Depois de mais de 30 anos de tabagismo, deixou de fumar. Na Gala da Operação Triunfo de 29 de setembro de 2007, transmitida em direto na RTP, a atriz Ana Bola aceitou o desafio do amigo e colega Diogo Infante para deixar de fumar.

Cada vez mais consciente dos malefícios do tabaco, Ana Bola achou que estava na altura de parar de fumar. Na sua decisão pesou, sobretudo, a vontade de preservar a sua saúde, «eliminando riscos que são perfeitamente dispensáveis, como o tabaco».

«O tabaco é uma droga tão perigosa como outra qualquer, com a desvantagem de ser aceite socialmente e de só se bater no fundo quando já se está todo entubado no hospital», sublinha a atriz. Longe do tabaco, Ana Bola espera, assim, «acrescentar um bónus à vida». «Deixando de fumar, em princípio, se não me acontecer nada de extraordinário, estarei a ganhar alguns anos de vida, o que, aos 55 anos, francamente, me dá algum jeito, porque tencionava cá ficar muito tempo e de preferência com qualidade de vida, porque sem qualidade de vida não faz sentido nenhum», refere.

O adeus ao tabaco faz parte de um estilo de vida saudável que Ana Bola procura seguir cada vez mais. «Da mesma maneira que, hoje em dia, tento fazer uma alimentação mais racional ou tento conduzir mais devagar, ou seja, que tento eliminar alguns riscos, era inevitável deixar de fumar», admite. «O tabaco tem milhares de substâncias tóxicas, que não só provocam o tão famoso cancro do pulmão, como outro tipo de cancros e outros problemas de saúde», aponta.

Para além disso, «no meu caso e das mulheres na menopausa, a combinação do tabaco com o tratamento de substituição hormonal é uma bomba-relógio, tal como é com os anti-concepcionais. Portanto, não há uma única boa razão para não deixar de fumar». E assume que só não o fez antes porque, «deixar de fumar é uma decisão muito complicada e difícil. Embora nunca tenha sido uma grande fumadora (fumava em média 10 cigarros por dia), significou largar um vício de mais de 30 anos», enfatiza a atriz.

3 bons motivos para deixar de fumar

Esta não é a primeira vez que Ana Bola tenta deixar de fumar, mas está convicta de que vai ser a última. «Já estive um ano sem fumar e, durante esse ano, engordei 10 quilos. Desatei logo a fumar outra vez», lamenta.

Mas parte do fracasso dessa primeira tentativa ficou também a
dever-se, na sua opinião, à vida agitada da sua atividade profissional. «Este tipo de trabalho que tenho, com ensaios até muito tarde, também é muito complicado», conta.

«Para além disso, os atores, ao contrário do que as pessoas, pensam são criaturas, de uma maneira geral, tímidas e o cigarro funciona muito bem socialmente para ocupar a mão, para encobrir a timidez», justifica. A decisão de voltar a deixar de fumar (desta vez definitiva, garante!) foi motivada por um conjunto de circunstâncias, mas teve muito a ver, conforme diz, «com o facto de eu ter 55 anos e ter percebido finalmente que não sou imortal, que é uma coisa que leva tempo [risos]».

Para além disso, Ana Bola teve três grandes incentivos:

  • O incentivo dos mais novos
    «Os miúdos, hoje em dia, acham uma anormalidade os adultos fumarem. Cada vez que eu puxava de um cigarro, a minha neta olhava para mim como quem diz esta minha avó é maluca e dizia-me avó, não fumes. Comecei a pensar nisso, porque tenciono estar com ela cada vez mais», confessa.
  • A pele agradece
    «Sei que o tabaco é um dos maiores inimigos da pele, portanto essa é também uma razão para deixar de fumar, porque gostava de envelhecer fisicamente de forma natural, com uma certa harmonia, tratando da pele e do corpo, mas sem recorrer ao bisturi», confidencia.

  • O exemplo do amigo Diogo Infante
    «O facto de o Diogo ter deixado de fumar também me ajudou imenso. Fui acompanhando o processo dele e via-o cada vez mais bem disposto, nada stressado, com uma pele mais maravilhosa, sem engordar... Foi um grande incentivo, até porque ele fumava muito mais do que eu, portanto, pensei que, se ele conseguiu, eu também vou conseguir», recorda.

O primeiro mês

Visivelmente bem disposta, contrariando a ideia de ansiedade que normalmente se associa a quem está a tentar deixar de fumar, Ana Bola revela que o primeiro mês sem tabaco decorreu sem contratempos. «Sabe que não me custou muito?», confidencia.

«Não vou dizer que não pensei nos cigarros, principalmente nos rituais associados ao cigarro (como fumar depois de jantar) mas não foi nada que me fizesse ressacar, nem foi uma coisa que me deixasse a stressar.

Encarei isso muito bem. É uma nova forma de viver e acredito que daqui a um, dois ou três meses já esteja perfeitamente adaptada a esta rotina. Estou mesmo convencida que não vou voltar a fumar», assegura. Ainda assim, enumera as duas maiores dificuldades por que passou neste primeiro mês:

A seguir ao jantar

«O período depois do jantar é um bocadinho complicado. Aquele ritual de me sentar finalmente no sofá a descansar e ficar ali com as mãos paradas faz um bocadinho de confusão», sublinha. Para resistir ao apelo desse ritual,
socorreu-se dos conselhos da médica que a acompanha. «Neste programa de cessação tabágica que estou a seguir não se deixa de fumar assim de repente, toma-se lá umas coisitas [um medicamento] e vai-se deixando gradualmente de fumar», afirma.

«Depois marca-se um dia em que se deixa de fumar e o que ela me aconselhou foi não me sentar no sofá a seguir ao jantar na fase em que eu ainda fumava», desabafa. «Comecei a acabar de jantar e ir fumar o cigarro a outro sítio qualquer, e de preferência com a mão esquerda para cortar um bocadinho com o hábito. Não sei se foi isso que me fez resistir, mas pelo menos, psicologicamente, é uma coisa que ajuda», considera.

Vida social

Embora não saia muito, socialmente, quando o faz é confrontada com a tentação de fumar. «Nos intervalos de espectáculos ou nas estreias (normalmente há um cocktail a seguir), toda a gente bebe e fuma, e aí é um bocadinho complicado». Como faz para resistir? «Nada, bebo um copo e fico a ver os outros a fumar», afiança.

Os conselhos de Ana Bola

«Acho que não tinha um êxito tão grande na minha vida, desde que participei ao mundo que tinha deixado de fumar», revela Ana Bola.

«A quantidade de pessoas que me aborda na rua é inacreditável», admite.

«Acho que há muita gente que já tomou consciência de que o tabaco é realmente uma substância perigosa e quer deixar de fumar», acrescenta ainda a atriz.

Especialmente para essas pessoas (futuros não fumadores), aqui ficam os truques de Ana Bola para deixar de fumar:

Decidir

«O mais importante é tomar a decisão que quer deixar de fumar, caso contrário não há programa de cessação tabágica que funcione. Deixar o tabaco é como deixar outra droga qualquer. Enquanto a pessoa dependente não tomar a decisão de deixar de consumir, não deixa de consumir», sublinha.

Falar com o médico de família

«O acompanhamento médico é fundamental, pois dá indicações e ajudas para deixar de fumar. Os agarrados à heroína também não decidem amanhã já não me drogo e já está, têm de ser internados e devidamente acompanhados», considera.

Ajuda externa

«Hoje em dia, deixar de fumar sem ajuda é um bocadinho como parir sem epidural: não é preciso! Há vários tipos de ajuda externa [medicamentos] que ajudam a compensar a ausência do cigarro nesta primeira fase, que é realmente a mais difícil (depois, como tudo na vida, a gente habitua-se)», assegura a atriz.

Cuidado com a alimentação

«Quando se deixa de fumar, tem que se ter algum cuidado com a alimentação até o corpo perceber que deixou de ter aquela substância que também queima calorias», relembra Ana Bola.

Fazer as contas e depositar num mealheiro o dinheiro que gastava 

«É um truque que, por vezes, funciona com os grandes fumadores», sustena a atriz, que já trabalhou com grandes nomes da comédia em Portugal como Herman José, Joaquim Monchique, Vítor de Sousa e Maria Rueff, criando personagens cómicas que ficaram para a história.

Reduzir só para parar

«Reduzir não tem grande interesse. Hoje sabe-se que fumar pouco é igualmente mau. Interessa reduzir, se for depois para deixar de fumar. Para além disso, nunca vi ninguém a reduzir e a ficar a fumar definitivamente um ou dois cigarros por dia», critica Ana Bola.

Evitar ambientes com fumo

«Não sou tão fundamentalista ao ponto de empurrar toda a gente à minha volta que esteja a fumar, mas se eu perceber, em qualquer altura, que o facto de estar misturada com pessoas que fumam à minha volta me pode levar a fumar outra vez, vou evitar esses ambientes», recomenda ainda.

Texto: Fernanda Soares

Foto: Estúdios António J. Homem Cardoso

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