Uma mulher de 48 pode tornar-se o primeiro caso de reinfeção pelo novo coronavírus conhecido em Portugal, com apenas três meses a separar o primeiro do segundo diagnóstico. A notícia é avançada pelo jornal Público. O caso está a ser estudado pela equipa do médico Germano de Sousa, especialista em Patologia Clínica e fundador da rede de laboratórios com o mesmo nome, e antigo bastonário da Ordem dos Médicos.

A portuguesa começou a apresentar sintomas da doença no início de julho, tendo testado positivo para o novo coronavírus no dia 3 desse mês. Cerca de duas semanas depois, a mulher residente na região de Lisboa e Vale do Tejo voltou a ser testada, mas desta vez obteve um resultado negativo, tendo sido considerada recuperada. No final de outubro, a mulher voltou a apresentar sintomas da doença, nomeadamente perda de olfato. Foi submetida a um novo teste, que deu positivo para a infeção pelo SARS-CoV-2.

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"Não se sabe ainda se existe uma resposta imunológica definitiva do hospedeiro, após uma primeira infeção, e se este desenvolve imunidade suficiente para proteger de uma próxima exposição ao vírus, pelo que é de extrema importância manter as medidas de proteção recomendadas pela Direção Geral de Saúde isto é, manter o distanciamento no relacionamento pessoal, proceder à desinfeção e/ou lavagem frequente das mãos e evitar grandes ajuntamentos de pessoas", adianta ao SAPO o médico Germano de Sousa.

À luz do conhecimento atual, os casos de reinfeção com o novo coronavírus são relativamente raros, com situações reportadas em regiões da Bélgica, Brasil, Coreia do Sul, Estados Unidos, Equador, Hong Kong, Israel, Países Baixos, entre outros.

O especialistas pretendem agora sequenciar o genoma da estirpe de coronavírus que infetou a paciente em Portugal, para perceber exatamente que variante do SARS-CoV-2 terá provocado nova infeção. O objetivo é também perceber se a mulher esteve infetada em duas ocasiões ou se teve apenas uma infeção mais duradoura com um teste negativo pelo meio.

"Verifica-se que alguns pacientes, após terem testado positivo para o SARS-CoV-2 , apresentam novamente um resultado positivo passado uma ou duas semanas ou até mesmo um período de tempo superior", explica o médico. "Este novo teste positivo não significa uma nova infeção, nem a reativação do vírus no organismo. Células do epitélio respiratório, mantêm fragmentos do RNA viral, já inativo, que podem permanecer semanas e até meses no organismo, mesmo após o paciente estar totalmente recuperado da doença", afirma.

"Posteriormente inicia-se um processo de expulsão de células mortas e estes fragmentos emergem para as vias respiratórias superiores e são expelidos, sendo estes fragmentos pulmonares que surgem na amostra obtida do paciente e fazem com que o teste apresente mais uma vez um resultado positivo", refere o especialista.

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Como se produz a imunidade?

Além de desenvolverem anticorpos contra o coronavírus SARS-CoV-2, os pacientes recuperados produzem quantidades significativas de células T, células do sistema imunológico e também um grupo de glóbulos brancos responsáveis pela defesa do organismo.

"A maioria dos pacientes que tiveram COVID-19 têm menor probabilidade de ser reinfetados ou apresentar quadros graves da doença perante uma situação de segunda infeção", frisa Germano de Sousa.

A partir das amostras recolhidas em julho e outubro, Germano de Sousa pretende sequenciar o genoma dos vírus, para aferir se, de facto, se trata de um caso de reinfeção ou de uma infeção prolongada.

A pandemia de COVID-19 provocou pelo menos 1.328.048 mortos resultantes de mais de 55 milhões de casos de infeção em todo o mundo, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

Em Portugal, morreram 3.553 pessoas dos 230.124 casos de infeção confirmados, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro de 2019, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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