não podemos cair na atitude de conformismo, acreditando que a realidade é mesmo assim e que não podemos fazer nada para a alterar. É necessário ter um sentido crítico sobre nós próprios e adaptar a nossa vida financeira às novas circunstâncias. Não desejamos que os portugueses tenham uma vida sem qualquer tipo de prazeres e de gastos mais superficiais, mas acreditamos que há algumas despesas que assumimos como “obrigatórias” mas que não são assim tão necessárias para o nosso bem-estar. Porque precisamos de consumir para nos sentirmos melhor? Qual a razão para os portugueses investirem tanto tempo nos centros comerciais? Será que nos esquecemos de como aproveitávamos os tempos livres antes deste “boom” do consumismo? Podemos adaptar a nossa vida sem perder a alegria por isso. Basta alguma criatividade e sentido crítico sobre os nossos gastos.

6)     Ambicionar a mais

A última regra que queremos deixar para um melhor aproveitamento do orçamento familiar é para que o aproveite como uma ferramenta de crescimento das suas finanças. O orçamento oferece-lhe uma “fotografia” sobre a sua vida financeira, mas não devemos deixar que essa seja uma fotografia estática. O orçamento dá-nos os sinais e as orientações de onde podemos diminuir gastos e, quem sabe, encontrar formas de aumentar as receitas. Um orçamento familiar é uma ferramenta dinâmica que nos ajuda a adaptar a nossa vida às circunstâncias de cada momento.

João Raposo

info@doutorfinancas.pt

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