E, de repente, o mundo parou – em muitas latitudes, setores de atividade e esferas de ação - por uma questão de saúde. Começa agora a reinventar-se. Vimos - porque nos entrou diariamente pelo quotidiano dentro - que, em situações extremas, o Estado e o setor privado colaboram mais estreitamente, de modo ágil, para reforçar o setor da saúde. Formal e informalmente. De modo vinculativo e consultivo.

Assistimos ao retomar de algumas parcerias público-privadas. À partilha e realocação de recursos. Mas também à reflexão conjunta, à análise prospetiva, no pouco tempo que resta do que se dedica a acudir ao surto pandémico.

Foi neste contexto que se inseriu, por exemplo, o debate sobre o futuro da gestão de dados neste setor essencial, no Health Data Forum, uma cimeira online que juntou recentemente cerca de 42 especialistas das áreas da saúde e tecnologia, bem como representantes de entidades públicas nacionais e internacionais.

Principal conclusão a destacar: a importância da colaboração e partilha de dados no setor da saúde.

Da conclusão fundamental deste evento de que a GS1 Portugal foi parceira, decorre a relevância de uma gestão de qualidade dos dados e da informação no setor, impõe-se uma análise das oportunidades que essa gestão oferece, em termos de ganhos em eficiência. No fundo, como caminhar para um futuro em que será possível dar uma resposta cada vez mais eficiente e qualitativa na prestação de cuidados de saúde às populações; em que o indivíduo estará devidamente caracterizado, em termos das suas necessidades de cuidados e condição, e essa caracterização será acessível a todos os interlocutores no sistema de saúde que sabem, cada um na sua especialidade, como encaminhar e dar resposta; em que a informação não se perderá ou não terá de se reconstituir a cada ato médico ou prestação de cuidados.

Todos estes exemplos, e muitos mais, dependem da possibilidade de codificação de todos os produtos e processos no sistema de saúde e dependem de uma gestão eficiente dos dados disponíveis. Farão talvez falta mais casos que atestem o respetivo potencial de eficiência. Em Portugal, dispomos, por exemplo, do caso de estudo do Hospital Dr. José de Almeida, do Grupo Lusíadas Saúde, de Cascais. Nesta unidade Hospitalar, em 2016, foi implementado o sistema integrado do medicamento, assente na codificação, em parceria com a GS1 Portugal.

Este sistema permitiu concluir que a adoção de codificadores únicos no circuito do medicamento, em contexto hospitalar, permite uma redução de 28% no tempo médio gasto na administração de medicamentos pela equipa de enfermagem por utente. O que permitiu que cada enfermeiro, por turno de oito horas, passasse a dispor de mais 22 minutos e meio para a prestação de cuidados assistenciais e para o relacionamento com o doente, libertando-se de procedimentos administrativos.

São precisos mais exemplos. É preciso ousar fazer, se é de ousadia que se trata. O tema da gestão de dados na saúde remete-nos, assim, para outras questões que dizem respeito a todos nós e que estão na ordem do dia – desde os mecanismos elementares da iniciativa, à transformação digital de toda a cadeia de valor do setor da saúde, de forma a que possa utilizar standards globais.

Não seria necessário um cenário tão extremo como estímulo à reflexão sobre como podem os nossos sistemas de saúde otimizar a eficiência. Mas porque os tempos são de reinvenção, temos um contributo: standards. E uma proposta, que ganha atualidade num momento em que se assinalam os 15 anos de intervenção da GS1, a nível global, no setor da saúde: gestão qualitativa de dados.

Um artigo de João de Castro Guimarães, diretor executivo da GS1 Portugal.

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