12 de dezembro de 2013 - 10h44

A luta contra a malária salvou 3,3 milhões de pessoas em todo o mundo desde 2000, mas a doença transmitida pelo mosquito Anopheles ainda matou 627.000 pessoas no ano passado, sobretudo crianças em África, informou na quarta-feira a Organização Mundial da Saúde (OMS).

Segundo o relatório da OMS sobre a Malária 2013, a escassez de financiamento e de medidas básicas como mosquiteiros significam que a malária ainda é uma grande ameaça, particularmente em África e no sudeste da Ásia.

"O facto de tantas pessoas serem infetadas e mortas por picadas de mosquito é uma das maiores tragédias do século XXI", afirmou a diretora-geral da OMS, Margaret Chan.

Um aumento no financiamento global ao longo da última década permitiu grandes avanços contra a malária, mas ainda assim esses valores representaram a metade do que se necessita para assegurar que todas as pessoas em risco de desenvolver a doença tenham acesso a intervenções, destaca o documento da OMS.

"Este avanço notável não é motivo para complacência: os números absolutos de casos e mortes de malária não vão descer tão rápido o quanto deveriam", disse Chan.

Em 2012, estimava-se que houvesse 207 milhões de casos de malária, provocando cerca de 627.000 mortes, uma redução em relação à estimativa da OMS de 660.000 mortes em 2011.

A malária é causada por um parasita e os sintomas incluem febre, vómitos, diarreia e icterícia.

A República Democrática do Congo, a Nigéria e a Índia são os países mais afetados.

Estima-se que 3,4 bilhões de pessoas estejam em risco de desenvolver malária em todo o mundo, com 80% da ocorrência de casos situados na África.

O progresso tangível foi visto em cerca de metade dos 103 países com
transmissão contínua de malária, onde se observou uma redução na taxa de
incidência desde 2000.

Em todo o mundo, a mortalidade caiu 45% entre 2000 e 2012 em todos os
grupos etários e 51% nas crianças até os cinco anos de idade.

"Isto é muito surpreendente para uma doença que tem sido negligenciada e
abandonada", disse Robert Newman, um pediatra que chefia o Programa
Global de Malária da OMS.

As principais medidas de combate à malária são a pulverização em
ambientes fechados, a testagem para diagnóstico, terapias combinatórias
de medicamentos baseados em artemisinina e mosquiteiros tratados com
inseticidas.

No entanto, os parasitas da malária têm demonstrado sinais de resistência a inseticidas em 64 países.

Outra preocupação importante é a resistência emergente à artemisinina,
componente básico de medicamentos antimalária, na Tailândia, Vietname,
Mianmar e Camboja, acrescentou a OMS.

Apesar das recomendações da OMS de que as pílulas contendo artemisinina
só sejam retiradas do mercado quando substituídas por terapias
combinadas para proteger melhor da resistência emergente, nove países -
seis deles em África - continuam a disponibilizar estas drogas.

O relatório também chamou atenção para "uma desaceleração, pelo segundo
ano consecutivo, na expansão de intervenções para controlar os
mosquitos", particularmente no que diz respeito à distribuição de
mosquiteiros.

Em 2011, apenas 92 milhões dos 150 milhões necessários anualmente foram
distribuídos por fabricantes em países onde a malária é endémica na
África subsaariana e apenas 70 milhões foram distribuídos em 2012.


SAPO Saúde com AFP

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