O Natal é uma época do ano de celebração, de reencontros e de tradição. Nesta quadra a alimentação tem também ela, um significado especial e diferente dos restantes dias do ano. É o período em que as famílias se juntam e surgem inúmeras iguarias típicas desta quadra, com cheiros, sabores e cores a que se torna difícil resistir! 

Para além da componente social, cultural e de saúde que a alimentação incorpora, importa não esquecer uma questão central nos tempos atuais, a sustentabilidade alimentar, conceito multidimensional que engloba a integridade ambiental, o bem-estar social, a resiliência económica e a boa governação. 

Embora esta seja uma quadra festiva não nos podemos esquecer de que segundo a FAO, no Mundo, entre 702 e 828 milhões de pessoas passaram fome em 2021. São números que não nos orgulham. Esta situação não tende a melhorar, pelo contrário, poderá mesmo agravar-se fruto da situação pandémica que vivemos, da guerra, das alterações climáticas e também da inflação.

Esta época do ano carateriza-se pelo convívio à mesa, o que, aliás vem ao encontro dos princípios da dieta mediterrânica. No entanto, mais do que nunca importa reforçar a necessidade de sermos contidos na qualidade e quantidade de alimentos disponibilizados. Os excessos alimentares para além de acarretarem consequências na nossa saúde, geram um enorme desperdício alimentar. Já pensou no desperdício alimentar produzido nesta quadra? E na forma de o reduzir?

As respostas a estas questões embora possam parecer simples, não o são, exigem método. Todos nós sabemos que os portugueses de uma maneira geral, gostam de uma mesa farta. No entanto, existem algumas estratégias que nos poderão nortear, no sentido de promover a sustentabilidade alimentar e diminuir o desperdício alimentar, aqui ficam algumas: compre produtos locais e sazonais, minimize a compra de produtos embalados e processados, antes de ir às compras para a ceia e almoço de Natal faça uma lista de compras com os alimentos de que necessita e cumpra-a, coloque uma quantidade abundante  de vegetais no prato, cozinhe em quantidades adequadas ao número de pessoas que irá ter em casa, se for em excesso divida o que sobrou com a restante família e amigos.

Lembre-se de que ao fomentar a sustentabilidade alimentar promove a sua saúde e a saúde do planeta. 

Para além da questão anteriormente referida nesta época festiva é também importante conciliar a tradição, o sabor e a saúde à mesa. Para que tal possa acontecer, siga as seguintes sugestões: 

  • inicie o dia com um bom pequeno-almoço;
  • comece as refeições com um bom prato de sopa de hortícolas. Promove a saciedade, o bom funcionamento intestinal e ajuda a controlar os níveis de colesterol;
  • acompanhe as refeições com uma quantidade generosa de hortícolas, como as tradicionais couves cozidas, os grelos entre outras. 

Para cumprir a tradição importa ainda referir os pratos tradicionais da época natalícia, como o peru assado e o bacalhau, que são ótimos para uma refeição saudável. O bacalhau cozido com couve e batata, temperado com azeite, é um excelente prato e em nada o fará ficar com peso
na consciência. Obviamente, que deve ter atenção à quantidade de gordura utilizada e à porção que irá comer. 

O peru assado, tão típico desta quadra, pode ser uma opção adequada. Para confecionar este prato, pode utilizar um spray ou um pincel para espalhar a gordura, de forma a utilizar menos quantidade. Não se esqueça de enriquecer o prato com uma boa dose de hortícolas. Quando cozinhar batatas assadas opte por cortá-las em grandes pedaços, para uma menor absorção de gordura! 

Lembre-se, deve pensar em efetuar uma alimentação adequada que vá ao encontro da Roda da Dieta Mediterrânica todos os dias do ano, nas festas como o Natal é permitida alguma discricionariedade.

Aproveite para conviver e efetuar alguma atividade física, faça um passeio/caminhada após o almoço de Natal com a família e os amigos. 

Feliz Natal!

Um artigo de opinião de Graça Raimundo, coordenadora científica da Pós-Graduação Nutrição Clínica da Universidade Europeia.