Stress, depressão, doenças coronárias e cancro são palavras assustadoras mas, cada vez mais, presentes nas nossas vidas.

A sociedade actual deixou-se enredar num sem número de situações indesejáveis e os nossos comportamentos são pautados por altos níveis de ansiedade e stress. As consequências dessa postura, garantem estudiosos e especialistas da temática, não são animadoras.

A boa notícia é que a forma como gerimos e controlamos as emoções podem, até certo ponto, funcionar como um escudo protector. Conheça o resultado de alguns estudos importantes nesta área e as opiniões de um psicólogo atento a esta temática.

«Uma vasta investigação científica permite-nos afirmar que é muito óbvia a ligação entre a mente e o nosso estado de saúde. Essa ligação é melhor entendida se estabelecermos uma relação entre os processos superiores da mente (pensamentos, percepções e significações da pessoa) e as suas consequentes respostas emocionais que têm uma forte influência no sistema imunitário», afirma Edgar Pereira, psicólogo.

Assim, respostas emocionais negativas muito fortes (como apreensão, medo ou tristeza), que ocorram durante muito tempo, acabam por afectar o nosso sistema imunitário, responsável pela identificação e supressão de agentes infecciosos externos.

Isto origina uma menor aptidão para desenvolver eficazmente a sua função, acabando por não conseguir evitar o desenvolvimento de algumas doenças.

O factor personalidade

É crescente o número de especialistas que defendem que existe também uma relação intensa entre a rapidez da evolução de uma doença e situações de desgaste ou choque emocional, sobretudo quando esses quadros são prolongados e vividos intensamente.

Há ainda estudos científicos que estabelecem fortes ligações entre certos estados de ansiedade e depressão e um aumento de risco de acidentes vasculares cerebrais e de doenças coronárias.

Segundo revela Edgar Pereira, «estes estudos, realizados pelos cientistas Meyer Friedman e Ray Rosenman, demonstraram correlações entre a personalidade e a doença cardíaca».

De acordo com estes autores existem dois tipos de comportamento, A e B, sendo que o primeiro (caracterizado por personalidades impacientes, competitivas e ambiciosas) é o que maiores riscos apresenta.

Terapias psicológicas

Actualmente, no tratamento de quadros como depressão ou ansiedade a utilização de fármacos é, em muitos casos, combinado com o recurso a terapias do âmbito da Psicologia. Embora as intervenções farmacológicas sejam uma «ferramenta» essencial da Psiquiatria e constituam uma ajuda determinante não alteram significativamente hábitos de pensamento.

Segundo Edgar Pereira, «são muitas vezes estes hábitos que constituem o material que vai ser analisado e melhorado nas sessões de terapia. Ao mudarem-se hábitos de pensamento, mudam-se também os níveis e a qualidade das reacções emocionais».

Veja na página seguinte: Como as emoções podem interferir no equilíbrio do seu organismo

«Por isso, torna-se mais fácil manter um melhor equilíbrio do sistema imunitário, ou seja, um melhor equilíbrio ao nível da saúde.

O objectivo é ajudar a pessoa a conquistar melhores competências de confronto com as diversas situações difíceis de vida», refere ainda.

Este é processo pode ser mais ou menos longo, em função da história e das experiências de cada pessoa, do grau do seu problema (grau dos sintomas) e da atempada terapêutica (psicofarmacológica ou psicoterapêutica) que foi feita.

A força do optimismo

Saber encarar a doença com garra, determinação e humor parece ser a chave para que esse caminho difícil se torne menos tortuoso e mais simples de percorrer. Olhar em frente e acreditar parecem ser regras fundamentais para que nos sintamos melhores e mais capazes de enfrentar os maus momentos.

Segundo Larry Dossey, médico e autor do livro «O extraordinário poder curativo das coisas simples», alguns estudos revelam que as pessoas optimistas adoecem menos e vivem mais tempo do que as que encaram a vida com uma atitude negativa.

O seu sistema imunológico parece, também, ser mais forte e o cardiovascular mais estável. Um dos resultados mais consistentes das pesquisas científicas é o de que pessoas com altos níveis de optimismo e esperança tendem a sair fortalecidas e a encontrar benefícios em situações traumáticas e stressantes.

Cancro da mama

Nos anos 90, uma pesquisa feita a mulheres que haviam sido operadas ao cancro da mama revelou que a sua atitude podia contribuir para aumentar as hipóteses de sobrevivência.

Em 1999, outro estudo concluiu que as mulheres que se sentiam mais tristes e desesperadas, depois do diagnóstico, tinham maior probabilidade de não superar a doença.

Para além do choque inicial, à medida que estas mulheres começam uma série de tratamentos deparam-se com outros desafios, nomeadamente ao nível das relações pessoais, sentindo-se quase sempre cansadas e preocupadas. Outras vezes, enfrentam a discriminação no emprego.

Uma vivência emocional negativa que pode prejudicar a sua recuperação. Segundo Cary Cooper, professor da cadeira Organisational Psychology and Health, na Universidade de Lancaster, o pensamento positivo e optimista pode, nestes casos, ser uma grande ajuda, assim como a possibilidade de se poder expressar sentimentos e falar com amigos e familiares:

«Estes comportamentos reduzirão o tamanho do tumor? Não sei dar uma resposta, mas sei que estas estratégias podem conduzir a um maior sucesso dos tratamentos a que estes pacientes estão sujeitos.»

Veja na página seguinte: Como aprender a interpretar os sinais do seu corpo

Sabia que...
A Psicologia Positiva investiga os processos subjacentes às qualidades e emoções positivas.

O seu principal objectivo passa pela descoberta de novos dados sobre a mente humana, não só para ajudar a resolver problemas de saúde mental, mas também para permitir alcançar melhor qualidade de vida e bem-estar.

Dica
A música pode moldar a mente, influenciar o nosso estado de espírito e aliviar o stress. Em momentos de maior ansiedade entregue-se aos seus ritmos preferidos e relaxe.

Ligação corpo-mente
Como as emoções podem interferir no equilíbrio do seu organismo*

    Asma
    Sentimentos de frustração e conflito são os que mais propiciam um ataque de asma.

    Coração
    Perturbações emocionais intensas são apontadas como um dos factores responsáveis por um súbito ataque cardíaco.

    Artrite
    Sentimentos de raiva, descontentamento e autocrítica favorecem esta doença. As mulheres são as mais vulneráveis, sofrendo quatro vezes mais do que os homens.

    Dores de costas
    A tensão nos músculos das costas, que conduz a dores nesta zona, é uma resposta ao stress emocional.

    Úlceras
    Sentimentos como ressentimento, culpa e frustração estão associados ao aumento de ácido no estômago, contribuindo para o aparecimento de úlceras.

    Insónias
    Perturbações emocionais causam insónias, impedindo que a pessoa durma as horas necessárias e o seu corpo descanse.

    Texto: Raquel Pires com Edgar Pereira (psicólogo)

    * Fonte In Mind/Body Health:The Effects of Attitudes, Emotions, and Relationships Hafen, B.Q., Karren, K.J., Frandsen, K.J. & Smith, N.J.

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