A menopausa representa o fim da capacidade reprodutora e é um evento fisiológico que acontece a todas as mulheres, já que o número de folículos dos ovários vai diminuindo ao longo da vida e com eles a consequente redução da produção das hormonas ováricas – estrogénios, progesterona e androgénios, embora estes últimos ainda continuem a ser produzidos em menor quantidade.

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A menopausa é definida como o cessar da menstruação, na sequência da falência ovárica. Em termos práticos, é definida clinicamente à posteriori, um ano após a última menstruação numa mulher com mais de 45 anos, associada a sintomas vasomotores e que não apresentem qualquer outra patologia que possa interferir no eixo hipotálamo-hipófise-ovário.

Todas as mulheres passam pela menopausa em alguma fase da vida?

Todas as mulheres têm menopausa, embora seja uma experiência diferente de mulher para mulher – nem todas sentem e vivenciam os sintomas relacionados com a menopausa da mesma forma. A idade média da menopausa é por volta dos 51 anos, pelo que devem estar atentas aos primeiros sinais.

Todas as mulheres têm menopausa e não é possível adiá-la, mas podemos fazer por não antecipá-la, como é o caso do hábito tabágico

O que é a perimenopausa?

A perimenopausa é uma fase de transição variável de mulher para mulher entre a fase reprodutora e a menopausa. Tem como evento anatómico a redução do capital folicular ovárico até ao seu esgotamento, que, na maioria das vezes, é definitivo.

Neste momento, temos bem estabelecida esta fase nos Estadios de Straw – 0 representa a última menstruação, o estadio -2 é a perimenopausa precoce e o -1 a perimenopausa tardia, caracterizando-se a primeira por ciclos menstruais mais curtos e a segunda por ciclos menstruais mais longos até atingir a amenorreia ou ausência de menstruação que caracteriza a menopausa. O estadio +1 refere-se à pós-menopausa inicial ou precoce e o +2 é a menopausa tardia.

Fernanda Geraldes, ginecologista e Presidente da Secção de Menopausa da Sociedade Portuguesa de Ginecologia
Fernanda Geraldes, ginecologista e Presidente da Secção de Menopausa da Sociedade Portuguesa de Ginecologia créditos: SPG

A perimenopausa estará entre os estadios -2 e +1. De reforçar que só se pode falar em perimenopausa na menopausa espontânea, porque quando se trata de menopausa cirúrgica (ou seja, naquelas mulheres a quem foi removido os ovários) não há fase de transição e a menopausa surge de uma forma abrupta. Neste último caso, os sintomas são geralmente muito mais intensos já que não há qualquer fase de transição como a que ocorre com a menopausa espontânea.

Como é que a menopausa pode surgir precocemente? 

A menopausa pode surgir antes dos 40 anos, em que falaremos de insuficiência ovárica prematura, ou antes dos 45 anos, em que falaremos de menopausa precoce. As causas mais vezes relacionadas com estas fases podem ser:

  1. Causa genética: algumas alterações cromossómicas podem estar na base da instalação de uma insuficiência ovárica prematura. Nestes casos, há muitas vezes alguém na família (mãe, avó, tias, irmãs) que também entrou na menopausa cedo. Estão também associadas algumas situações de infertilidade na família;
  2. Doenças auto-imunes: patologia da tiróide, como sejam as tiroidites estão muitas vezes associadas;
  3. Doenças oncológicas, como cancro da mama ou do ovário: tratamentos agressivos na abordagem destas doenças, como a quimioterapia ou outros tratamentos necessários para o controlo da doença, também podem provocar uma menopausa mais cedo.
  4. Hábitos de vida: o tabaco também parece ter um efeito tóxico no ovário, antecipando a menopausa em cerca de 5 anos.
Muitas mulheres encaram a menopausa como sendo o fim da linha e, devido à idade em que ocorre este evento, consideram que não vale a pena investir no tratamento. Mas isso é falso

 Quais são os principais sintomas da menopausa?

Os principais sintomas da menopausa são a curto prazo, como os sintomas vasomotores (calores/fogachos, afrontamentos, suores noturnos) e a síndrome génito-urinário, que consiste em queixas de secura vaginal que pode ser acompanhada de prurido vulvar, desconforto nas relações sexuais (dispareunia) e queixas de urgência miccional. De destacar igualmente as perturbações de falta de memória e de concentração, irritabilidade e perturbações do sono, que são bastante frequentes. A médio prazo, podem surgir as dores osteoarticulares, a diminuição da líbido e outras disfunções sexuais, bem como um acentuar as queixas urinárias. A longo prazo, pode-se desenvolver a osteoporose e até mesmo as doenças cardiovasculares.

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Como podem ser reduzidos?

Os sintomas vasomotores podem ser reduzidos ou mesmo abolidos com uma terapêutica hormonal adequada a cada mulher, se não apresentarem contraindicação para o seu uso. De realçar que o maior benefício deste tratamento é na menopausa inicial e é também aí que os sintomas são mais exuberantes. Nas mulheres que não podem e não querem tomar hormonas, há alternativas não hormonais que, apesar de não serem tão eficazes como as primeiras, representam uma opção válida.

Quanto à síndrome génito-urinária, temos à disposição uma grande variedade de cremes com estrogénios em várias doses, comprimidos vaginais e também outros cremes hidratantes e lubrificantes não hormonais. Todas as mulheres na menopausa deveriam fazer a aplicação de cremes vaginais com ou sem estrogénios, não apresentando na quase totalidade dos casos qualquer contraindicação.

As perturbações do sono, bem como algum grau de depressão, podem melhorar com o tratamento da menopausa se estas queixas se relacionarem com os sintomas próprios da menopausa.

É possível adiar a menopausa?

Todas as mulheres têm menopausa e não é possível adiá-la, mas podemos fazer por não antecipá-la, como é o caso do hábito tabágico. O consumo de tabaco antecipa a menopausa em cerca de 5 anos, pelo que a sua suspensão pode adiar a menopausa. Também o tratamento de algumas doenças crónicas que possam provocar a menopausa de forma prematura pode ser uma medida de adiar a menopausa.

 A menopausa traz pior qualidade de vida à mulher? Porquê?

A qualidade de vida da mulher na fase da menopausa acaba por se deteriorar se não for tratada ou orientada, e mais tarde ou mais cedo tem implicações no seu dia-a-dia, quer na relação com o companheiro e gestão familiar. Em adição, a menopausa pode também interferir de negativamente na área profissional.

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Há terapêuticas que podem melhorar a qualidade de vida da mulher durante e depois da menopausa?

Os sintomas associados à menopausa, podem ser reduzidos e até mesmo abolidos com uma terapêutica hormonal adequada a cada mulher, caso não apresentem nenhuma contra-indicação para o seu uso. No caso das mulheres que não podem ou não querem recorrer a este tipo de tratamento, existem alternativas não hormonais que, apesar de não serem tão eficazes como as primeiras, representam uma alternativa válida.

É verdade que o risco de alguns tipos de cancro aumenta no pós-menopausa? Porquê? Como é que se pode prevenir?

Não é propriamente a menopausa que condiciona o aparecimento da doença oncológica, mas sim o fator idade. Sabemos que o cancro do endométrio, do ovário e os sarcomas uterinos são mais frequentes nas mulheres mais velhas, mas não tem necessariamente a ver com a menopausa. O cancro da mama também é mais frequente nas mulheres mais velhas, mas pode afetar mulheres mais jovens.

A doença cardiovascular e a doença tromboembólica também estão associadas a mulheres com idade mais avançada, mas sem dúvida que a doença cardiovascular é mais frequente na pós-menopausa porque deixa de haver o fator protetor dos estrogénios.

Que mitos é que se contam sobre a menopausa? Pode desmistificar alguns?

Muitas mulheres encaram a menopausa como sendo o fim da linha e, devido à idade em que ocorre este evento, consideram que não vale a pena investir no tratamento. Há também quem considere normal a perda de urina e os calores atípicos na fase da menopausa, ou desvalorize a falta de interesse no sexo ou a ausência de prazer na relação sexual. É falso – vale sempre a pena investir numa terapêutica que atenue os sintomas associados e procurar aconselhamento médico, de forma a melhorar significativamente a qualidade de vida da mulher. Há também mulheres que não procuram ajuda, pois nem a mãe nem a avó fizeram tratamento. Nestes casos, é necessário ressalvar que, atualmente, existem tratamentos com um perfil de segurança e eficácia interessantes, pelo que não faz sentido viver diariamente com limitações.

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