"Estou a ouvir a sua pulsação!", comemora um dos paramédicos reunidos numa tenda castanha para procederem à reanimação da jovem de 25 anos.

Durante uma semana, as ambulâncias percorreram a província de Hatay, no sul da Turquia, com as suas sirenes estridentes, mas o barulho quase desapareceu esta terça-feira. "É um milagre encontrar outra paciente vivo debaixo dos escombros", diz o médico Yilmaz Aydin.

Em três horas, apenas seis veículos de resgate levavam feridos a este hospital de campanha montado no estacionamento de um grande hospital de Antakya.

A cidade foi devastada pelo terramoto que já deixou mais de 35 mil mortos na Turquia e na Síria. "A partir de agora, os sobreviventes certamente estarão em estado mais crítico. A maioria deles precisará de cuidados de emergência vitais", analisou Aydin.

Após 180 horas nos escombros, Abir "sofreu um pneumotórax", a presença de ar e gás na pleura, a membrana que reveste os pulmões, explica o médico Nihat Mujdat Hokenek, que supervisiona o atendimento.

"O seu coração parou duas vezes, mas conseguimos recuperá-la. Fizemos tudo o que a literatura médica recomenda. E, depois de uma hora e meia de esforços, ela sobreviveu", contou.

"Questão de minutos"

"Foi um momento muito especial, talvez o resgate mais extraordinário da minha vida" pelas circunstâncias em que ocorreu, disse Omar, um dos enfermeiros que realizou o procedimento de reanimação na jovem. "Salvei muitas vidas, mas nunca estive tão feliz", diz ele.

Outras duas mulheres feridas foram levadas para outro hospital. "O meu pai está aqui? A minha mãe está aqui?", perguntou uma delas, chorando, antes de ser levada por um helicóptero.

Mas Hokenek acredita que possa haver outros milagres. Apesar do frio, algumas vítimas "poderiam sobreviver mais tempo" se estivessem num local seguro entre os escombros, com um pouco de comida e água, disse Aydin, embora reconheça que isso "raramente" acontece.

Dois paramédicos estrangeiros, no entanto, estão menos otimistas. "Realmente é preciso que a pessoa seja jovem e saudável porque a hipotermia é um fator agravante", comenta um que prefere não ser identificado.

"Neste momento, depois de uma semana, é realmente uma questão de minutos", afirma outro.

Abir acabou por ser colocada numa maca e foi transportada de ambulância. Enquanto um helicóptero esperava para levá-la a um hospital em Adana, a 200 quilómetros de distância, o seu estado piorou novamente.

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