Há muitos anos que, enquanto docente da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, discuto com os alunos a importância da redução do consumo de carne e, o simultâneo, aumento do consumo de produtos hortícolas. Este facto é relevante não apenas do ponto de vista nutricional, mas também no contexto mais alargado, a nossa responsabilidade, enquanto consumidores, nas escolhas que fazemos “amigas” do planeta.

No âmbito da restauração, a redução nas doses de carne não é um tema fácil, pois culturalmente está muito arreigada a ideia de que o mais importante numa refeição é o elemento fornecedor de proteína, ou seja, o tamanho do bife ou a quantidade de carne servida. Acresce que não é incomum que estabelecimentos de restauração coloquem ênfase na gramagem de carne servida. Isto em quantidades que, normalmente, apresentam um mínimo de 200 g. Uma enormidade.

Tomando como exemplo a Roda dos Alimentos, devemos apontar para um consumo máximo diário de carnes/pescado ou ovos)de 135 g

No mesmo sentido, atualmente, sobem em popularidade os produtos alimentares enriquecidos ou fontes de proteína, o que é um absoluto despropósito, pois as necessidades proteicas diárias são muito inferiores daquelas que a população julga precisar. Logo, o consumo por parte da população em geral é muito superior aquele, de facto, necessário.

Tomando como exemplo a Roda dos Alimentos, devemos apontar para um consumo máximo diário de carnes/pescado ou ovos) de 135 g, valor que fica muito abaixo do atual consumo.

Estas recomendações estão em linha com outros guias alimentares como o Healthy Eating Plate de Harvard  ou o novo Guia Alimentar Canadiano.

Consideração existir uma cada vez maior preocupação com a saúde e o enfoque dado à questão da sustentabilidade alimentar, há que mudar mentalidades e preconceitos relativamente à dieta. Com o objetivo de fomentar o consumo e dar maior destaque aos hortícolas e vegetais, porque não começar, na restauração, pelo descritivo do que vai aos pratos? Ou seja, não mencionar a carne, ou peixe, em primeiro lugar, antes enunciando prioritariamente os hortícolas e acompanhamentos.

 Com o objetivo de fomentar o consumo e dar maior destaque aos hortícolas e vegetais, porque não começar, na restauração, pelo descritivo do que vai aos pratos?

Teríamos, aqui, a oportunidade de inovar, olhando numa nova perspetiva para aquilo que comemos. Atribuiríamos a devida importância aos alimentos de origem vegetal, essenciais para a saúde do nosso planeta e para a saúde dos indivíduos.

Teriam, também, os chefes de cozinha a oportunidade de explorar estes alimentos nas suas infinitas variedades, com a vantagem de tornar os pratos muito mais atraentes, coloridos, diversificados nos sabores.

Cláudia Viegas
Nutricionista e docente

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