Na Europa o linfoma é responsável por cerca de 3.5% de totalidade dos diagnósticos de cancro e por 2.5% de todas as mortes por cancro.

Os linfócitos têm como função a montagem e regulação da resposta imune:  uns são essenciais para a produção de anticorpos (linfocitos B), enquanto que outros destroem as células que são infectadas por vírus ou células cancerígenas (linfócitos T). Assim, pode-se diferenciar os subtipos de linfoma tendo em consideração se a célula de origem é o linfócito T ou B. Habitualmente os linfomas B respondem melhor aos tratamentos que os linfomas T.

Os linfócitos localizam-se nos gânglios linfáticos, no sangue e no baço, mas podem ainda ser encontrados em menor número noutros órgãos. Assim os linfomas afectam os compartimentos onde há habitualmente linfócitos. Dependendo da localização, os doentes podem notar o aparecimento de gânglios aumentados ou podem vir a desenvolver anemia, plaquetas baixas ou apresentar um número elevado de linfócitos no sangue. Os sintomas dependem do subtipo específico de linfoma e da sua localização. Existem depois sintomas inespecíficos que podem surgir de forma transversal em todos os subtipos: cansaço, falta de apetite, perda de peso, suores nocturnos e febre esporádica.

Os dois tipos

Classicamente os linfomas são inicialmente divididos em Linfoma de Hodgkin e Linfoma Não Hodgkin.

O linfoma de Hodgkin é caracterizado pela presença de linfócitos malignos (chamados de células de Reed-Sternberg) e está subjacente uma desregulação da resposta imunitária das células normais. Tem melhor prognóstico, sendo muito sensível à quimioterapia e à radioterapia. Este tipo de linfoma é mais comum no adulto jovem.

O Linfoma Não Hodgkin (LNH) é constituído por um grupo muito grande e heterogéneo de doenças. Os vários subtipos de Linfoma Não Hodgkin estão relacionados com o tipo de linfócito envolvido. De forma geral, podemos dividir os LNH em linfomas indolentes (considerados de evolução mais lenta e crónicos) e os linfomas agressivos (de evolução mais aguda, mas curáveis).

Os linfomas indolentes são doenças que se desenvolvem de forma mais lenta e, por esse motivo, quando tratados não se consegue erradicar a doença na totalidade, podendo esta voltar a manifestar-se meses a anos depois. Assim, tenta-se só tratar quando realmente necessário, fazendo “recuar” a doença, evitando efeitos adversos e toxicidade desnecessária. Estes linfomas são caracterizados por uma evolução por paroxismos, alternando entre períodos em que são sintomáticos e que têm que ser tratados e períodos em que estão senescentes (adormecidos).

Os linfomas agressivos surgem de uma forma mais explosiva, necessitando rapidamente de iniciar tratamento com o objectivo de erradicar totalmente da doença e atingir cura. Assim, a recaída de um linfoma agressivo tem um prognóstico muito mais desfavorável que a recaída de um linfoma indolente (que é expectável).

Os linfomas são geralmente tratados combinando quimioterapia com imunoterapia, sem necessidade de internamento. Actualmente, com o aumento do conhecimento dos mecanismos de desenvolvimento dos linfomas há uma grande evolução na investigação de novos fármacos, o que abre uma janela a tratamentos inovadores, mais específicos e trazem uma esperança aos doentes que tenham linfomas resistentes à quimioterapia.

Um artigo da médica Daniela Alves, especialista em Hematologia no Hospital Lusíadas Lisboa.

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