Uma investigadora da Universidade do Minho (UM) desenvolveu um plano “inédito” para tratar os agressores conjugais, que inclui terapias em grupo, sendo agora o objetivo implementá-lo em todas as instituições prisionais do país, foi hoje anunciado.

Segundo Olga Cunha, o Programa de Promoção e Intervenção com Agressores Conjugais (PPRIAC) distingue-se dos planos já existentes pelo facto de ser constituído por diferentes modos de atuação, como entrevista motivacional, terapia cognitivo-comportamental e intervenção psico-educativa em grupo.

O plano já foi aplicado em vários indivíduos encaminhados por entidades judiciais e instituições de apoio e os resultados foram “bastante satisfatórios”, uma vez que “durante o período da sua aplicação cessaram os comportamentos abusivos para com as companheiras”.

Além disso, “ao nível das competências trabalhadas, verificou-se uma redução significativa das crenças legitimadoras do uso de violência em relações íntimas e um incremento relativamente às estratégias de resolução de problemas e da autoestima”.

“Os participantes identificaram a intervenção como fundamental na sua mudança”, esclarece a investigadora, acrescentando que serão em breve obtidas novas conclusões, nomeadamente no que diz respeito à reincidência dos atos de violência a médio e longo prazo.

O plano está a funcionar na Unidade de Consulta em Psicologia da Justiça da UM, em Braga, tem uma duração de um semestre e uma frequência semanal.

Engloba seis sessões individuais e dezoito reuniões em grupo.

Olga Cunha sublinha que o programa “abandona a visão redutora da violência ligada a estereótipos de género, compreendendo a violência conjugal como um fenómeno complexo, onde os estereótipos se assumem como um entre um conjunto amplo de fatores”.

“A existência de determinadas caraterísticas pessoais do agressor (défices no controlo dos impulsos, impulsividade, pobres competências pessoais, baixa assertividade comportamental e verbal), a presença de alguma perturbação psicológica, o consumo de substâncias e as dificuldades comunicacionais existentes na relação surgem como ativadores de episódios abusivos, refere.

Além disso, acrescenta, as crenças culturais e patriarcais, as experiências de vitimação precoces e a exposição a violência inter-parental também podem ter influência no aparecimento de comportamentos abusivos.

Já este mês, o plano vai ser testado numa cadeia portuguesa e o objetivo é implementá-lo em todas as instituições prisionais do país.

A investigação foi recentemente publicada na Revista do Ministério Público.

26 de janeiro de 2012

@Lusa

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