Estados Unidos, Japão, Singapura, Coreia do Sul, Alemanha, França, Reino Unido, Espanha e Portugal, entre outros, decidiram organizar planos de retirada de pessoas da capital da província de Hubei, com 56 milhões de habitantes e que as autoridades sanitárias chineses mantêm isolada "do resto do mundo" no sentido de controlar o contágio.

“O risco de deixar cidadãos no epicentro de uma epidemia mundial é elevado devido aos problemas que se podem levantar ao nível dos recursos no local”, adverte Paul Tambyah, especialista em doenças infeto contagiosas na Universidade Nacional de Singapura.

Mas as operações para retirar as pessoas também envolvem riscos e exigem atenções especiais, alertam também especialistas.

De acordo com Wang Linfa, diretor do programa sobre doenças infeto contagiosas da faculdade de Medicina da Universidade Duke-NUS, Singapura, as autoridades devem isolar “meticulosamente” os aeroportos para que o contágio não atinja as equipas logísticas envolvidas na retirada de pessoas porque o “risco é enorme”.

Por outro lado, a Associação Internacional de Transportes Aéreos (Iata) refere que o risco de contágio a bordo de um avião não é semelhante ao que pode acontecer em outros espaços fechados como autocarros e comboios.

“O risco de contágio é mais fraco a bordo de um avião do que em outros espaços fechados porque os aparelhos modernos têm sistemas de filtragem de alta eficácia”, indica a organização.

Para evitar o contágio a companhia de Singapura Scoot, que repatriou 92 pessoas para a cidade-estado na quinta-feira, recorda que forneceu máscaras cirúrgicas a todos os passageiros.

A tripulação, frisa a empresa Scoot, deve estar munida de máscaras N95 com um nível de proteção mais elevado, assim como deve usar luvas.

Para limitar os contactos físicos, as refeições devem ser colocadas previamente nas cadeiras.

Outra medida a tomar é a medição da temperatura dos passageiros sendo que aqueles que têm febre não devem embarcar no avião.

O protocolo de retirada de pessoas neste contexto indica que cada pessoa deve ter ao lado uma cadeira vazia para que se verifique uma melhor circulação de ar, disse ainda Paul Tambyah.

Outra questão que se levanta está relacionada com a quarentena sendo que os períodos de isolamento a que as pessoas devem ser sujeitas variam de país para país.

O Japão pediu às pessoas que já foram retiradas da República Popular da China para ficarem “voluntariamente” em casa, o que provocou críticas por parte da população.

Na Coreia do Sul, 18 cidadãos retirados de Wuhan foram conduzidos a hospitais após apresentarem os sintomas do vírus.

Os franceses e os britânicos vão permanecer de “quarentena” durante 14 dias após o regresso aos respetivos países de origem e os primeiros norte-americanos que já saíram vão ficar três dias numa base aérea na Califórnia para onde foram transportados.

De acordo com os últimos estudos, o período de incubação do viris é de dois a 17 dias.

Segundo Wang Lifa, de Singapura, o período ideal de isolamento deve ser de duas semanas.

No processo em curso sobre as medidas de emergência que estão a ser levadas a cabo por vários países é preciso avaliar também a situação dos milhares de estrangeiros que continuam bloqueados em Wuhan.

De acordo com a France Presse, os estrangeiros que permanecem na cidade descrevem inquietação até porque o local está a transformar-se “numa cidade fantasma” com a maior parte dos estabelecimentos comerciais encerrados.

“É lamentável que os cidadãos naturais de países com ‘menos peso diplomático’ tenham que encontrar meios próprios para resolverem a própria situação”, disse Drew Thompson, especialista norte-americano em assuntos relacionados com a China.

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