"As doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal e um dos principais fatores de risco destas doenças é, de facto, a hipertensão arterial. Por este motivo, é necessário reforçar junto da população a importância do controlo da tensão arterial como forma de prevenção destas doenças", revela Severo Torres, médico cardiologista e coordenador da Unidade de Cardiologia do Hospital Lusíadas Porto.

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Segundo dados do Serviço Nacional de Saúde (SNS), a taxa de prevalência da hipertensão arterial (HTA) na população adulta em Portugal ronda os 36% e é mais elevada no sexo feminino do que no masculino. O excesso de sal na alimentação, o sedentarismo, a obesidade e os altos níveis de colesterol são os principais responsáveis pela hipertensão arterial.

"O estilo de vida é determinante na subida dos valores da pressão arterial. Diminuir o consumo de sal e de álcool, não fumar, evitar alimentos salgados ou ricos em gorduras e açúcar e recorrer à prática regular de exercício físico, pelo menos três vezes por semana, podem ser excelentes aliados no controlo da hipertensão arterial, reduzindo o risco de complicações graves", explica o cardiologista Severo Torres.

Dados da Sociedade Portuguesa de Hipertensão (SPH), obtidos durante o estudo Percepção da População sobre Hipertensão, revelam que mais de metade dos portadores desta doença não sabe que a tem.

Uma doença sem sintomas

Embora seja quase sempre assintomática, a hipertensão arterial pode, em alguns casos, manifestar-se através de sintomas como tonturas, visão turva, dores de cabeça, sonolência e falta de ar. A sua causa pode ser desconhecida, sendo classificada como primária ou essencial, ou pode surgir como consequência de, por exemplo, doença renal, perturbações hormonais ou utilização de determinados fármacos.

O diagnóstico precoce é fundamental até porque "a hipertensão poderá ser reversível se forem identificadas e corrigidas as causas desencadeantes e adotadas as medidas terapêuticas adequadas", explica o cardiologista.

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Se a doença não for tratada "a pressão arterial elevada pode causar alterações do ritmo do coração e da sua estrutura, contribuindo para o desenvolvimento, a longo prazo, de insuficiência cardíaca. Ao provocar lesões na parede das artérias, aumenta o risco de enfarte agudo do miocárdio e constitui o principal fator de risco para o acidente vascular cerebral", conclui este especialista.

Para reduzir a probabilidade de um evento cérebro-cardiovascular, bem como a mortalidade e incapacidade associadas à hipertensão arterial, recomenda-se que a pressão sistólica seja inferior a 120 e a pressão diastólica inferior a 75.

"A hipertensão é um problema que raramente existe de forma isolada, sendo agravado pelo facto de estar quase sempre associado a outras doenças cardiovasculares, tais como o acidente vascular cerebral, a doença isquémica, a insuficiência cardíaca e a doença renal crónica. Além disso, importa referir que apenas 25% dos hipertensos estão a controlar a doença, o que é um número francamente baixo e passível de melhoria", aponta o médico e professor João Morais, presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia.