Em Portugal, estima-se que surjam, todos os anos, 300 novos casos desta doença. Alguns casos não chegam a ser diagnosticados.

O que é o mieloma múltiplo?

O Mieloma Múltiplo (MM) é uma neoplasia hematológica, em que há o aumento de plasmócitos anormais na medula óssea. Raramente também se podem acumular em sítios fora da medula óssea e dar origem a plasmacitomas. Os plasmócitos, um dos vários tipos de glóbulos brancos, habitualmente existem em pequena quantidade na medula óssea (cerca de 5%) e são responsáveis pela produção de imunoglobulinas (anticorpos). Todavia, no MM aumentam de forma descontrolada, podendo infiltrar toda a medula óssea e começar a produzir anormalmente imunoglobulinas disfuncionais responsáveis pelas manifestações desta neoplasia.

A grande maioria dos doentes refere cansaço que se vai acumulando ao longo do tempo até uma exaustão inexplicável

A que tipo de sintomas as pessoas devem estar atentas?

Habitualmente os sintomas são inespecíficos e as pessoas desvalorizam os mesmos com outras coisas que vão vivendo ou são atribuídos a outras doenças. A grande maioria dos doentes refere cansaço que se vai acumulando ao longo do tempo até uma exaustão inexplicável pelo que recorrem ao seu médico habitual, sendo frequente detetar-se uma anemia que pode levar ao diagnóstico de MM.

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Também muito comum são as dores ou fraturas ósseas sem causa aparente que levam o médico assistente a pedir radiografias que lançarão a suspeita de estar perante um MM. O aparecimento de uma lesão renal aguda pode também ser um sinal de alerta para investigar a causa da mesma e suspeitar de MM. Também habituais são as infeções repetitivas, como infeções respiratórias que se podem tornar graves, mostrando existir uma alteração no sistema imune do doente e despertar para o estudo do MM.

Como é possível então fazer o diagnóstico desta doença?

Se os sintomas, mesmo que vagos, sugiram esta neoplasia numa fase inicial deverão ser feitas análises simples de sangue para verificar se existe anemia, cálcio aumentado ou alteração da função renal. Também deverão ser feitas análises de urina para avaliar, por exemplo, a produção anormal de proteínas. Atendendo às dores ósseas, poderão ser realizados radiografias que evidenciarão lesões ósseas características de MM.

Após estes resultados e, se a suspeita for forte, o doente deverá ser referenciado a para um hematologista para estudos de sangue, urina e imagem específicos. Para além disso poderá ser necessário o estudo direto da medula óssea com uma biópsia. O diagnóstico de MM é, por vezes, difícil e necessita da conjugação dos resultados destes vários exames.

A exposição a radiação e a substâncias tóxicas derivadas dos hidrocarbonetos, assim como alguns agentes químicos como o benzeno, os pesticidas e os herbicidas é apontada como um comportamento de risco, mas não se consegue determinar uma relação direta

Quais são os grupos de risco desta doença?

Existem grupos de risco, todavia nem todas as pessoas nestes grupos desenvolvem o MM. O MM surge habitualmente em doentes mais velhos, à volta dos 65 anos, sendo raro antes dos 45 anos (apenas 3% de todos os doentes). É também mais frequente em homens e em doentes de raça negra, sem que se saiba exatamente porque isto acontece. Não é uma neoplasia hereditária, mas existem casos familiares de MM. Ter um parente direto (irmão/irmã/pai/mãe) aumenta o risco em 4 vezes de vir a ter MM, mas trata-se de uma situação muito rara.

Existem comportamentos de risco associados à doença?

Não existem comportamentos de risco claros que possam contribuir para o aparecimento do MM. A exposição a radiação e a substâncias tóxicas derivadas dos hidrocarbonetos, assim como alguns agentes químicos como o benzeno, os pesticidas e os herbicidas é apontada como um comportamento de risco, mas não se consegue determinar uma relação direta. O mesmo acontece com algumas exposições profissionais em que nunca se consegue provar que contribuíram para o aparecimento do MM. Alguns estudos mostram que a obesidade pode favorecer o desenvolvimento desta doença.

É possível prevenir esta patologia?

Em algumas neoplasias, em que existem fatores de risco determinados, poderão existir comportamentos que podem ser evitados e reduzir o risco de desenvolver determinada neoplasia, como por exemplo o tabaco e o cancro do pulmão. O mesmo se passa em algumas neoplasias em que existem programas de rastreio bem organizados que podem apontar para um diagnostico precoce, como no cancro da mama. No caso do MM, não existe nenhum facor de risco claramente evitável ou passível de integrar um programa de rastreio.

Existe um tratamento eficaz?

O MM é uma neoplasia incurável. Todavia nos últimos anos, tem-se assistido a enormes avanços nesta doença, existindo neste momento muitos tratamentos disponíveis para controlo da neoplasia – quimioterapia, imunoterapia, transplante de medula óssea. É importante cada doente ser avaliado individualmente para se poder traçar um plano terapêutico adequado que consiga controlar o MM e prolongar, com qualidade, a sobrevida do doente.

As explicações são do médico Rui Bergantim, hematologista clínico do Centro Hospitalar de São João.

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