Com um valor até 25 mil euros, o Prémio Maria de Sousa destina-se a galardoar jovens investigadores científicos portugueses, até aos 35 anos, com projetos de investigação na área das ciências da saúde. O galardão contempla um estágio num centro de excelência.

Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, destaca que “este prémio é para nós o melhor caminho para homenagear a forma como Maria de Sousa dedicou a sua vida à ciência e ao conhecimento pois reúne e enaltece as várias dimensões da médica e investigadora. Maria de Sousa desbravou caminho e demonstrou a importância da associação da clínica à investigação, sem nunca perder a capacidade de envolver os mais jovens e sem esquecer a importância da ética e do humanismo”.

Para Luís Portela, presidente da Fundação BIAL, “este prémio é uma homenagem a uma personalidade ímpar da ciência a nível mundial, que marcou de forma incontornável o desenvolvimento científico e académico em Portugal. Ao premiar jovens investigadores estamos a perpetuar o trabalho único de Maria de Sousa, que sempre procurou criar condições para que os jovens cientistas pudessem concretizar os seus sonhos e os seus percursos científicos”.

O júri desta primeira edição é constituído por cinco personalidades muito próximas de Maria de Sousa. O presidente é o neurocientista Rui Costa, professor de Neurociência e Neurologia na Columbia University nos EUA, e os restantes membros são Maria do Carmo Fonseca, presidente do Instituto de Medicina Molecular, Graça Porto, professora catedrática do Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, Miguel Castelo-Branco, diretor do Centro de Imagem Biomédica e Investigação Translacional da Universidade de Coimbra, e Joana Palha, vice-presidente da Escola de Medicina da Universidade do Minho.

As candidaturas, abertas a cidadãos portugueses que sejam investigadores científicos, residentes em Portugal ou no estrangeiro, decorrem até 31 de maio de 2021.

Quem foi Maria de Sousa?

Após terminar a licenciatura em medicina, em 1964, Maria de Sousa iniciou uma carreira de investigação que passou por Inglaterra, Escócia - onde fez o doutoramento em Imunologia - e Estados Unidos. Regressou a Portugal em 1985 e integrou o Instituto de Ciências Biomédicas Abel Salazar, onde fundou o Mestrado em Imunologia. Enquanto docente e investigadora da Universidade do Porto, foi responsável pelo primeiro programa doutoral em Portugal - Programa Graduado em Biologia Básica e Aplicada (GABBA).

Juntamente com o ex-ministro Prof. José Mariano Gago, promoveu na Junta Nacional de Investigação Científica e Tecnológica (JNICT) uma revolução no sistema de avaliação da ciência em Portugal.

Morreu a imunologista Maria de Sousa, vítima de COVID-19
Francisco Pinto Balsemão, Mário Soares e a investigadora Maria de Sousa conversam antes do anúncio do vencedor do Prémio Pessoa 2013, num hotel, em Sintra créditos: MIGUEL A. LOPES/LUSA

Autora de diversos artigos científicos de alcance internacional, Maria de Sousa foi agraciada com inúmeras distinções e condecorada como Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique (1995), Grande-Oficial da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (2012) e com a Grã-Cruz da Ordem Militar de Sant’Iago da Espada (2016).

A ligação de Maria de Sousa à Fundação BIAL iniciou-se em 1994, altura em que recebeu o Prémio BIAL pelo trabalho "Contribuição para a Caracterização da Ecologia e da Biologia do Sistema Timo-Dependente: Memórias, Percursos e Esboço de uma nova Teoria". A partir de então a sua relação com a Fundação foi-se intensificando, tendo sido membro do júri do Prémio BIAL em três edições e sua Presidente no ano 2000. Entre 2010 e 2014, assumiu o cargo de administradora da Fundação BIAL, cuja atividade reorganizou, incutindo‑lhe um mais elevado nível de exigência e qualidade.

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