O estudo, que abrangeu 1.577 médicos (20% do total de médicos inscritos na secção), refere que 15,9% dos inquiridos trabalha 60 a 80 horas por semana, 2,8% mais de 80 horas e 53,2% entre 40 a 60 horas, sendo que mais de metade dos profissionais que participou no estudo faz serviço de urgência.

Os médicos de medicina geral e familiar são os que apresentam mais sinais de burnout nas suas três dimensões (exaustão, despersonalização e não realização profissional), seguindo-se os profissionais de medicina interna, cirurgia geral e neurologia, aponta o estudo a que a agência Lusa teve acesso.

Os médicos mais novos apresentam níveis mais elevados de exaustão emocional, bem como aqueles que trabalham mais de 40 horas e os profissionais que realizam trabalho noturno e serviço de urgência.

Os resultados do estudo sugerem que os profissionais da zona Centro que têm atividade médica hospitalar e que trabalham em instituições públicas apresentam maiores níveis de exaustão.

"Tem havido uma pressão crescente sobre os médicos e profissionais de saúde" em torno de questões "que têm muito pouco a ver com a ideia que os médicos têm da sua profissão", disse à agência Lusa o presidente da secção regional da Ordem dos Médicos, Carlos Cortes.

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A pressão para uma "produção desenfreada de dados médicos", o "excesso de burocratização do Serviço Nacional de Saúde", a sua desorganização, a falta de "meios complementares de diagnóstico, de meios farmacológicos e de recursos humanos", bem como as "disfuncionalidades dos sistemas informáticos" vêm dificultar o trabalho do médico e potenciar situações de ‘burnout', sublinhou.

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Segundo Carlos Cortes, a carga horária e de trabalho a que os médicos estão sujeitos têm uma "implicação imediata", considerando que o facto de haver cerca de 20% dos médicos a trabalhar mais de 60 horas é "um dado que tem de obrigar o Ministério da Saúde a refletir".

Para o responsável da SRCOM, o fenómeno do ‘burnout' foi amplificado com a crise económica d "a desorganização que reina no Serviço Nacional de Saúde tem um impacto muito negativo sobre os médicos".

O estudo, que alerta para o facto de 40% dos médicos apresentarem sinais de exaustão emocional, vem "mostrar à tutela que tem responsabilidade”.

“Isto não é uma gripe que se apanha. A tutela tem a obrigação de saber combater este problema", salientou, alertando que todos os profissionais de saúde estão expostos ao risco de ‘burnout'.

O estudo, que decorreu de janeiro a dezembro de 2015, vai agora ser divulgado às entidades.

A secção regional oferece a sua "disponibilidade" para colaborar na criação de mecanismos de prevenção do ‘burnout' nos profissionais de saúde, juntamente com a tutela.

De acordo com Carlos Cortes, serão também necessários "mecanismos de maior discrição e de maior proximidade entre o médico e quem o irá tratar", para que este não seja exposto e não tenha de recorrer ao serviço de psiquiatria no local onde trabalha.

"Os médicos estão conscientes deste problema e de que têm de ajudar a resolvê-lo", realçou, considerando que a diminuição de situações de ‘burnout' também levará a incrementos da própria eficiência do Serviço Nacional de Saúde.

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