14 de março de 2014 - 11h27
Otimismo cauteloso quanto ao futuro e sentimento de tempo bem investido na formação são agora expressos por alguns dos primeiros médicos saídos da Universidade do Algarve, na véspera de serem distinguidos pelos quatro anos do Mestrado Integrado de Medicina.
António Pêgas e Tânia Gago decidiram há quatro anos pôr um parêntesis nas carreiras de enfermagem para ingressar no recém-formado curso de medicina da Universidade do Algarve, criado com base num modelo que o seu primeiro coordenador, José da Ponte, definiu como “pioneiro em Portugal e na Europa” e direcionado para o “conhecimento prático”.
No sábado, António Pêgas e Tânia Gago vão integrar o grupo de 29 estudantes que, às 17:00, no Campus de Gambelas, em Faro, estarão no centro da cerimónia de conclusão de curso do Mestrado Integrado em Medicina da Universidade do Algarve (UAlg).
António Pêgas disse à agência Lusa que este será o reconhecimento por quatro anos “bem investidos” e com um “balanço bastante positivo”, depois do risco assumido ao abdicar, mesmo que temporariamente, da carreira de enfermeiro.
“De início houve alguma incerteza. Embora acreditássemos no projeto, sabíamos que era o primeiro, os partos são sempre difíceis e há sempre aquela insegurança de navegar em águas nunca experimentadas. Mas correu muito bem e, para ser sincero, superou as minhas expectativas”, afirmou.
O novo médico considerou ser “mais fácil” aprender num curso como o da UAlg, em que toda a matéria de “anatomia e fisiologia do pulmão é dada à volta de um caso de um paciente com uma doença pulmonar e, ao tentar tratar um doente simulado, com um grupo de trabalho e um tutor, acaba-se por dissecar toda a matéria” à volta da temática.
“E é mais semelhante ao que nos vai acontecer na vida quotidiana como médicos. É esse o treino que levamos - com 33 casos por ano, 33 semanas, 33 casos diferentes em cada um dos anos - e dá-nos uma rodagem muito simpática para ir à procura do conhecimento”, explicou.

Sobre o futuro e a situação do país, António disse que antes do curso tinha um emprego estável no quadro de um hospital e que houve “alguma perda de estabilidade”, mas mostrou-se “sem arrependimentos”.
Tânia Gago também é distinguida no sábado como uma das primeiras médicas formadas na UAlg e disse à Lusa que o curso, mais do que a deixar “sentada a ouvir o que a outra pessoa tem para ensinar”, lhe permitiu “procurar os próprios objetivos e os melhores meios para atingi-los”.
Por isso, este momento é encarado com “satisfação imensa” depois de “quatro anos em que também se abdicou de uma carreira profissional na área” da enfermagem.
O futuro não deixa Tânia Gago “totalmente descansada”, porque a situação do país “mexeu com várias profissões”, como a medicina, e há “especialidades em que cada vez a colocação é mais difícil”.
“Isso leva-nos também a pensar não só na especialidade de que gostamos, como também naquelas que têm mais futuro, mas pelo menos estamos a fazer o que gostamos”, afirmou.
Lusa

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