As mulheres, na sua maioria, não passam sem eles. São apaixonadas por saltos altos, fazem colecção, escolhem as cores consoante a roupa que vão usar em determinado dia… E o vestido a combinar com aqueles sapatos de salto alto que andaram a namorar dias a fio na montra de determinada loja? Amores à parte, são também eles os verdadeiros responsáveis pelo agravamento de doenças na coluna lombar e problemas noutras zonas do corpo. Já parou para assentar os pés na terra e pensar nisso?

A prevalência de dores na coluna lombar parece ser ligeiramente maior no sexo feminino, embora não seja claro se isto traduz realmente uma maior predisposição ou é apenas resultante de uma maior tendência das mulheres para reportarem esta sintomatologia.

“Das doenças da coluna vertebral, apenas a escoliose e as fracturas vertebrais osteoporóticas são claramente mais frequente no sexo feminino”, explica o Dr. Paulo Pereira, coordenador nacional da campanha Olhe pelas suas costas.

Para a saúde da coluna vertebral, a largura dos saltos é mais importante do que a altura dos mesmos. “Os saltos muito finos alteram a estabilidade do apoio do pé no chão e da passada e obrigam os músculos a compensar esse mau apoio, exercendo tensões bruscas sobre a coluna e os seus discos e ligamentos”, defende o especialista.

Com um salto de cerca de 2 centímetros, as cargas exercem-se de uma forma equilibrada sobre as partes da frente e de trás do pé. “Com 4 centímetros de salto, já cerca de 75% das cargas exercem-se sobre a parte da frente do pé, obrigando os músculos dos membros inferiores a compensar esse desequilíbrio e alterando a posição das articulações do joelho e da anca”, adianta. Com um calçado totalmente raso há um ligeiro predomínio das cargas sobre a parte posterior do pé, o que também pode provocar algum desconforto.

Calçado ideal procura-se

A leitora estará a perguntar neste momento: então o que devo calçar? Que sapatos devo usar no dia-a-dia? A resposta é fornecida pelo Dr. Paulo Pereira que indica que “o calçado ideal deve ser confortável, estar bem adaptado ao pé e ter dimensões adequadas em comprimento, largura e altura. Deve ter uma sola que permita a absorção de cargas e condicione um bom apoio do pé”. Além disso, deve permitir que o pé “respire”, absorvendo a humidade do pé. “O salto deve ter uma base larga e, de preferência, altura não superior a 4 centímetros.”

É importante referir, contudo, que a altura dos saltos por si só não provoca dores de costas. O que acontece é que contribui para a sua perpetuação e agravamento em pessoas com problemas na coluna lombar. “Portanto, uma senhora com dores nas costas deve realmente evitar saltos altos e finos. Quando não há queixas relacionadas com a coluna nem desconforto associado ao uso de saltos altos não temos motivo para contra-indicar o seu uso no que diz respeito à patologia da coluna”, explica Paulo Pereira. Contudo, os saltos altos alteram também a posição das articulações do tornozelo, joelho e anca, podendo contribuir para problemas nestas zonas.

Inimigos da coluna

A vida sedentária e a falta de exercício físico contribuem para o desgaste da coluna vertebral. “De igual modo, posturas incorrectas durante a actividade profissional e actividades da vida diária e o excesso de peso causam sobrecarga e tensões sobre estruturas da coluna vertebral e contribuem para o aparecimento ou manutenção de sintomas”, destaca Paulo Pereira.

A obesidade é um dos maiores inimigos da coluna, “dado que a substituição dos músculos por gordura enfraquece-os e consequentemente faz aumentar as cargas sobre os discos e ligamentos”.

Períodos adequados de repouso e de sono são fundamentais para a manutenção de uma coluna saudável. “Em contrapartida, posturas incorrectas durante o sono, como as que ocorrem quando se dorme em sofás, colchões macios ou sobre almofadas, podem provocar zonas de sobrecarga sobre a coluna e os músculos e prejudicar a estabilidade da coluna vertebral”, conclui Paulo Pereira.

Já olhou pelas suas costas hoje?

A campanha “Olhe pelas Suas Costas” é uma iniciativa inédita em Portugal que visa sensibilizar a população em geral para as dores nas costas, alertar para as suas consequências na vida pessoal e profissional dos portugueses e educar sobre as formas de prevenção e tratamento existentes.

Um estudo efectuado em Portugal em 2009 revelou que 72,4% dos inquiridos referiu sofrer de dores nas costas, mas 41,7% nunca tinha ouvido falar de doenças relacionadas com este problema. Além disso, muitos dos inquiridos demonstraram ter informações incorrectas relacionadas com as dores nas costas, o seu diagnóstico e tratamento.

Estes factos motivaram o lançamento da campanha “Olhe pelas Suas Costas”, promovida pela Sociedade Portuguesa de Patologia da Coluna Vertebral, em parceria com a Sociedade Portuguesa de Ortopedia e Traumatologia, Sociedade Portuguesa de Neurocirurgia, Sociedade Portuguesa de Medicina Física e de Reabilitação e Associação Portuguesa dos Médicos de Clínica Geral, com o apoio da Medtronic. Para mais informações, aceda a www.olhepelassuascostas.com

Texto: Cláudia Pinto

A responsabilidade editorial e científica desta informação é do jornal

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