Deteção insuficiente?

Ivestigadores do Imperial College de Londres consideraram na sexta-feira passada que "cerca de dois terços dos casos do COVID-19 de pessoas que saíram da China não foram detectados a nível mundial (...)".

Em outra pesquisa divulgada na segunda-feira, uma equipa anglo-americana estimou que "mais da metade das pessoas infectadas ainda não foram detectadas".

"Uma das dificuldades colocadas por este vírus é que há todo um quadro de manifestações clínicas", com formas leves e poucos sintomas, explica à AFP Daniel Lévy-Bruhl, da agência de saúde francesa Santé publique France.

Outra categoria ainda menos detectável é a dos contaminados que não apresentam sintomas, embora de acordo com os cientistas a sua importância na propagação da doença seja algo limitado. 

Recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS)

  • Caso apresente sintomas de doença respiratória, as autoridades aconselham a que contacte a Saúde 24 (808 24 24 24). Caso se dirija a uma unidade de saúde deve informar de imediato o segurança ou o administrativo.
  • Evitar o contacto próximo com pessoas que sofram de infeções respiratórias agudas; evitar o contacto próximo com quem tem febre ou tosse;
  • Lavar frequentemente as mãos, especialmente após contacto direto com pessoas doentes, com detergente, sabão ou soluções à base de álcool;
  • Lavar as mãos sempre que se assoar, espirrar ou tossir;
  • Evitar o contacto direito com animais vivos em mercados de áreas afetadas por surtos;
  • Adotar medidas de etiqueta respiratória: tapar o nariz e boca quando espirrar ou tossir (com lenço de papel ou com o braço, nunca com as mãos; deitar o lenço de papel no lixo);
  • Seguir as recomendações das autoridades de saúde do país onde se encontra.

"A pesquisa confirma que, na grande maioria dos casos, são as pessoas sintomáticas que transmitem" a doença, segundo o Dr. Lévy-Bruhl.

Quanto tempo de quarentena?

O período de incubação – que separa a infeção do surgimento dos sintomas –  é estimado de acordo com os estudos entre dois e 10 dias. Isso levou à definição do período de quarentena para casos suspeitos a 14 dias.

No entanto, com base em certos casos, especialistas chineses consideraram que o tempo de incubação poderia ser estendido de 24 a 27 dias.

Essa hipótese, no entanto, é duvidosa para os cientistas.

"Os dados mais recentes estão a ir na direção contrária, ou seja, em direção a uma diminuição no período de incubação", diz Lévy-Bruhl.

Segundo ele, "há muito poucas probabilidades de o período de incubação ultrapassar" os 14 dias.

Consequências se a doença se espalhar

A estratégia de contenção de epidemias implementada pela comunidade internacional é cada vez mais difícil à medida que o número de países afetados aumenta.

Se tal contenção não puder ser realizada, as autoridades de saúde devem rever as suas ambições: em vez de conter a epidemia, cada país deve atenuar os seus efeitos.

Nos países desenvolvidos, esta política afeta os sistemas de saúde.

"85% das pessoas afetadas não desenvolvem uma forma grave da doença, mas formas menores", diz o professor Yazdan Yazdanpanah, especialista francês da OMS.

Este ressalta que "casos graves são mais do que uma gripe".

Se os casos se multiplicarem, será necessário "hospitalizar pessoas que desenvolvem casos graves" da doença, embora não "as demais" não possam ser esquecidas em termos de atenção nos hospitais.

No entanto, esses problemas são multiplicados por dez em países pobres onde os sistemas de saúde são deficientes.

Em resumo, o paradoxo do COVID-19 é que é muito menos violento do que uma doença como o ébola, mas também é mais difícil de conter, pois os casos são mais difíceis de detetar.

Veja em baixo o mapa interativo com os casos de coronavírus confirmados até agora

Se não conseguir ver o mapa desenvolvido pela Universidade Johns Hopkins, siga para este link.

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