Estes indicadores constam na edição de 2021 do relatório “International Migration Outlook”, elaborado pela Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Económico (OCDE) que avalia os desenvolvimentos mais recentes dos movimentos e políticas migratórias em 40 países, incluindo nos 38 Estados (grande parte também membros da União Europeia) que integram esta instituição fundada na década de 1960.

A OCDE foca que as alterações verificadas no campo das migrações foram impulsionadas principalmente pela pandemia da doença covid-19, lembrando que, entre 2020 e o ano em curso, a maioria dos países-membros impuseram restrições de viagens ou reduziram os serviços de imigração para tentar travar a propagação do novo coronavírus.

A organização, que admite que “o real impacto” da pandemia de covid-19 sobre as entradas da chamada migração permanente no espaço OCDE poderá representar um decréscimo superior a 40%, refere que todas as categorias de migração permanente recuaram em 2020, com um particular destaque para a migração familiar que registou um declínio de mais de 35%.

“A migração laboral temporária também diminuiu drasticamente em 2020: a quantidade de trabalhadores sazonais no setor turístico caiu, em média, 58%, e as transferências interempresas 53%, enquanto o fluxo destes trabalhadores na agricultura diminuiu apenas 9%”, de acordo com o documento.

Num olhar mais pormenorizado sobre a União Europeia (UE), a OCDE indica, citando dados preliminares, que os movimentos (migratórios) dentro do espaço comunitário foram ligeiramente menos afetados, com uma diminuição na ordem dos 17%.

Em relação ao número de novos pedidos de asilo apresentados junto de países da OCDE em 2020, o relatório revela uma diminuição de 31%, “a queda mais acentuada desde o fim da crise dos Balcãs no início dos anos 90”.

Pelo segundo ano consecutivo, a Venezuela foi o principal país de origem dos requerentes de asilo, seguido pelo Afeganistão e pela Síria.

O documento destaca ainda o “impacto muito forte” da crise pandémica nos programas de recolocação e reinstalação de refugiados que, entre 2010 e 2019, permitiram que mais de um milhão de pessoas que precisavam de proteção internacional fossem transferidas para um dos 38 países da OCDE.

“Apenas 34.400 refugiados foram reinstalados em 2020, menos dois terços do que em 2019, o número mais baixo de sempre”, refere o documento.

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