O tema das infeções ginecológicas suscita sempre muitas dúvidas entre as mulheres. É importante começar por explicar o que é uma infeção ginecológica. Trata-se de uma infeção que ocorre na vagina e/ou nas trompas.

As mais comuns são as infecções por fungos que têm origem num fungo, normalmente  presente no ambiente vaginal, que se pode tornar num agente infeccioso por desequilíbrio do ecossistema vaginal.

Estas infeções surgem quando ocorre uma descompensação da flora vaginal que torna estes fungos, naturalmente presentes no organismo, em agentes de infeção, podendo ser sexualmente transmissíveis. «Cerca de 80 a 90% dos casos são devidos à Candida albicans (gerando a conhecida candidíase) e apenas 10 a 20% estão relacionados a outras espécies chamadas não-albicans (C. tropicalis, C. glabrata, C. krusei, C. parapsilosis)», refere a ginecologista Madalena Barata.

Para além disso, há ainda a considerar algumas infeções ginecológicas de transmissão  sexual causadas por agentes infeciosos externos ao organismo, como a sífilis, as  hepatites B e C ou o HIV, que se tornam doenças sistémicas por atingirem todo o organismo.

Quais os fatores de risco?

As causas das infeções ginecológicas são todas as que possam modificar a flora vaginal e potenciar uma descompensação dos agentes naturalmente presentes. A especialista Madalena Barata refere que existem vários fatores que modificam a composição do meio vaginal, podendo predispô-lo às infeções, como «o uso de contracetivos orais de altas dosagens, espermicidas, a frequência do ato sexual, ou parceiros sexuais  infetados, o uso de pensos diários e desodorizantes vaginais, roupas sintéticas apertadas e a toma de antibióticos de largo espectro ou de outros medicamentos com ação imune ou endócrina».

Para além disso, as estirpes fúngicas estão «também associadas a doenças
sistémicas que debilitam o organismo, nomeadamente a diabetes
(descompensada)».

Ainda assim, «quer a má higiene quer a higiene
excessiva com realização de duches ou lavagens vaginais constantes
perturbam o bom equilíbrio do ambiente vaginal, podendo  estabelecer ou
agravar infeções», esclarece a ginecologista.

Quais os sintomas mais comuns?

Os sintomas são extremamente incomodativos e perturbam o dia a dia da mulher, que deverá recorrer de imediato a um médico. Entre esses incluem-se queixas vulvares de prurido ou comichão, ardor e maceração da pele vulvar.

Essas manifestaçãoes, juntamente com dores nas relações sexuais associadas a um corrimento branco e grumoso (sem odor específico), são os sintomas mais claros. Com o desenvolvimento da infecção pode ocorrer uma inflamação vulvar exuberante com edema, rubor e fissuras.

É grave?

Uma infeção ginecológica provocada por um fungo não será grave desde que tratada de imediato. É uma infeção muito comum entre as mulheres (pelo menos 50% terão no mínimo uma recorrência uma vez na vida), mas considera-se grave se ocorrer mais do que quatro vezes num ano. As estirpes fúngicas podem evoluir e tornar-se resistentes à medicação caso ocorram com muita frequência. Para além disso, por exemplo, «a clamídia ou o gonococus são infeções que podem ter como consequência a  infertilidade», alerta Madalena Barata.

Como prevenir?

- A lavagem deve ser frequente e abundante
(duas vezes por dia), desde que com os produtos farmacológicos adequados
à sua idade.

- Não use produtos de lavagem que alterem a flora vaginal,
como perfumes ou desodorizantes íntimos, e evite o contacto vulvar com
substâncias alergénicas ou irritantes.

- Evite roupa sintética demasiado justa, e prefira peças que potenciam «a ventilação e não aumentem a humidade e o calor local».

-
Dispense os pensinhos que, se forem usados todos os dias, alteram a
flora vaginal, tornando-a «num lugar mais húmido, quente e fechado,
ideal para o desenvolvimento de fungos», refere ainda a ginecologista Madalena Barata.

- Evite o uso de roupa interior demasiado reduzida, como lingerie tipo fio dental, porque provoca «um atrito na zonam genital» e dá pouca proteção.

-
Na praia ou na piscina, evite manter o biquíni molhado junto ao corpo,
principalmente em caso de águas não higienizadas. Em caso de dúvida,
tome um duche rápido com água limpa ou troque de biquíni.

Infeção ginecológica versus infeção urinária

Ao nível do desconforto, uma infeção urinária é facilmente confundível com uma infeção ginecológica provocada por um fungo mas as infeções urinárias envolvem  obrigatoriamente o trato urinário, embora possam estar associadas a uma vulvovaginite (inflamação dos tecidos da vagina e vulva), por exemplo.

«A uretra feminina mede apenas 4 cm e, pela sua proximidade com a vagina, pode ter uma reação inflamatória de proximidade, dando sensação de ardor ao urinar», explica a especialista.

Os sintomas que distinguem as infeções urinárias têm a ver com as idas constantes à casa de banho, bem como a dor ao urinar. Para além disso, a comichão e o ardor localizam-se principalmente na vulva e no períneo, e não na vagina (como acontece nas infeções ginecológicas).

Por outro lado, uma infeção urinária e uma infeção ginecológica podem coexistir ou ser consequência uma da outra, uma vez que o tratamento antibiótico da infeção urinária «pode desequilibrar a flora vaginal com destruição dos bacilos de Doderlein (protetores da flora vaginal) e, consequentemente, causar uma infeção por fungos», refere Madalena Barata.

Como prevenir?

A regra está em beber, pelo menos, um litro e meio de água por dia. Para além disso, deve fazer por «urinar com frequência para não haver urina de estase (paralisada) na bexiga, potenciando o ataque bacteriano», recomenda a ginecologista.

Texto: Ana Catarina Alberto com Madalena Barata (ginecologista e diretora do Centro de Medicina de Reprodução do British Hospital Lisbon XXI)

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