Com a aproximação da época natalícia, as relações familiares e de amizade são invocadas num clima de introspeção, aliado à tristeza e melancolia comummente associadas aos dias mais cinzentos. A chamada de atenção para estas manifestações, reveladoras da forma como as pessoas traduzem as suas vivências no ambiente que as rodeiam, é feita pelo psicoterapeuta e autor do portal pela saúde mental Cogitando, Nuno Cristiano de Sousa.

Segundo o especialista, enquanto há quem utilize o argumento da inexplicabilidade de uma nuvem ou do mau tempo na capacidade de fazerem com que uma pessoa fique triste, os fatores climatéricos não devem ser vistos em si mesmos, mas como aquilo que refletem para cada indivíduo e a forma como essa reflexão está relacionada com as suas questões internas.

Nas suas palavras, “embora se diga que o olhar reflete o estado da alma, também a forma como se olham as coisas o faz”. Ao contrário dos meses de calor, em que os dias são preenchidos com idas à praia e mais passeios na rua, o tempo no inverno torna-se mais solto e disponível e, por isso, propício a uma maior reflexão.

Por outro lado, o Natal e a sua preparação invocam relações afetivas, os valores subjacentes à época e a sua ligação com as mesmas, gerando uma turbulência interna muito própria deste período do ano. “Para além disso, o fim do ano começa também a avistar-se e com ele uma revisão das resoluções do ano anterior e dos objetivos que não foram cumpridos, e que tornam a alma sombria”, explica Nuno Cristiano de Sousa.

O frio e as festividades que acompanham a sua passagem propiciam, como indica o psicoterapeuta, “um pensamento minado pelo desejo daquilo que não se tem – o verão que se perdeu, o tempo que ainda falta para as próximas férias, as tais resoluções que não se cumpriram…”, traduzindo procedimentos mentais mais introspetivos. “No ser humano, persiste uma tendência natural para rever os próprios sentimentos em coisas concretas que o rodeiam, podendo haver uma confusão entre um elemento que causa transtorno emocional ou um que reaviva feridas antigas e ofuscadas por razões várias”, resume o autor de Cogitando.

11 de dezembro de 2012

@SAPO

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