Recebeu um e-mail que fala da aplicação de agulhas na iminência de um AVC, de forma a evitar consequências mais graves? A revista Prevenir falou com os melhores especialistas para esclarecer a veracidade deste alerta.

A informação que tem vindo a circular descreve os passos que se devem seguir na presença de uma pessoa que esteja a ter um acidente vascular cerebral (AVC).

Afirma que se o paciente for levado de imediato para o hospital, as consequências do derrame serão mais graves porque os vasos capilares do cérebro podem romper com a turbulência da viagem. Por isso, para evitar potenciais mazelas, este e-mail (anónimo, ainda que com a referência de dois especialistas desconhecidos de medicina chinesa) recomenda a utilização de uma agulha esterilizada, espetando-a nos dedos das mãos até que sangrem.

Depois, deve-se puxar as orelhas para irrigar a zona e, ainda, picá-las para que sangrem também. Segundo a informação, o paciente deverá recuperar o estado normal em alguns minutos, sem quaisquer sinais ou consequências do AVC.

A verdade

A Sociedade Portuguesa de AVC, pela voz do presidente Castro Lopes, não hesita em afirmar que «a informação veiculada não tem qualquer fundamento de verdade». Por isso, alerta a população «para o perigo destas mensagens enviadas de forma anónima, cujos conselhos podem mesmo ser fatais». Perante os sintomas de um AVC, a única atitude correcta é ligar para o 112, procedendo a um «encaminhamento rápido para um hospital que tenha uma unidade de AVC». Se o tratamento decorrer nas três horas seguintes, os doentes poderão ficar sem quaisquer sequelas. Pelo contrário, o atraso na chegada ao hospital só «aumentará as possibilidades de morte e de incapacidades graves».

Por outro lado, o conhecido especialista Pedro Choy reconhece que «a medicina chinesa pode combinar alguns pontos de acupunctura de
emergência para ajudar a resolver um AVC», sublinhado que, «na China, as
equipas de emergência recorrem à acupunctura e a ervas chinesas, por via
endovenosa, para socorrer pessoas durante um AVC».

Segundo o
especialista, «a acupunctura pode promover a desagregação do  trombo e
repõe a circulação cerebral, enquanto ajuda a combater o edema da região
cerebral atingida ou a drenar a hemorragia».

No entanto, alerta que é necessário
«ter a certeza que a pessoa está realmente a ter um AVC» e que este
tratamento «só está indicado em casos de AVC hemorrágico (sendo
contra-indicado no isquémico, vulgo trombose), o que só é possível
confirmar com Imagiologia de topo (RMN e ou TAC)». Para além disso,
«estes pontos de acupunctura não são necessariamente nos dedos, com
sangramento, ou nas orelhas, onde existem 370 pontos diferentes».

Motivo
pelo qual estes socorros  apenas podem ser feitos por quem recebeu um
«treino altamente especializado», visto que «a localização dos pontos
de  acupunctura e a própria aplicação de agulhas são actos que requerem
treino e precisão, podendo causar efeitos indesejados e prejudicar a saúde do doente se aplicados incorrectamente». Pedro
Choy recorda ainda que «numa emergência, um erro pode ser a diferença 
entre a vida e a morte», por isso o seu conselho é o de ligar para o 112
e seguir as instruções do INEM.

Texto: Ana Catarina Alberto
com Castro Lopes (presidente da direcção da Sociedade Portuguesa de
AVC) e Pedro Choy (médico especialista em Medicina Chinesa e
Acupunctura)

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