Muitas doenças ginecológicas são silenciosas, só apresentando sintomas numa fase muito avançada em que o tratamento pode já ser tardio. «Todas as mulheres devem fazer exames de rotina, mesmo antes do aparecimento de qualquer sintoma», recomenda mesmo Fátima Palma, ginecologista e obstetra. Mas há também sinais de alarme que não pode ignorar e que são fortes motivos para procurar um especialista sem pensar duas vezes. Indicamos-lhe cinco. Esteja atenta às recomendações da especialista:

1. Perdas de sangue vaginal

«Perder sangue, sem se estar a tomar contracetivos, fora da altura da menstruação é um sintoma anormal», alerta Fátima Palma. «Podem ocorrer durante a toma da pílula tradicional pequenas hemorragias, por esquecimento da toma, alterações na sua absorção ou no ínicio da sua toma. Se a mulher toma a pílula só com progestativo ou usa um implante contracetivo, os ciclos deixam de ser regulares», podendo ocorrer perdas irregulares.

Uma hemorragia vaginal pode ter diversas causas, nomeadamente traumatismo, lesão do colo do útero, pólipo, mioma (tumor benigno) ou cancro do colo do útero. «A causa mais frequente é, geralmente, uma disfunção hormonal. Caso não seja, há que investigar se existe uma causa orgânica», indica a especialista.

A perda de sangue fora do período menstrual, na idade fértil, «tem na maioria das vezes uma causa hormonal. Já na menopausa, a hemorragia tem, quase sempre, uma causa orgânica, como um pólipo, fibromioma ou carcinoma do endométrio». «Na mulher em idade fértil, uma hemorragia que decorra da relação sexual é muito relevante pois pode alertar para uma lesão do colo do útero que deve ser avaliada rapidamente», sublinha Fátima Palma.

2. Nódulo no peito

O autoexame da mama deve ser feito todos os meses, logo após o fim da menstruação. Permite detetar antecipadamente características anómalas, como nódulos, sendo um aliado contra o cancro da mama, uma patologia muito frequente na mulher e com uma incidência aumentada a partir dos 40 anos. Se, ao fazer o autoexame da mama, detetar um nódulo não entre em pânico.

Como explica Fátima Palma, «há fases em que a mama está diferente devido às alterações hormonais».  «Também pode estar perante um tumor benigno ou um quisto, mas todas estas situações têm tratamento», esclarece ainda. Mantenha-se calma, mas procure, logo que possível, o seu médico de medicina geral ou familiar ou o ginecologista. «Um nódulo pode ser preocupante, mas o médico fará o exame clínico e prescreverá, se achar necessário, uma ecografia ou uma mamografia, consoante a idade da mulher, para despiste de patologia», esclarece Fátima Palma.

Veja na página seguinte: Outros sinais que podem indiciar perigo

3. Dor na menstruação

A dismenorreia (dor na menstruação) é um sintoma frequente mas nem sempre leva as mulheres a agendar uma consulta de ginecologia, dado que a maioria encara a situação como natural. «Por hábito, só o fazem quando a dor é muito incapacitante», afirma a ginecologista. A dismenorreia primária (dor associada à menstruação sem origem patológica) resulta da produção de prostaglandinas que promovem a contração do útero para renovar o endométrio (membrana mucosa que reveste o interior do útero e que todos os meses descama).

Trata-se de um processo normal e pode ser tratado com anti-inflamatórios ou a pílula. A causa mais frequente da dismenorreia secundária (dor na menstruação originada por uma doença) é a endometriose, uma das principais causas de infertilidade feminina.
Nesta doença, «o endométrio pode estar presente noutras zonas do organismo (bexiga ou outras regiões do abdómen). Na menstruação, essas zonas também descamam e as dores são muito fortes». Caso as dores menstruais sejam muito intensas ou incapacitantes deve fazer exames «para avaliar se existe uma doença associada», aconselha Fátima Palma, ginecologista.

4. Comichão vaginal

«A causa mais frequente do prurido vulvar é uma infeção vaginal provocada por um fungo que faz parte da flora habitual mas que, nalgumas circunstâncias, tem um crescimento anormal», conta Fátima Palma. As alergias também podem ser provocadas pelo uso de pensos diários que impedem a ventilação.

Também não devem ser usados, por rotina, desinfetantes para a higiene íntima. Prefira produtos neutros, salvo indicação médica em contrário. Evite ainda a lingerie sintética. Aumenta a humidade vaginal e favorece a comichão. Use ainda, preferencialmente, peças de algodão.

5. Ciclo irregular

«Logo a seguir à primeira menstruação (menarca), é normal que durante dois anos os ciclos fiquem irregulares. A partir daí, cada mulher vai adquirindo o seu ritmo», descreve Fátima Palma. «Deve ser considerado sinal de alarme uma alteração do padrão menstrual normal, ou seja, se menstrua habitualmente todos os meses mas repentinamente passou a menstruar de duas em duas semanas ou deixou de menstruar, deve procurar o seu médico para avaliar a situação», aconselha Fátima Palma.

«Se o intervalo entre as menstruações for muito longo ou muito curto, mesmo durante os dois primeiros anos, pode haver necessidade de realizar uma investigação», refere a ginecologista. Procure um médico se o corrimento estiver associado a coloração castanho-escuro, cheiro muito desagradável, ardor genital intenso, comichão e/ou um prurido intenso vaginal.

Veja na página seguinte: Quando ir ao ginecologista?

Quando ir ao ginecologista?

Cerca de um ano após o aparecimento da menstruação ou quando se decide iniciar a vida sexual é importante ir a uma consulta de ginecologia ou falar do tema com o médico de medicina geral e familiar. Recomenda-se a todas as mulheres a realização de uma consulta de ginecologia anual. Caso na sua família existam casos de doenças ginecológicas hereditárias, como cancro do ovário e cancro da mama, é importante que a vigilância seja mais regular.

A partir dos 25 anos, as mulheres devem iniciar o rastreio do cancro do colo do útero (colpocitologias). Inicialmente, este exame deve ser realizado uma vez por ano. Se, ao fim de três anos, os resultados tiverem sido sempre negativos, pode realizá-lo de dois em dois anos. Aos 40 anos, deve começar a submeter-se a uma mamografia anual.

Texto: Cláudia Pinto com Fátima Palma (ginecologista e obstetra)

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